O INTERMINÁVEL MAR DE LAMA

Fernando Gabeira

Gabeira

Fernando Gabeira


Quantas toneladas/exportamos de ferro? Quantas lágrimas/disfarçamos sem berro?” Estes versos de Drummond contam uma longa história da mineração em Minas. Uma história que se confirmou pela anulação do processo de Mariana sobre o mar de lama que provocou 19 mortos, dezenas de lares perdidos e um rio envenenado.

O processo foi anulado porque a polícia teria lido e-mails da empresa, sem autorização. Ela só poderia ler e-mails de um período determinado. O argumento da anulação: violência contra a privacidade da Samarco.

Tenho dificuldades em entender por que a quebra da privacidade de uma empresa é superior à morte de 19 pessoas, destruição de comunidades e envenenamento do mais importante rio do litoral brasileiro.

Foi o maior desastre ambiental do Brasil. Precisa ser julgado. Se a polícia leu e-mails demais, basta neutralizar as informações não permitidas. O essencial está lá: a lama, as mortes. O desastre não é um segredinho da Samarco. É uma realidade que todos que viram sentiram e choraram.

No fim da semana, ao chegar em casa, soube que houve um saque a um caminhão de carne tombado. Para mim isso não é novidade. Vejo e filmo, constantemente, saques a caminhões nas estradas brasileiras. No entanto, este tinha um componente especial: ninguém se importou em socorrer o motorista. O saque se prolongou por quase uma hora, antes que chegassem os bombeiros e retirassem o pobre homem dos escombros.

Se junto esses fatos é para enfatizar como é grave um momento em que a vida humana perde seu valor. Um vereador do Rio chegou ao extremo de cobrar propina para liberar corpos do IML. A própria morte passa ser um objeto de negociação.

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TEMER CADA VEZ MAIS IGUAL À LULA E DILMA

A. Nunes


augusto nunes
Augusto Nunes

“O governo não mente para o povo brasileiro”.

(Michel Temer, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, revelando que tem certeza de que o povo brasileiro é idiota)

TERRORISMO É ISSO

Marli Gonçalves

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Marli Gonçalves

Estou querendo esticar a palavra. Dar a ela o sentido que está aqui perto de nós, já. No Brasil não tem terremoto, não tem furacão, mas não se pode mais dizer que no Brasil não tem terrorismo. Deus, ele está diante de nós!


Ou você vai dizer que não? Imaginou a mãe, na janela, aguardando o filho de 15 anos voltar da escola, vê-lo apontar ali na esquina, já pensando no almoço que vai dar a ele e imediatamente observar que agora o menino corre? Em seguida ver o filho cambaleando e caindo morto por uma bala que atravessou seu corpo trocada por um reles celular? Isso não é terror, não? Sabe o nome da rua onde isso aconteceu? Rua Caminho da Educação. São Bernardo do Campo, SP.

Uma van escolar parada à força, duas crianças, bebês ainda, levadas por bandidos, e abandonadas mais de uma hora depois numa quebrada, como se pudessem ficar ali no porta-luvas do carro? Isso não é terror, não? E o caminhoneiro mantido refém com uma arma na cabeça, salvo apenas pelas palavras convincentes de uma mãe ao seu filho perdido, e que aconselhou-o a se entregar e liberar o motorista? O que terá ela dito? Oferecido um casaquinho?

E que dizer das crianças violentadas para toda a sua existência, e que todos os dias  sofrem, sofrem muito?

Alguém disse que nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da História. Concordo. Que existem, diria. Que se multiplicam. Moldadas em várias formas, se disseminam de forma assustadora, inclusive na incompetência na condução de nações. Uma variedade muito além do que se poderia imaginar.Já parou um pouco para pensar mais sério sobre as crescentes e fervorosas pendengas internacionais, largando um pouco de lado essa nossa mesquinha política que só gera atos e fatos vergonhosos e pobres de espírito?  Está esquisito, perigoso: vocês bem sabem  que em briga de cachorros  grandes a gente sempre sai mordido. Isso é terrorismo. Topetudo loiro briga com gordinho de olhinhos puxados. Pena que isso não seja uma colorida história em quadrinhos de nossa tenra infância. Riquinho, Bolinha, Brotoeja, Luluzinha.

Terrorismo é tocar o terror. Termo usado para designar o uso de violência, seja ela física ou psicológica, em um grupo de vítimas, mas com objetivo de afetar toda uma população e espalhar os sentimentos de pavor, medo e terror. Se não é exatamente o que estamos vivendo, me digam, terrorismo é o quê?

Olha o bombardeio. Andar pelas ruas vendo corpos caídos ou moradias de papelão que se multiplicam assustadoramente nas cidades. Reparar no descuido com que são cuidados os bens públicos. A violência no trânsito. O medo em cada passo. Notícias de repetição do mesmo todos os dias. As hordas de refugiados chegando, expulsos de suas terras, vindo buscar – e logo aqui – a esperança!

Em geral o terrorismo tradicional em suas formas pretende derrubar governos. No nosso caso são os governos que estão favorecendo atos terroristas.


Marli Gonçalves, jornalista – Qual poderá ser o abrigo seguro de toda essa guerra?

Mundo, Brasil, São Paulo, 2017


marligo@uol.com.br

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ROQUE SPONHOLZ

ESPECIAL DIA DOS PAIS

a esperança dos pais no dia de hoje

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toma que o filho é seu !!!

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BOLSA GESTAÇÃO

Meraldo Zisman (sugerido por Carlos Brickmann)

MeraldoZisman
Meraldo Zisman

… Jovens que, com a gravidez, passam a ter direito a candidatar-se ao P.B.F., acrescentando às suas ínfimas benesses mais um valor à tal agora contaminada Bolsa a Gestação…

Assisto com cautela geriátrica as campanhas públicas, como sempre pirotécnicas, mormente quando o tema da campanha é de cunho sexual ou de violência envolvendo jovens. Viralizam. Há também aquelas notícias sobre benesses e malefícios da tal Bolsa Família, que passou a ser imexível. Proferem os denominados cientistas políticos ser ela o mais potente cabo eleitoral brasileiro.

Varando da obstinação psicótica (não referente a indivíduos portadores de psicose e mais como ideia fixa) surge a cortina noticiosa da corrupção através das mais diferentes plataformas difusoras.

Arrisco-me, na condição de solitário contribuinte médico, a mencionar as consequências da gestação em adolescentes ou, dito de maneira distinta, uma criança desenvolvendo outra em seu interior.

Assim, se a corrupção passou a ser o bode expiatório das mazelas nacionais e se ela preexistia na formação da nação brasileira, acrescento mais essa.

Para mim a crise atual não passa de mais um episódio bananoso, corriqueiro, que tomou rumos diversos das tradicionais revoluções latino-americanas. E espero que assim continue.

Advirto, pois: o País encontra-se dividido e os grupos digladiam-se em adjetivimos explosivos que nada de positivo podem trazer.

Mexer agora com eleições precoces, soluções e medidas conjunturais é para piorar, tornar muito pior o que acontece.

Após tendo escrito esses avisos introdutório-filosóficos acudo-me no bardo inglês William Shakespeare (1564-1616) quando afirma:  O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém.

E no caso nosso digo: “Feita por poderosos que jamais foram trocados não vai dar certo, seja reforma trabalhista ou previdenciária, sem antes advir a reforma política”.

Peço, por favor, não me respondam com números a este incentivo ao aumento populacional que serve como título para este artigo. O que temo ao abordar tais assuntos é envolver a Ciência da Estatística (por si deficiente e sujeita a erros de coleta), provocando mais um diagnóstico de situação puramente numérico, que serve exclusivamente como alavanca ao empoderamento político-ideológico seguido por belos discursos, retóricos e infinitos. Os números, nunca se deve esquecer, prestam-se à interpretação que convém ao poder. A minha pergunta direta é:

A complementação da ajuda do Programa Bolsa Família (P.B.F.) para gestantes, que se prolonga por 6 ou mais meses, como tempo de incentivo à amamentação, não estaria ajudando o avanço no número de gestações nas jovens? Jovens que, com a gravidez, passam a ter direito a candidatar-se ao P.B.F., acrescentando às suas ínfimas benesses mais um valor à tal agora contaminada Bolsa a Gestação.

Em termos de sociedade (de um país), a adição de um valor aos produtos se dá quando há remuneração de fatores de produção. O programa da Bolsa família não produz coisa alguma e, invés de obra caridosa, talvez cause o aumento do número de gestações nas adolescentes indigentes (como era denominado o doente pobre que não podia pagar ao ato médico e era socorrido pelas Santas Casas de Misericórdia).

Isso acende a luzinha de meu acautelar geriátrico: quem sabe estaríamos aumentando a população miserável?

Deve-se ter cuidado com mais essa pseudo ajuda. De nada vale incentivar os fracos e depois não ampará-los.


Meraldo Zisman – Médico, psicoterapeuta. Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha)

GANHAM TUDO E MAIS UM POUCO

 Coluna Carlos Brickmann – 13/08/2017

BRICKMANN 2

Carlos Brickman

 


A monarquia balançava, mas e daí? Em 9 de novembro de 1889, na Ilha Fiscal, Rio, houve luxuoso baile em homenagem aos tripulantes do navio chileno Almirante Cochrane. Ali se gastou 10% do orçamento anual da província do Rio. Seis dias depois, caiu o imperador e veio a República.

Michel Temer balança, é uma pinguela, como disse Fernando Henrique, mas e daí? O Governo enfrenta um buraco de R$ 139 bilhões; não sabe onde buscar mais R$ 20 bilhões para chegar até o fim do ano; e a Câmara destina R$ 3,6 bilhões de dinheiro público para pagar a campanha eleitoral. O leitor (não o chamo de “caro leitor” porque caro é o deputado) quer pagar a campanha de alguém? Pois terá de fazê-lo. E, se os R$ 3,6 bilhões são a maior fatia do bolo, não são o bolo inteiro: há o Fundo Partidário e o horário gratuito, mais uns R$ 2 bilhões. Ainda temos a troca de carros do Senado, 83 Nissan Sentra novos para o conforto das senatoriais bundas.

O Rio do Baile da Ilha Fiscal não paga o salário dos servidores há três meses. Mas o governador Pezão licita o aluguel de um jatinho para seu uso, gastando R$ 2,5 milhões por ano – assim viaja na hora que escolher.

Mas não culpe apenas os governantes descontrolados e os parlamentares pelo delírio. O Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, Salvador, licita empresa “para assessorar magistrados e servidores em aulas de corrida e caminhada”. Enfim, querem tudo! Não percebem que a paciência acabou?

Um limite, enfim

Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, decidiu não pedir elevação do orçamento. O aumento dos ministros é de 3%, e ponto final. Com isso, sufocou a reivindicação do Ministério Público, que queria quase 17%. O salário dos ministros do Supremo é, por lei, o máximo que o Estado pode pagar a qualquer servidor (na prática, há inúmeras brechas legais, e há quem ganhe o triplo dos vencimentos de um ministro).

Lavando…

A informação publicada na coluna anterior, a respeito da grande união para estancar as investigações da Lava Jato e congêneres, cada vez mais se confirma: a Polícia Federal enviou ao Supremo o resultado da investigação sobre Aécio Neves, informando que não há motivo para pedir que ele seja processado. Um dos pontos-chave da conclusão da PF foi o depoimento de Lula, seu adversário político, segundo o qual Aécio “não pediu nenhum cargo em nenhum de seus mandatos”. Lula disse ainda que não acredita que Aécio “possa ter pedido qualquer cargo a algum de seus ministros”.

…a Lava Jato

Antes disso, Fernando Henrique já tinha dito ao juiz Sérgio Moro que a posse de presentes recebidos como presidente e a busca da doação de recursos para mantê-los e armazená-los é prática normal. Por lei, os objetos são de interesse público, e portanto o governante não pode larga-los no depósito do palácio. Tem de levá-los; o transporte, segurança e manutenção são caros, e por isso há a procura de doadores que enfrentem as despesas. E o Governo ainda não tem meios para receber os presentes, catalogá-los e distribuí-los por seus museus. Fernando Henrique disse que, a seu ver, se o ex-presidente quiser pode até vender os presentes, depois de oferecê-los ao Tesouro, mas que ele não o fez e que Lula também não o havia feito. Com isso, Fernando Henrique praticamente matou* um dos processos contra Lula.

Foice e martelo, mas de grife

socialite Roberta Luchsinger, membro da família que controla o banco Credit Suisse e ex-mulher do delegado Protógenes Queiroz (hoje foragido, com sentença de prisão transitada em julgado), decidiu doar dinheiro e objetos a Lula, no valor de R$ 500 mil, para que ele não fique sem recursos, já que o juiz Sérgio Moro mandou bloquear pouco mais de R$ 9 milhões de suas contas. Roberta Luchsinger ofereceu a Lula um cheque de perto de € 30 mil (mais de cem mil reais) e objetos como sapatos Louboutin, relógio Rolex e vestido Chanel; e pediu aos admiradores de Lula que também façam doações, em dinheiro ou objetos que possam ser vendidos para gerar mais recursos. Roberta não é petista, mas está próxima do partido: quer ser candidata a deputada pelo PCdoB.

As armas turcas

A PM paulista promoveu licitação internacional para comprar cinco mil pistolas .40. Até agora, a Taurus era a fornecedora obrigatória, por ser a única nacional; mas não pôde participar porque vendeu à PM armas com problemas. Primeira surpresa: fabricantes como Colt, Jericho, Sig Sauer, Glock, H-K, Smith & Wesson, Uzi, Walther não entraram na concorrência, que ficou restrita a duas marcas: Beretta, italiana, e Girsan, turca. Segunda surpresa; a Girsan, pouco conhecida no Brasil, venceu a Beretta. O preço foi mais baixo e a arma deve ser boa, já que obedece aos padrões da OTAN; mas por que outros fabricantes decidiram não entrar? * *


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*Gil: Ainda que tenha de me desculpar com o Jornalista Carlos Brickman, a CONFISSÃO de fhc sobre TAMBÉM ter passado a mão leve sobre presentes recebidos pela Presidência da República apenas o torna RÉU CONFESSO do mesmo crime contra o patrimônio público cometido pelo outro gabiru. Um crime não justifica outro.


•• Magu: Aí tem…