DESESPERANÇA

Rodrigo Constantino

A esperança é a última que morre, diz o ditado. Era também o recado da Caixa de Pandora. Os filósofos gregos sabiam que o ser humano pode perder tudo, menos a esperança. Sem ela, caímos no abismo completo, sendo tragados pelo niilismo. A crença no poder de superação é o que nos move, mesmo quando sentimos, como Sísifo, que estamos a carregar pedras morro acima, apenas para vê-las rolar morro abaixo e ter de recomeçar tudo de novo – o cotidiano de todo trabalhador sério no Brasil, que precisa matar um leão por dia para sobreviver e sustentar os privilégios dos marajás.
O STF parece determinado a matar a esperança do brasileiro decente. O povo está cada vez mais indignado, mas há um limite que, quando essa raiva ultrapassa, pode se transformar em apatia, em desesperança. É quando o sujeito sente que nada mais adianta, que todo o seu esforço vai levar a lugar algum, nem mesmo ao prazer de chegar ao topo da montanha, ainda que por um curto momento.
José Dirceu, o “chefe da quadrilha” no mensalão, aquele que continuou a dar “consultorias” mesmo de dentro da prisão, reincidente no petrolão, o revolucionário treinado em Cuba pelo regime mais tirânico do continente, o petista do punho cerrado contra as instituições republicanas, esse mesmo Dirceu conseguiu seu habeas corpus pelo Supremo, o suposto guardião das leis. Os marginais celebraram. O Brasil chorou, aturdido, cansado, derrotado.
Minutos depois da notícia da soltura de Dirceu, o jornalista Diego Escosteguy divulgou que Palocci já havia desistido de sua delação premiada, ou ao menos interrompido a negociação para “refletir”. A reflexão, claro, era fruto da impunidade. Recado dado, recado assimilado. Criminalizaram a política? Não! Politizaram a Justiça…
Sim, o Brasil é o país da impunidade e da escululambação há tempos. Faz mal à saúde levá-lo muito a sério. Mas nunca antes na história desse país se viu tanto descalabro, e pior: justo numa época em que as expectativas haviam sido alimentadas pela própria operação liderada pelo juiz Sergio Moro. Ao ver alguns figurões na cadeia, o povo voltou a sonhar com a possibilidade de um futuro melhor, de um país mais sério. Ledo engano. A decepção é proporcional ao tamanho das ilusões.
O clima de desesperança aumenta, concomitantemente ao de anomia nas ruas. Ninguém mais acredita em nossas instituições, e sem elas temos apenas o velho “salve-se quem puder”, o “cada um por si e todos contra todos”. Não sou profeta do Apocalipse, nem o responsável por isso. Não atirem no mensageiro. Faço análise, mais nada. Quem está brincando com fogo é o STF, são os caciques políticos em busca de acordão, os petistas que insistem em debochar do povo, o establishment. Vai acabar mal.


Magu

Este é o artigo na Isto É de 10 de maio. As coisas, de repente, passaram a andar depressa cá em Pindorama, não é mesmo? Foi noticiado que o Palofi tinha desistido de delatar. É notícia velha. Ele já retomou o contato com os advogados. Ninguém quer ficar na prisão enquanto o chefão flana por aí falando suas merdas. As novidades de 17 de maio ficam por conta da delação da JBS. Uia, presidente, Aécio, irmã, entre outros envolvidos. Mas alguém, em sã consciência, acreditava que político da velha guarda como Temer estaria fora do prato de comida?

Interessante que o petralha Leonardo Attuch, ainda homiziado na Isto É, na falta atual de um herói do Partido Totalitário, escolheu um novo. Ninguém menos que o ministro do supremo que anda nas manchetes há dias. O artigo é chamado: Gilmar, Guerreiro do Povo Brasileiro ?
E fala descaradamente que esse e o zé se tornaram alvos da nova onda fascista. É preciso muita cara de pau (ou pura ignorância, ou ainda extremismo ideológico) para afirmar que nós somos fascistas e só os petralhas são gente de bem.
Não vou publicar essa ignomínia. O autor não merece…

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