MARCEL GRANIER

(do Ponto Crítico)

Gilberto Simões Pires


Gilberto Simões Pires

Ontem, enquanto assistia alguns vídeos mostrando a violência que assola a pobre Venezuela, decorrente do brutal assassinato da DEMOCRACIA, cometida pelo sanguinário ditador Maduro, lembrei da conversa, seguida de entrevista, que mantive, em abril de 2010 (pouco mais de sete anos), com Marcel Granier Haydon, então presidente da RCTV -Rádio Caracas Televisión. 

DATA MARCADA PARA DESAPARECER

Para quem não lembra, no dia 4 de abril de 2010, data de realização do XXIII Fórum da Liberdade, Marcel Granier foi agraciado com Prêmio LIBERDADE DE IMPRENSA. Como fui o primeiro a receber este troféu, criado pelo IEE -Instituto de Estudos Empresariais- em 2007, quis ouvir o que Granier tinha a dizer por ocasião do recebimento do prêmio. Principalmente, porque sua empresa de comunicação (RCTV), por decisão de Hugo Chávez, estava com data marcada (27 de maio de 2007) para desaparecer. 

POSICIONAMENTO

Vale dizer, a título de esclarecimento, que em dezembro de 2006 o então presidente Hugo Chávez já havia decidido, de forma ditatorial, que não seria renovada a concessão da RCTV. Argumentou, para tanto, que a Rádio Caracas Televisión havia se posicionado contra o governo durante o -golpe- de 2002. Que tal?

14 ANOS ANTES

Marcel Granier insistiu dizendo que, segundo constava no contrato, o prazo de validade da concessão ia até o ano de 2021. Chávez, no entanto, sem dar a mínima pelota para a existência ou não de contrato, decidiu que o expiramento, sem a mínima chance de renovação, ocorreria no dia 27 de maio de 2007, ou seja, com antecipação, na marra, de 14 anos. Tudo por vontade ditatorial própria.

CONFISCO

Assim, exatamente às 11h59m do dia 27/05, tão logo foram encerradas as transmissões da RCTV -Rádio Caracas Televisión-, o ditador Hugo Chávez, ainda insatisfeito, foi em frente: tratou de confiscar (estatizar) os equipamentos de transmissão da emissora e passou a transmitir, usando o mesmo sinal, um novo canal estatal de serviço público chamado TVes. 

ADVERTÊNCIA

Pois, ao agradecer por ter sido escolhido para receber o notável troféu  -Liberdade de Imprensa 2010-, Marcel Granier fez uma forte advertência pública: – NÃO DEIXEM QUE ISTO QUE ESTÁ ACONTECENDO NA VENEZUELA ACONTEÇA TAMBÉM AQUI, NO BRASIL. Mais: mencionou, com muita firmeza, que a organização comunista -Foro de São Paulo- tinha objetivos claros para transformar a América Latina numa região dominada pelo COMUNISMO. Finalizou dizendo: – CUIDEM-SE! EVITEM ISTO AO MÁXIMO! 

RCTV E A GLOBO

Infelizmente, caros leitores, nem Granier nem o Ponto Critico foram levados muito a sério, pois a organização comunista cresceu muito, a olhos vistos, dificultando a sua destruição. Aliás, quem mais está ajudando nesta tarefa é o próprio ditador Nicolás Maduro, a considerar o empobrecimento do povo venezuelano.

Ah, só para deixar bem claro: a RCTV estava para a Venezuela como a Rede Globo (ainda) está para o Brasil. Entenderam bem o que isto significa?

 

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HÁ SINCERIDADE NISSO?

Marcelo Alcoforado, no Jornal da Besta Fubanamarcelo_alcoforado


Somando-se ao valioso patrimônio representado pela língua portuguesa, as legiões romanas nos legaram também deploráveis exemplos. Um deles é que em Roma Antiga, ao cinzelar o mármore os escultores, por mediocridade ou desonestidade, ou por associação dos dois defeitos, corrigiam as trincas e outras imperfeições do material ou do artesão valendo-se de uma cera especial que escondia os defeitos das estátuas, deixando-os imperceptíveis para a maioria dos compradores.

Ocorre que não se enganam os consumidores todo o tempo, e logo eles foram percebendo as imperfeições, concluindo que se tratava de uma escultura cum cera.

Os escultores talentosos e honestos, por seu turno, faziam questão de assegurar que suas estátuas eram sine cera, ou seja, perfeitas, sem defeitos ocultos. E eram. Dos contrastes de dois tipos de escultores, pois, vieram as expressões latinas – cum cera e sine cera – dando origem à palavra sincera.

Mas por que esta divagação etimológica? – você, com razão, há de querer entender.

Explique-se: o deputado paraense Wladimir Costa, aquele que comemorou com champanhe o impeachment de Dilma Rousseff tatuou no ombro o sobrenome do presidente da República em conjunto com a bandeira verde-amarela. Logo surgiram os que a reputaramcum cera, enquanto outros asseguraram ser sine cera.

A discussão não bastou para dirimir a dúvida, requisitando-se a opinião do mais afamado tatuador de Brasília, que sentenciou não ser cum cera nem sin cera, mas cum hena, um processo delével.

Fica algo a ponderar: terá um deputado que dedica o seu tempo à bajulação consciência da importância do seu mandato? A resposta sin cera é não.

ATRÁS DA PORTA

 Coluna Carlos Brickmann – 8/8/2017

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Carlos Brickman


O PT, liderando a esquerda, quer se vingar de Temer, derrubando-o. Os partidos adversários querem botar Lula na cadeia e destruir o PT. Temer está disposto a ser impopular para reformar o Brasil. E a Mula sem Cabeça expele fogo pelo nariz – que, como os bens de certos políticos, não é dela.

Para acreditar numa dessas lendas, melhor acreditar na da Mula sem Cabeça. Vai decepcionar-se menos. Os fatos: o PT gostaria de se vingar de Temer, muita gente quer botar Lula na cadeia, e Temer, que já é impopular mesmo, sabe que ou há reformas, e rápido, ou o Brasil quebra. Quem perder essas brigas ficará com menos poder, menos mordomias. É chato, mas tolerável. Já o adversário real, Sérgio Moro (e outros juízes, e promotores), põe em risco boa parte da fortuna, todo o poder e a liberdade dos políticos da esquerda à direita. Para o poderoso, como tolerar a cadeia?

Neste momento, os inimigos entre si negociam como se amigos fossem, para neutralizar a Lava Jato e outras iniciativas semelhantes. Há manobras subterrâneas, como a redução das verbas, a redistribuição dos inquéritos; e há manobras abertas, de denúncia de questões reais de chefes das ações anticorrupção – procuradores e juízes com penduricalhos salariais que ganham acima do teto constitucional, longas prisões sem julgamento, bons acordos, muito bons, para delatores.

Afinal, ninguém imaginaria que o Poder se entregasse sem usar todos os recursos – até mesmo os legais.

 

A raiz da luta

Aliás, a guerra entre Gilmar Mendes (STF) e Janot faz parte da questão.

 

A lei anda!

Há um projeto de lei na Câmara, o PL 6726/2016, que está parado desde o último 15 de dezembro. Agora, um deputado do PPS do Paraná, Rubens Bueno, decidiu cuidar do caso: está coletando assinaturas para colocar o projeto em votação, em regime de urgência. Uma coincidência: o PPS faz parte do bloco governista, e o PL 6726 fecha as brechas para salários superiores ao teto constitucional de servidores públicos, atingindo grande número de magistrados e promotores. Auxílio-moradia, auxílio-educação, vencimentos, tudo terá de caber no teto constitucional de R$ 33.763,00, equivalente aos vencimentos  de ministros do Supremo. Só em São Paulo, 718 magistrados recebem mais que o teto constitucional.

 

Inimigos amigos

E que ninguém estranhe a aliança de inimigos tradicionais diante de um inimigo comum mais perigoso. Faz parte do jogo. Quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética, o dirigente britânico Winston Churchill se aliou formalmente ao líder soviético Yossef Stalin, a quem sempre atacara com dureza.

Quando lhe cobraram a mudança de posição, Churchill explicou: “Se Hitler invadisse o Inferno, eu faria pelo menos uma referência favorável ao Sr. Demônio na Câmara dos Deputados”.

 Por falar em benefícios

A petroquímica Braskem, joia do grupo Odebrecht, estuda a mudança de sua sede para os Estados Unidos. Lá está investindo US$ 2,2 bilhões numa nova unidade. Segundo o presidente da empresa, Fernando Musa, “nos próximos cinco ou dez anos”, a Braskem vai investir fora do Brasil. Aqui, pouca coisa, “sem um salto relevante”. A Braskem nasceu poucos meses antes do início do Governo Lula, e se transformou rapidamente numa gigante mundial. A Odebrecht tem 38,25% do capital; a Petrobras, 32,15%. A Odebrecht, controladora da Braskem, fez acordo de delação premiada para que seu presidente, Marcelo Odebrecht, já condenado, pudesse cumprir a pena em casa, a partir do dia 19 de dezembro.

 

A união dividida

Quanto à esquerda, foi-se o tempo em que o PT comandava um bloco unido. Quando a Câmara apreciou a denúncia contra o presidente Temer, o PT, que queria evitar a votação, sugeriu que os deputados de esquerda não dessem número para a sessão na qual a denúncia seria rejeitada; e Temer continuaria exposto ao desgaste da luta para sobreviver. O PCdoB quis marcar posição, compareceu, votou em bloco contra Temer. Outra divisão: o governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, candidato à reeleição, avisou os aliados de que Roseana Sarney, PMDB, que andava meio sumida, voltou com força total e, no comando do poderoso esquema Sarney, pode retornar ao poder. O PT ainda não se mexeu (há até quem esteja com Roseana) para salvar Dino, o aliado candidato à reeleição.

Fora do tom

E há um caso curioso, o de Agnaldo Timóteo, que passou por vários partidos, entre eles o PDT, parte da aliança de esquerda. Ele cometeu o imperdoável pecado de falar mal de Leonel Brizola, fundador e ídolo do partido. Falar mal de Brizola, para o PDT, é como, para o PT, falar mal de Lula: uma heresia. Timóteo está entrando no PT. O PDT já resmunga.


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