A TRÍADE SINISTRA DO CONTINENTE

Percival Puggina

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Percival Puggina

“Si Venezuela fuera sumida en el caos y la violencia y fuera destruida la Revolución bolivariana, nosotros iríamos al combate, nosotros jamás nos rendiríamos y lo que no se pudo con los votos lo haríamos con las armas, liberaríamos nuestra patria con las armas”.  Nicolás Maduro, em discurso no dia 27 de junho de 2017.

A isso chamam democracia! E democracia “até em excesso”, como afirmou Lula.

Penso que seja de extrema prudência estar atento às sucessivas manifestações de apoio dos líderes de esquerda, notadamente petistas, a propósito da situação dos povos cubano e, mais recentemente, venezuelano.

O irrestrito apoio ao comunismo cubano, apoio de longa história e utilidade, se manteve mesmo se e quando:

• as fortalezas convertidas em prisões regurgitassem com presos políticos,

• os paredões ostentassem as marcas dos fuzilamentos antecedidos de sumaríssimos juízos,

• os homossexuais fossem perseguidos e surrados nas ruas,

• a libreta de racionamento se instalasse para ficar, valendo para todos menos para a elite no poder,

• toda divergência fosse calada pela unicidade política em torno do Partido Comunista Cubano,

• não houvesse liberdade de opinião, imprensa livre, educação independente do Estado.

Nunca faltou ao regime dos irmãos Castro a inteira solidariedade e o culto reverencial da esquerda brasileira. Bandeirinhas cubanas, medalhas, bonés, boinas e camisetas com estampas de Che Guevara foram e continuam sendo estoque obrigatório em estandes petistas.

Evidencia-se, assim, um sinistro apreço aos verdugos e um total desprezo às suas vítimas. O apoio petista, que carreou fartos recursos do povo brasileiro para o regime ditatorial da ilha, é de natureza ideológica e, portanto, tem tudo a ver com o governo e nada a ver com o bom, sofrido e desesperançado povo cubano. Não foi assim com o Paraguai?

Nem está sendo diferente em relação à Venezuela. Ninguém fora do estreito círculo de extremistas concentrados no PT e em pequenas legendas que com ele pegam carona haverá de negar a completa ruptura do governo do país vizinho com a democracia e com o estado de Direito. A Venezuela faliu sob a estupidez de um governo comunista e seu povo está sendo executado nas ruas, por ordem de um ditador que arroja milícias e polícias contra multidões desarmadas.

Nesse cenário, durante a 23ª reunião anual do Foro de São Paulo, em Manágua, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, assim se expressou:

“O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica.”

A farsa constituinte – denominada por Maduro “comunitária e chavista” – que o PT defende para a Venezuela está urdida de tal maneira que a oposição, mesmo com 80% da opinião pública, não comporá maioria porque a regra definida, meio distrital majoritária, meio sei-lá-o-quê, o impedirá: dos 540 constituintes, 176 serão eleitos entre movimentos sociais controlados pelo chavismo; as grandes cidades, onde se concentra a maior parte da população e onde haveria votos universais suficientes para derrotar o chavismo, elegerão apenas dois representantes, de modo que por mais votos que o candidato oposicionista faça, sempre se elegerá um chavista em segundo lugar. É uma regra para perder e, assim mesmo, vencer. Com as bênçãos do petismo.

A senadora Gleisi, empinou o nariz e registrou o cinquentenário da queda em combate do “guerrilheiro heróico, o comandante Ernesto Che Guevara a quem recordamos para que tenhamos sempre presente a necessidade da transformação social de nossos países”. Cuba e Venezuela são, para a senadora que presidirá o PT, referências dessa transformação social.

Se você não se sente ameaçado com esse conceito de transformação social a porrete, paredão e bomba d’água, se não fica alarmado e não dá importância a isso, assista este vídeo sobre a violência que grassa na Venezuela de Maduro.

Nada do que nele se vê é desconhecido pelos principais líderes da esquerda brasileira. Não os subestimem, pois. Não pode haver muita diferença entre o que reverenciam lá e o que almejam para cá. O Foro de São Paulo foi criado para isso, lembram?


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+

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One Response to A TRÍADE SINISTRA DO CONTINENTE

  1. Aparecida Araujo says:

    Fora os vermelhos e existe incoerência neles falam como proletários e vivem como burgueses.

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