CERCADO PELA JUSTIÇA, LULA VIROU ESTORVO DO PT

Josias de Souza

Josias de Souza

Josias de Souza


Freguês de caderneta da Lava Jato, Lula foi enviado pela sexta vez ao banco dos réus nesta terça-feira. O juiz Sergio Moro aceitou a denúncia da Procuradoria no caso do sítio de Atibaia. A novidade ganhou as manchetes um dia depois de um encontro de Lula com dirigentes do PT para tratar de 2018. O réu defendeu na reunião a tese segundo a qual o partido deve restringir o número de candidatos a governador, privilegiando a disputa por cadeiras no Congresso.

Lula soou assim: “O partido tem que decidir se a pessoa merece ser candidata. Às vezes, a pessoa decide e impõe sua candidatura. Nessas eleições a gente vai ter que pensar. Tem Estado que a gente vai ter candidato a governador, mas tem Estado que é melhor a gente não ter.” Beleza. Mas o pajé do PT faria um favor aos companheiros se decidisse até quando pretende ser o estorvo que impede a legenda de colocar em pé um Plano B.

Com uma condenação de 9 anos e meio de cadeia nas costas, Lula sabe que pode retirar o PT da sucessão federal se insistir em fazer de sua candidatura um cavalho de batalha. Tornando-se um candidato sub judice, meterá o partido numa aposta arriscada. Os petistas se arriscam a ficar na posição da personagem de Lília Cabral na novela das nove. Apostadora compulsiva, ela perde no jogo o dinheiro e até o carro que a levaria de volta para casa. O PT já deixou a alma sobre o pano verde. Acorrentado a Lula, corre o risco de ficar a pé.

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PT, ODEBRECHT E FORO DE SÃO PAULO

Percival Puggina – 01.08.2017

puggina

Percival Puggina


Não se trata de especulação nem de “teoria da conspiração”, como afirmavam alguns sempre que mencionada a perigosa importância política do Foro de São Paulo (FSP). É a Odebrecht, em acordos judiciais firmados com os governos do EUA, Brasil e Suíça que confessa haver pago propina para garantir mais de uma centena de contratos em 12 países. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o valor dos pagamentos admitidos pela empresa (US$ 788 milhões entre 2001 e 2016) configura “o maior caso de suborno internacional da história”. Os pixulecos foram creditados a funcionários de governos, a representantes desses funcionários e a partidos políticos em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

Vejamos, agora, que países são esses porque a lista fala por si mesma. Há nela dois africanos, estranhos, portanto, ao FSP. Contudo, seus governantes sempre estiveram na lista preferencial da diplomacia petista. Não por acaso, Angola é presidida desde 1979 pelo ditador multibilionário José Eduardo Santos, amigo de Lula; as delações de Mônica Moura e João Santana incluem o PT, a Odebrecht e entregam o serviço sobre a origem de recursos para a eleição angolana de 2014. Moçambique, por seu turno, desde a independência em 1975, vive sob a ditadura partidária da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). Lula também andou por lá com a Odebrecht, como se verá mais adiante.

Os demais países são iberoamericanos. Durante o período coberto pelas confissões de culpa da Odebrecht, estiveram sob governos de partidos integrantes do FSP o Brasil, Argentina, Equador, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela. Aparentemente, os esquemas de corrupção envolvendo aquela empresa no México e na Guatemala foram meramente comerciais, sem relação com interesses políticos de partidos ligados ao FSP.

O site do Instituto Lula disponibiliza um relatório sobre as palestras realizadas pelo ex-presidente. Ali se vê que, em maio de 2011, ele falou para convidados na Cidade do Panamá, contratado pela Telos Empreendimentos Culturais que, por sua vez, segundo constatado pela Polícia Federal, era contratada pela Odebrecht. Em junho de 2011, falou em Caracas e em Angola, contratado pela Odebrecht. Em agosto de 2011, pago pela OAS, falou em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Em novembro de 2012 em Moçambique, levado pela Camargo Correa. Em novembro de 2013 foi à República Dominicana, pago pela Odebrecht. Em junho de 2013, foi ao Peru, contratado pela Odebrecht e, dois dias mais tarde, ao Equador, desta feita, patrocinado pela OAS. Em fevereiro de 2014 palestrou no Uruguai do companheiro Mujica, contratado pela OAS. Ainda em fevereiro de 2014 foi a Cuba, a serviço da Odebrecht. Em maio de 2014 voltou a Angola, para a Odebrecht.

Parece muito evidente, tanto nas delações da Odebrecht quanto nas da OAS, a convergência de interesses empresariais com interesses políticos. Estes últimos envolvem países sob governos do FSP ou campanhas eleitorais de interesse daquele coletivo partidário internacional.

Você lembra, leitor, da “Pátria Grande”? Pois é desse mega projeto político internacional que estamos falando. Abastecido com financiamentos brasileiros do BNDES, ele teve sua tesouraria esvaziada pelo impeachment e pelas investigações da Lava Jato.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

FICA COMBINADO ASSIM

 Coluna Carlos Brickmann – 02/08/2017


Aldemir Bendine, na Polícia Federal, disse que entrou no Banco do Brasil como office-boy. Saiu de lá como presidente, para assumir a Presidência da Petrobras. Está preso como suspeito de corrupção no Banco do Brasil e na Petrobras. Bendine disse também que é um homem honrado.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recebeu R$ 217 milhões da JBS, segundo disse, como pagamento por trabalho realizado quatro anos antes. Talvez, claro, tenha esquecido de fazer a cobrança; e, é claro, a JBS é que deve tê-lo lembrado do caso, pois fazia questão de não ficar devendo.

Michel Temer divulgou nota, segunda-feira, chamando seu delator de “o bandido Joesley Batista”, chefe de quadrilha e “meliante da Friboi”. E pensar que Temer, talvez por não ter informações sobre ele, o considerava tão boa gente que o recebia em casa, sozinho, para prosear, trocar ideias!

Já Joesley publicou artigo se queixando de que, de uma hora para outra, deixou de ser tratado como “maior produtor de proteína animal do mundo” e passou a “bandido confesso”, entre outras “expressões desrespeitosas”. E só porque confessou ter comprado políticos e autoridades para favorecê-lo.

Nesta terça, saiu a medida provisória que perdoa a dívida dos produtores rurais com a Previdência. Mas, claro, isso não tem nada a ver com os votos da bancada ruralista, hoje, no processo contra Temer. Pura coincidência.

Orson Welles filmou, no Brasil, É tudo verdade. Não concluiu o filme.

Então, tá

As pesquisas de terça-feira revelaram que ainda havia muitos indecisos: votar contra Temer ou não? Por exemplo, no DEM, partido aliado a Temer, 21 deputados de uma bancada de 29 se declaravam indecisos. Eles não iriam mentir, não é? Não conseguiam chegar a uma conclusão, na véspera da votação, depois de três meses de debates sobre o tema.

É que, até a hora de votar, ainda podiam ser convencidos a apoiar um presidente com a caneta cheia de tinta, pronta para assinar medidas favoráveis à população.

Olhando o futuro

Embora no Brasil o passado seja imprevisível, o futuro pode ser visto com alguma facilidade. Por exemplo, nesta noite de quarta não haverá uma derrota de Temer. Quem quiser autorizar a abertura de inquérito pelo STF a respeito do presidente precisará reunir 342 votos. Menos do que isso, pode ser até 341 a zero, o pedido será rejeitado.O que pode acontecer: conforme garantiu o presidente da Câmara, a sessão só será aberta se 342 deputados estiverem presentes. Se não houver esse número, a questão será decidida em outra data. Temer terá empatado. Aberta a sessão, Temer terá ganho o jogo.

Pode ser um número pequeno, mas a autorização estará negada. E uma grande vantagem, além de negar o pedido, será uma demonstração de força política de Temer: se, só com 5% dos eleitores a seu lado, ele tem essa maioria, imagine se fizer as reformas e reduzir mesmo as despesas.

Do avesso

Há algumas verdades em que é difícil acreditar. E algumas verdades consolidadas, em que todos acreditam, nem sempre são tão verdadeiras. Por exemplo, aquela clássica, de que a educação resolve todos os problemas.O ótimo site jurídico Espaço Vital (www.espacovital.com.br) levantou uma pérola: a de que há algo em comum entre Emílio Odebrecht, Marcelo Odebrecht, César Mata Pires (OAS), Antônio Carlos Mata Pires (OAS), Ricardo Pessoa (UTC), o marqueteiro João Santana, Geddel Vieira Lima. Todos– alguns em épocas variadas, outros simultaneamente – foram alunos de uma das escolas mais conceituadas de Salvador, o Colégio Marista. Os Irmãos Maristas (ordem católica fundada por São Marcelino Champagnat) são reconhecidos em todo o Brasil como criadores de grandes escolas.

Lugar certo

Bolsonaro escolhe o PEN, Partido Ecológico Nacional, para disputar a Presidência da República em 2018. Não estranhem a escolha: Bolsonaro há muito tempo é ecológico.

Adora o verde.  O verde-oliva das fardas.

Banditismo escancarado

Um site de nome inocente publica na Internet notas favoráveis ao PCC, Primeiro Comando da Capital, uma das maiores facções do crime organizado do país. Publica também documentos do PCC, louva suas ações, destaca a disciplina que impõe, faz pouco do combate oficial ao crime organizado – e está agora sob investigação do Ministério Público, informa o repórter Cláudio Tognolli (http://wp.me/p6GVg3-3Hn), em bela reportagem, documentadíssima. É preocupante: aonde vamos parar?

O literato

Lula, em entrevista à Rádio Tiradentes, de Manaus, Amazonas, disse:“A palavra propina foi inventada por empresários e pelo Ministério Público para tentar culpar os políticos”.

Muitos dos quais gostaram da palavra e não querem viver sem ela.


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