POR QUE TENHO FALADO E ESCRITO POUCO

Gil

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Até deixar de ser  sexagenário, eu costumava entrar em discussões e manifestar minha OPINIÃO. Isso andava me fazendo mal, e passei a falar menos. Quanto ao que escrevo, procuro analisar a lógica contrária, embora não aceite jamais a contestação sem prova ou argumentação LÓGICA. Apesar de tudo o que vejo no Brasil e no mundo, tento manter o senso de humor

Infelizmente, quando participo de conversas, meus antigos interlocutores ainda pensam que estou a manifestar opinião, mas no pouco que falo e escrevo procuro apenas utilizar lógica, tão matemática quanto possível. Se não posso escrever e subscrever, calo a boca.

Ontem fui fazer uma visita. Os presentes eram declaradamente daquela esquerda que não admite contestações. Num determinado instante, instado a manifestar minha opinião (minoritária, eu era o único antipetista e anti-comunista presente), aguentei calado até o momento em que se irritaram porque fui o único a não rir das histórias (estória é o cacete!) de um sujeito que passou a se travestir no trabalho. 

Explico: Pelo que me contaram, o personagem é casado, não é homosexual, mas não aceita o corpo que tem. Já tentou o suicídio mais de uma vez. Não foi esclarecido se é um hetero com vocação lésbica ou se virou assexuado. Não achei graça no drama pessoal do sujeito. Contaram também que não é veado** (existem talvez a mesma proporção de heteros e homos de ambos os sexos que não tem mau caráter. A veadagem (o costume faz com que haja a tendência de deixar de ser uma expressão chula) não é uma característica restrita aos homossexuais, nem mesmo aos efeminados. Será que me fiz compreender ou preciso explicar mais?

Então me digam: como é que pode um grupo inteiro gargalhar com o drama de um desesperado quase suicida e eu que – mesmo sem compreender totalmente o seu (dele) problema – respeito a sua angústia ser considerado por esse grupo como homofóbico? O que defendo é muito simples: somos todos gente, e as leis (obrigações e direitos) de todos deveriam e devem ser IGUAIS. Só para crianças* e incapazes deve haver uma ou outra facilidade especial, mas nada que implique alguma imposição que seja socialmente ilógica. Nem opção sexual, nem cor de pele nem grau de cultura ou parentesco – nada, exceto o histórico de suas escolhas deve ser considerado na avaliação de um cidadão.

Evito conviver com essa turma, porque eles ofendem o modo lógico com que tento me relacionar com as pessoas. E despertam meu lado pior.


  • Criança: membro da raça humana que ainda não sabe  prejudicar outros seres humanos ou animais por meio de armas ou chantagens, maldades ou mesmo palavras. O que sabe mas escolhe o que não prejudica é um adulto. O que sabe mas prejudica a outrem, é – na melhor hipótese – um monstro. O que consegue ser bom, pensar e fazer o bem é um ser humano pleno (também chamado de santo ou de iluminado).  Mesmo entre os animais existem os que são crianças e adultos, mas não me arrisco a afirmar a existência ou não de iluminados entre eles.

** Momento cultural: a palavra viado não existe, exceto com o significado de tecido de lã com veios ou riscas. 

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4 Responses to POR QUE TENHO FALADO E ESCRITO POUCO

  1. Galdino says:

    Gil, tenho hoje comportamento semelhante ao seu. Uma diferença, já me tornei septuagenário. No meu tempo de adolescência e juventude, por influência até do meio, tinha muito preconceito em relação à bicharada, como era normal se falar aqui. Depois de adulto mais avançado isso passou. Em relação aos negros nunca tive preconceito até porque convivia com muitos e em nada se diferenciavam dos demais. Existiam, como os brancos, bons e menos bons.
    Sou uma pessoa que procura sempre analisar os fatos com que me deparo de forma racional.
    Anteriormente, embora fosse assim, pouco admitia que se pensassem ou se comportassem diferente dos meus conceitos. Hoje admito numa boa ideias e comportamentos diferentes dos meus. Acho que amadureci.

  2. Aparecida Araujo says:

    Gil gostei da sua volta ao Blog e concordo em gênero, número e grau sobre o desrespeito humano. Vou falar um pouco da minha condição de vida no momento e fatos acontecidos que fazem dos problemas uma oportunidade de acreditar nas pessoas. Começou com dores fortíssimas na perna e provocando quedas. Estava o Banco do Brasil por volta das 19 horas e
    cai do lado direito no chão, o barulho foi forte e luchei a bacia as pessoas que estavam no local foram 10; a segunda quando ia atravessar a rua são Sebastião com a Santo santo Antônio outra queda do lado esquerdo e o joelho foi atingido.Fui socorrida por um ciclista e mais dois jovens e mais um jovem que correu para pegar a bolsa que me acompanharam até minha casa. Hoje uso bangala e virei gente importante porque há tantas atenção de carinho e cuidados que minha acompanhante comentou ” quando eu ficar idosa vou querer usar bengala”. Um abraço.

    • Gil says:

      Cida, não voltei – porque não saí. É que estou fazendo hemodiálise todos os dias, e volto muito cansado, principalmente porque a diálise provoca anemia. Só escrevo agora quando estou disposto, o que abandonei foi o compromisso diário. Aproveito para me desculpar com os leitores, é que a idade passou a pesar de repente. Mas tudo bem, porque a alternativa à velhice pode ser mais assustadora para algumas pessoas (o que não é meu caso), não é mesmo?

  3. magu™ says:

    Poizé, Gil.
    Ter contato com gente (?) desse jaez faz mal à sua saúde, que já está frágil. Risque-os fora de seu caderninho, se é que ainda o usa…

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