QUAL A DIFERENÇA ENTRE A CONSTITUINTE DE MADURO E A REFORMA POLÍTICA NO BRASIL?

Percival Puggina  –  16.08.2017

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Percival Puggina

 No poder legislativo federal, agita-se intensamente o submundo do crime que ali atua de modo ostensivo. Por isso, diante do que vejo, torna-se impossível definir com vocábulos brandos as maquinações constitucionais em negociação com vistas às eleições de 2018.

É bom lembrar. No ano passado, ao cabo de campanhas municipais marcadas pela escassez de recursos técnicos, materiais e financeiros, sem militância paga, houve importante renovação e visível encolhimento de alguns partidos. Ficou nítida, então, no resultado das urnas, esta mensagem: “Senhores, por obséquio, abandonem o recinto”. De lá para cá, a disposição para a faxina só aumentou.

Enquanto governo e oposição se contorcem numa luta virtual em que apenas reduzida militância se envolve, a nação aguarda o momento de exercer sua soberania e mandar todos para o olho da rua, por justa – justíssima! – causa: se querem fazer negócios pessoais, abram uma quitanda. Recente pesquisa do Instituto Ipsos revelou que 94% da população não se sente representada pela classe política e por essa legislatura naufragada no próprio descaramento.

Congressistas que precisam comprar suas cadeiras alarmaram-se com a falta de dinheiro que marcou a campanha de 2016. A quem extorquirão agora? De que servirão os usuais requebros e acenos que sugeriam acesso às facilidades do poder? Onde buscarão os milhões que, bem geridos, enchiam as urnas mais indignas no mercado eleitoral? Tudo indica que a conta sobrará para nós, mediante uma tarrafada legislativa que recolherá, sem dó nem piedade, R$ 3,6 bilhões para a campanha deles no ano que vem. É o preço da democracia”, afirmam, simulando nobre proteção a um bem superior. Não, não nos tomem por tão ingênuos. Esse é o preço de vossas cadeiras. É a prudente primeira etapa do “Salvemo-nos todos!”.

A segunda etapa pode ser resumida como uma bacanal de interesses escusos, indecência que se imaginaria articulada num ambiente sob mortiça luz vermelha. Refiro-me ao aleijão que recebeu o nome de distritão. Ele consiste em transformar em majoritária a eleição proporcional de deputados, na base do cada um por si e o diabo por todos. Elegem-se os mais votados. Porém, para que os atuais detentores de mandato estejam entre os mais votados, diminui-se radicalmente o número de candidatos. O motivo é óbvio: quanto maior o número de candidatos, menos votos para cada um. Se os eleitores querem renovar, feche-se a parta para os novos candidatos. Assim, inverte-se o procedimento usual. Os partidos, comandados pelos seus parlamentares, em vez de buscarem candidatos para ampliar suas nominatas e bancadas, porão a correr os novos pretendentes, assegurando, por falta de alternativa, as cadeiras dos que já têm.

É o mais recente truque da cartola dos corruptos. Corrompe-se a democracia, impedindo que se expresse de modo pleno a firme disposição do eleitorado: “Cavalheiros, abandonem o recinto!”. Custo a crer que o STF tolere tão nítida disposição de nossos congressistas de promoverem uma farsa eleitoral. Não perceberá o Supremo, aí, o empenho de inibir, por supressão de alternativas, a expressão da vontade dos cidadãos? Não está, a proposta do distritão, em claro antagonismo com princípios essenciais do regime democrático? Será necessário escancarar ainda mais os sinais de má fé legislativa? É sutil a diferença entre a constituinte de Maduro e a reforma política aprovada pela comissão. Ambas estabelecem regras que conduzem a resultados divergentes da vontade social.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

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O USO GENERALIZADO DE EXPRESSÕES INEXISTENTES

Gil


Maravilhoso comentário. (E a frase final, que resumo:  Um jornalista não pode escrever… “A maioria do Congresso quer aprovar…” quando a verdade é …  “Um bando de ladrões quer aprovar uma bolsa-deputado chamada Fundão”). Se tentativa de assassinato é crime, tentativa de assalto também é. Esses “representantes de ninguém” deveriam ser presos em flagrante delito.


Augusto Nunes


ANALISE PARA AJUDAR A FORMAR OPINIÃO

Tchio Marcelo



Após seis meses de trabalho, CPI apresenta balanço confirmando que Previdência é superavitária

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Foto: o TAMANHO DA MENTIRA

Cumprindo o compromisso de acompanhar as investigações lideradas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga as contas da Previdência, o Sindilegis esteve, na manhã desta quinta-feira (13), em mais uma reunião da Comissão, que apresentou um balanço dos trabalhos referente ao primeiro semestre. A CPI realizou 22 audiências desde que foi instalada no Senado.

Na apresentação dos resultados do primeiro semestre, o presidente da CPI, Senador Paulo Paim (PT-RS), voltou a reforçar que é necessário que o Governo repasse à Previdência os milhões de reais arrecadados à custa do trabalhador brasileiro, além de reafirmar a inexistência do déficit na Seguridade Social.

Veja o artigo completo no site do SINDILEGIS


PROCURE MAIS, PESQUISE MAIS. NÃO ACREDITE LOGO EM PRIMEIRAS INFORMAÇÕES.

ROQUE SPONHOLZ

sob risco

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eu lembro

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“tô nem aí”

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tá duro ?

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OPÇÃO PELO INCERTO

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J. R. GUZZO

Que coisa, sô! Quando um sujeito. mesmo idoso, tem as sinapses funcionando bem, é uma beleza, o que talvez já não ocorram com as minhas. O artigo em seguida, do Guzzo, publicado na edição impressa de Veja, é o perfeito exemplar do que estou dizendo. Escrito há quase 60 dias, não perdeu nada de sua força. Trata-se de um pequeno ensaio sobre a saída do Reino Unido da comunidade européia. Uma análise tão boa quanto de qualquer bom analista político ou econômico britânico.

A questão colocada por Augusto Nunes, outro grande jornalista, baseada no texto do Guzzo, é dura:
O referendo respondido pelos britânicos levanta uma questão: é melhor ficar com os males de hoje que sabemos quais são ou aventurar-se ao convívio com dificuldades que só conheceremos lá adiante?

Não se parece um pouco com a situação que nossa Câmara enfrentou, sobre autorizar ou não investigação em cima do presidente?


Coube justamente aos eleitores britânicos, na semana passada, ser chamados a responder mais uma vez à pergunta feita 400 anos atrás pelo príncipe Hamlet e até hoje não respondida: vale a pena livrar-se dos problemas do presente, que envenenam a vida mas são conhecidos, em troca dos problemas do futuro, que nos salvam das misérias de hoje mas ninguém sabe quais são? O monólogo do “Ser ou não ser” talvez tenha solenidade demais para ser comparado com a dúvida de hoje ─ trata da questão da vida e da morte, nada menos, enquanto a votação mencionada aqui apenas perguntou se os cidadãos do Reino Unido queriam continuar fazendo parte da União Europeia, na qual estão desde 1973, ou preferiam sair dela. De qualquer maneira, essa era a essência da questão a responder ─ é melhor (ou pior) ficar com os males de hoje que sabemos muito bem quais são ou seria melhor (ou pior) aventurar-se ao convívio com dificuldades que só conheceremos lá adiante, quando já estiverem acontecendo? É melhor conformar-se ou é melhor arriscar? Qual tentativa vale mais: a de consertar o presente ou a de construir um futuro? Essas foram as dúvidas colocadas no referendo inglês. Mas valem para muita gente ─ valem, em todo caso, para todo lugar onde houver algum problema sério, e isso quer dizer praticamente o mundo inteiro.

No caso dos britânicos, a maioria decidiu ficar com os males do futuro. Eles votaram contra o que conhecem ─ tudo aquilo que é percebido como uma camisa de força para as decisões do governo do seu país. Não podemos fazer isso porque a União Europeia não deixa; temos de fazer aquilo porque países estrangeiros nos obrigam. Muito do que vai mal hoje no Reino Unido (certas dessas aflições, por aqui, nem seriam vistas como problemas) é ligado à Europa. Excesso de imigrantes, baixo desempenho dos sistemas de medicina e de educação públicos, por falta de verbas que vão para os países europeus mais pobres, fraqueza diante do crime, por perda de autonomia na polícia, e por aí em diante. Argumenta-se que bons negócios de exportação com os Estados Unidos, a Índia e a China, por exemplo, são perdidos ou dificultados porque o Reino Unido, subordinado às regras comerciais comuns da UE, não tem liberdade de negociar diretamente com essas nações. Há uma sensação geral de que o país está dando mais do que recebe dos seus parceiros europeus. Por cima de tudo, para uma nação que há 1000 anos vem defendendo com paixão a sua independência, flutua um sentimento mal digerido de intromissão de estrangeiros na vida britânica. Por que burocratas holandeses ou gregos, por exemplo, teriam o direito de dar palpite sobre o dia a dia da Inglaterra ou da Escócia? Por que há uma espécie de segunda capital em Bruxelas, com dezenas de milhares de funcionários escrevendo regras a respeito de como os ingleses devem pescar ou construir suas caixas-d’água?

Tudo isso faz parte do preço a pagar quando um país deixa de viver de forma isolada e passa a desfrutar das vantagens de pertencer a um conjunto de nações; mas os britânicos, embora por estreita margem, acharam que esse preço ficou alto demais. A redução dos níveis de “identidade nacional”, em sua opinião, tornou-se excessiva. Decidiram que o Reino Unido tem de ser de novo o Reino Unido ─ e já não era sem tempo, quando se considera que hoje em dia o prefeito de Londres é muçulmano, o maior empregador da indústria automobilística inglesa é o empresário indiano Ratan Tata e não se consegue montar um time de futebol de terceira divisão sem chamar filhos e netos de imigrantes para completar os onze. Mas a questão parece ir muito além dos constrangimentos trazidos pelo convívio com estranhos. O que o referendo mostrou é o impulso da separação; milhões de britânicos não querem mais os benefícios de ser cidadãos de um poderoso país chamado “Europa”, dono do maior PIB do mundo, segundo o Banco Mundial, e de outras maravilhas estatísticas. Como acontece na Espanha, no caso da Catalunha, e dentro do próprio Reino Unido, com a Escócia, optaram eles por ser menores*. Preferem os problemas desconhecidos e o território não mapeado de um Reino Unido que agora existirá unicamente por sua própria conta. (A maioria da população, aliás, nem sabe o que é isso; só quem tem mais de 61 anos era maior de idade antes da entrada do país na Comunidade Europeia.) Acham melhor a incerteza econômica trazida por sua decisão, e os erros a ser cometidos por seus próprios governantes, do que as dificuldades de um presente no qual perderam as esperanças.


  •  Decisão muito válida. Sendo menor, a nação terá maior rapidez em tomar decisões e resolver problemas. E quando errar, que seja responsabilizada pelos próprios erros e não em uma “comunidade abstrata” chamada Europa. Creio que a maior causa de problemas no Brasil (ou qualquer país muito grande e com muitas culturas) é o seu tamanho. Por exemplo, se o Nordeste fosse independente já teria resolvido o problema dos males causados pela seca, por não depender de decisões de comissões feitas por candangos que não entendem de seca. Os problemas do Norte só são analisáveis sob a ótica do Norte, o Sulistas não os conhecem nem tem obrigação de saber resolvê-los. O sistema americano de estados unidos mas com soluções independentes é muito mais eficiente por que as leis nacionais podem ser mais simples. (Gil) 

PROTESTO E DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Gil

Gil


Inspirado no artigo de Salete Lemos, 11/08/2017

 

Os melhores protestos que já vi, reais ou na ficção, envolvem o respeito absoluto à legalidade, mas com alguma consequência intolerável.  Os piores projetos de desobediência, fadados à dar com os burros n’água, conclamam para greves e passeatas que incomodam principalmente os cidadãos a quem deveriam agradar e chamar à participar.

No livro de ficção “Dinheiro” – se não me malha a femória – é relatado um caso em que os cidadãos revoltados com o corte de financiamentos para comprar casa própria aderem ipsis literis ao reclame de um banco que dizia: “abra sua conta conosco, mesmo de 1 dólar!”. Formavam filas e ocupavam todos os caixas de todas as agências, para abrir contas de um dólar e retornavam à fila para retirar meio dólar. Pagavam em cheques contas de centavos. No mesmo livro, os “grevistas” de um aeroporto não paravam de trabalhar, mas traziam as famílias para ocupar todos os banheiros dos aeroportos nos horários de chegada de aviões em que havia refeições à bordo.  Nestes dois exemplos, havia tumultos mas não podiam ser atribuídos aos manifestantes.

Recentemente um protesto (Goiás) contra o preço da gasolina conclamava os motoristas a colocar R$0,50 de combustível no tanque. E exigir troco… Muito criativo. Acho que esse movimento deve ser repetido com frequência. Participemos! Nenhuma lei foi violada.

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O OUTRO LADO DA DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Do Blog do Políbio Braga


Opinião – Aulas Cidadãs do Cpers serão atos criminosos inaceitáveis

 

O Cpers acha que a única legalidade é a ilegalidade burguesa.

A partir de amanhã e nos dias 23 e 28, o Cpers ordenou que os professores pagos pelos cofres públicos, portanto com o dinheiro dos contribuintes, promovam atos de desobediência civil e cometam o crime de substituir as aulas dos currículos garantidos pela lei, fazendo em seu lugar uma série de lavagens cerebrais de caráter comunista em todos os alunos das escolas sob guarda do governo estadual.

O Cpers, dominado por grupos políticos ideologicamente ligados aos comunistas, chama tudo isto de Aulas Cidadãs.

O governador Sartori mandou que as escolas impeçam estes atos que atentam contra a lei e a ordem.
Na nota em que explica os crimes que quer cometer, o Cpers elenca medidas que a seu ver o governo deveria implementar e não o faz, colocando-se na posição ilegítima de gestor das escolas públicas gaúchas.

Além de impedir o crime anunciado, caberá ao governo responsabilizar civil e criminal o próprio Cpers e cada um dos professores que desatinadamente participarem dos atos promovidos pela organização criminosa que se formar a partir daí.


Comento: uma arma tanto pode ser usado para o mal como em defesas própria.  Quando se impede o cidadão de usar uma arma – por leis ou por pressão social – os bandidos continuam a fazer uso delas.