ROQUE SPONHOLZ

baratas caras soltam baratas

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é nóis!

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Felizmente está diminuindo até o gado marcado

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um caro barato ou um barato caro ?

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27º ENCONTRO DE COLECIONADORES

Gil divulgando, a pedidoColecionismo_Taubaté-SP1 (1)


27º ECOJOF (Encontro Tradicional de Colecionadores de Juiz de ForaEvento Cultural que já é Tradição em Juiz de Fora e Região, Sábado dia 26 de AGOSTO de 2017, de 10:00 às 15:00 horas nas dependências do Museu Ferroviário, Av. Brasil 2001, (Entrada de Veículos e Pedestres) e pela Av. Francisco Bernardino (Acesso pela Rampa) em frente a Rua Marechal Deodoro.

Exposição, Mostras, Trocas, Aquisição de artigos colecionáveis, Moedas, Cédulas, Cartão-Postal, Selos, Gibis, Álbuns Figurinhas, Cartão Telefônico, Chaveiros, Canetas, Calendários, Miniaturas, Antiguidades em geral, material de colecionismo e muito mais.

Mesas Redonda de Vários Departamentos de Cultura, Memória e História como: Memória Ferroviária, Aviação,História Postal, Esportes e outros.

Venha participar deste EVENTO CULTURAL que move Juiz de Fora, PARTICIPAÇÃO E ENTRADA FRANCA.

Organização Clube de Colecionadores de Juiz de Fora, apoio Museu Ferroviário e Sociedade Filatélica de Juiz de Fora.


Contatos: Antônio Claudio Viola –  Tel: 99120-6621

                    Solange Barcellos Cunha – Tel: 3211-4304

                    Waltencir Costa – Tel: 99138-0431

A CAMINHO DO BREJO

Enviado por Joe Bridges


Cora Ronai, n’O Globo

Cora Ronai


A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

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EXISTE ALMOÇO GRÁTIS?

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J. R. GUZZO

Segundo o Guzzo, ex-diretor de redação, e agora o supercolunista de Veja, tem. Vejam o que ele explica em seu texto na revista de 16 de agosto. Ele parte do princípio que não dá para acreditar que os políticos brasileiros sejam péssimos e que os eleitores sejam ótimos…

 QUEM colocou o deputado federal Wladimir Costa em sua cadeira na Câmara? A propósito, quem colocou lá os seus 512 colegas? Costa é o “deputado da tatuagem”. Nunca se destacou por algum grande feito parlamentar, até que ganhou dos meios de comunicação seus quinze minutos de fama, fazendo tatuar o nome “Temer” no ombro direito. Seu voto a favor do governo, como tantos outros, corria o risco de passar altamente despercebido; por causa da tatuagem, apresentada como uma importante denúncia política, foi para o horário nobre dos noticiários e para as primeiras páginas da imprensa. Melhor para ele: garantiu que não será esquecido pelos atuais gerentes da máquina pública na hora de discutir o que realmente interessa, como as verbas devidas às emendas parlamentares e outras grandes atrações do nosso regime republicano. Dez entre dez membros das classes civilizadas deste país ficaram escandalizados com o “deputado da tatuagem”. Mas não gostam de considerar que ele, e gente como ele, só está no Congresso Nacional porque os eleitores decidiram, com seus votos, que deveria estar lá.

O “deputado da tatuagem”, da bancada do Pará, está no seu quarto mandato. Foi cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos, mas até agora não lhe aconteceu nada: está recorrendo da sentença. No momento responde a indagações no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados — depois de muito se discutir se seria ético ter uma tatuagem com o nome do presidente. Eis aí outra questão-chave da crise política atual, como já tinha sido, antes da votação, o intenso debate sobre a verdadeira natureza da tatuagem: seria hena? (Aparentemente, o delito ficaria mais grave se fosse hena; estaria provado, nesse caso, que sua fidelidade a Temer não era eterna.) É óbvio que essa comissão não vai fazer coisa nenhuma; Jack, o Estripador, em pessoa, se fosse deputado brasileiro hoje, sairia de lá absolvido, e com um diploma de honra ao mérito no bolso. Para encerrar: no ano que vem há eleições e o “deputado da tatuagem” será reeleito pela quinta vez, a menos que não esteja mais interessado nesse tipo de vida. A moral da história é simples. O eleitorado do Brasil vota horrivelmente mal.

Preconceito, elitismo, raiva do povo, negação da democracia, coisa de direita etc. — escolha qualquer uma dessas expressões para condenar a afirmação apresentada acima, como fazem nossos mais distintos pensadores, e, a partir daí, deixe-se enganar à vontade. Se é errado dizer que o brasileiro vota mal, por que os deputados e senadores do Brasil, para não falar do resto da tropa, são tão ruins assim? De quem é a culpa pela entrega dos cargos públicos ao que a sociedade tem de pior? A culpa é dos eleitores brasileiros, é claro — ou seria dos eleitores mexicanos? Não há, muito simplesmente, como fugir dessa realidade. A verdade é que o tempo passa e o desempenho da população brasileira na escolha de seus governantes continua sendo definido com perfeição em duas frases que causaram grande escândalo na época em que foram ditas — e que não querem ir embora.

A primeira é de Pelé, de quarenta anos atrás, e se mostra cada vez mais certeira. “O brasileiro não sabe votar”, disse Pelé. Na ocasião, e por muito tempo depois de sua declaração, ele foi considerado um monstro por nossa elite pensante — boçal, ignorante, fascista, serviçal da ditadura militar, inimigo do povo e mais um monte de coisas. Foi intimado a calar a boca, contentar-se com seu lugar de jogador de futebol e não se meter em conversas de que não entendia. A segunda frase, dita há 25 anos, é do ex­-presidente Lula. “Há uma maioria de 300 picaretas no Congresso”, afirmou ele. Lula, sendo Lula, não foi fuzilado como Pelé; fizeram até música em homenagem à sua tirada. Houve apenas um silêncio envergonhado entre as massas intelectuais que o admiram e que até hoje evitam tocar no assunto. Mas o que realmente interessa, nos dois casos, é o seguinte: quem está disposto a dizer em público, hoje em dia, que o brasileiro sabe votar muito bem, ou que o Congresso Nacional é um lugar de gente séria? Lula, por sinal, só errou na conta: em vez de dizer “300” deveria ter dito 500.

O eleitorado brasileiro é esse, e não dá para trocá-lo por outro. O máximo que se pode fazer é reduzir suas possibilidades de decidir errado — e isso poderia ser conseguido com uma reforma nas leis eleitorais que os políticos se recusam a aprovar. O resto é hipocrisia. Como acreditar que nossos políticos são péssimos, mas os eleitores brasileiros são ótimos? É um almoço grátis moral. O Brasil de hoje é especialista nisso.

 

ROQUE SPONHOLZ

pena suja se lava no ninho

Magu