ALEGRIA, ALEGRIA, POR ENQUANTO…

Carlos Brickmann

Coluna Carlos Brickmann – 17/02/2019

As poucas informações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência já provocaram euforia no mercado: Bolsa em elevação, dólar em baixa. E, no fundo, Bolsonaro só disse de novo que a idade mínima para aposentadoria será de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens (aliás, nem isso era exatamente novidade: a novidade é ele ter sacramentado essas datas). Mas a expectativa do mercado é boa: a Bolsa espera romper a barreira dos 100 mil pontos, o ministro Paulo Guedes fala em economizar R$ 1,1 trilhão em dez anos. Ah, há outra novidade: o prazo de transição será de dez anos. Ou seja, aprovada agora como foi proposta, a reforma da Previdência fará com que, no final do mandato de Bolsonaro, homens se aposentem com 61 anos e seis meses, e as mulheres com 57 anos e seis meses; em 2029, os homens se aposentarão com os 65 anos. A transição das mulheres deve ir até 2031.

Fechado? Não é bem assim. O que se comenta é que há um colchão na reforma, pronto para absorver emendas mais suaves propostas pelo Senado e Câmara. De qualquer maneira, o alívio nas contas públicas será grande.

E agora? O ideal para o Governo é aproveitar seu capital político, a força da vitória, e passar logo a reforma. Com o tempo, a lembrança da vitória fica mais tênue, e 001, 002 e 003 limarão o prestígio do pai até transformá-lo num Zero. Quem já brigou com o vice, com o chefe da campanha e um trator como Joice Hasselmann não pode ser subestimado.

Quem tem a força

O Governo Bolsonaro, imagina-se, acaba de começar. O primeiro lance, diga-se, foi um êxito: os chefões do crime organizado paulista foram para prisões federais, conforme pedido do Ministério Público, e as medidas de segurança que o Governo tomou impediram até agora aquilo que se temia: a volta do clima de guerra civil no Estado, com bandidos atirando em todos os policiais que viam. Esta é a área de Sérgio Moro, um dos sustentáculos do atual Governo. Se a reforma da Previdência passar, se forem cumpridas as promessas de privatizações e da redução da máquina administrativa, será um sucesso da área de Paulo Guedes, de longe o mais importante ministro de Bolsonaro. Se a economia der certo, os Recrutas Zero, os ministros mais pitorescos, a turma do vai-vem podem fazer bobagem que o eleitor não vai dar bola. Se a economia der certo, será um grande Governo. Se a economia não der certo, será no máximo um Governo médio com acertos e erros.

A voz do povo

A Taboola, líder mundial na avaliação dos desejos dos consumidores, apurou que Paulo Guedes, da Economia, é o ministro mais lido nas redes sociais. A Taboola chegou a esta conclusão a partir do acesso que tem a 9 bilhões de page-views e 70 milhões de horas na Internet. Guedes é o mais lido; o segundo é Moro. Damares, com todas as declarações que provocam turbulência, é a terceira, com menos da metade das leituras de Guedes.

Seguem-se Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo, Tereza Cristina, Ricardo Salles, Marcos Pontes, general Fernando Azevedo, da Defesa, e Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação. Os outros – bem, os outros estão atrás não só da Damares mas também do Rodríguez. Não se preocupe com eles.

Podia, mas não pode

Fábio Giambiagi, um notável economista, fez praticamente toda sua carreira profissional no BNDES, como funcionário de carreira, nos mais diversos governos. Nessas condições foi convidado a escrever artigos no jornal Valor Econômico. Em 2015, quando o Valor comemorou 15 anos, promoveu uma série de entrevistas com seus colunistas, incluindo Fábio Giambiagi, e salientando sua condição de economista do BNDES.

Bom, 2015 era época de Dilma presidente. Agora, Fábio Giambiagi foi afastado do Valor por ser economista do BNDES – seu emprego de sempre. Só mudou uma coisa: o nome do presidente é Bolsonaro, não Dilma.

A lei é para todos

A deputada federal Bia Kicis, do PFL brasiliense, quer revogar a PEC da Bengala – a emenda constitucional que passou a idade de aposentadoria de ministros do Supremo de 70 para 75 anos. Diz que a extensão do mandato dos ministros “impede a oxigenação da carreira”.

Mas o objetivo é outro: é abrir vagas para que Bolsonaro nomeie ministros que considere mais próximos. É um erro: Lula acreditava nisso e descobriu que as promessas de um candidato nem sempre são cumpridas após a nomeação. Segundo, a lei deve visar casos futuros, e não mudar as regras no meio do jogo. Os EUA não forçam ministros da Suprema Corte a se afastar: aposentam-se quando não mais se sentem em condições de julgar (se um tiver problemas e não se afastar, os demais votam sua aposentadoria).

Para que pagar aposentados a mais e perder a experiência dos mais velhos?

Mal comparando

Pensando bem, o Michelzinho deu muito menos trabalho.

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2 Responses to ALEGRIA, ALEGRIA, POR ENQUANTO…

  1. SINAIS, SEMPRE OS SINAIS
    Por Carla Pola

    Nem sei por onde começar, mas vamos lá.

    Eu não sabia quem era esse tal de Bebianno, que atualmente é o Secretário-Geral da Presidência. Como a maioria só vim a conhecê-lo durante a campanha presidencial.

    Porém, quando observei ontem a defesa apaixonada da imprensa oficial por ele, minhas antenas ficaram em alerta. Ora! Justo uma imprensa que quer derrubar o Presidente Bolsonaro todos os dias??? Uma imprensa que faz de um limão uma limonada e que quer porque quer derrubar ministros, haja vista o que fizeram com a Ministra Damares, só para citar um exemplo e não me prolongar muito.

    Como sempre resolvi fazer uma pesquisa, agora sobre o tal Bebianno.

    Descobri que ele trabalhou no escritório do famoso advogado e sócio da esposa do Gilmar Mendes, Sérgio Bermudes. (isso já diz muita coisa).

    Descobri também que durante muito tempo ele tentou de várias maneiras se aproximar da família Bolsonaro sem sucesso. Porém, não desistiu. Mandou mensagens pelo Facebook, e-mails se oferecendo para trabalhar na campanha do Bolsonaro, até com o sogro (Coronel do Exercito) falou para tentar um encontro com o Bolsonaro em Brasília, que também não deu certo. Mas, a persistência foi tanta que acabou conseguindo o que queria. Havia processos do Bolsonaro largados a própria sorte e foi assim o caminho que fez com que chegasse ao Presidente e passasse a gozar da sua confiança.

    Bebianno é amigo do Paulo Marinho, aquele ligado aos petistas, que foi casado com a Maitê Proença, amigão do José Dirceu, que se filiou ao PSL e mesmo a contragosto do Flávio Bolsonaro, foi colocado como 1º suplente do Senador.

    Assessores alegam que ele manobrou para que o Bolsonaro se afastasse dos Patriotas e jogou o Presidente no colo do PSL do Luciano Bivar (que dispensa apresentações) e com isso passou a ser o Presidente interino do PSL durante a campanha do Bolsonaro.

    Além de cuidar pessoalmente do dinheiro do partido, coube também ao tal Bebiano se encarregar das candidaturas estaduais. Fritou muitos nesse processo tendo a seu lado o tal de Julian Lemos.

    Com as muitas reclamações internas do tal Bebbiano, Carlos Bolsonaro, que atuava ao lado do pai, pois não estava em campanha própria como os outros irmãos, começou a observar mais de perto o que acontecia dentro do partido, observando as manobras que o Bebiano fazia para afastar os aliados do pai. A partir daí é que começa o imbróglio.

    De alguma forma Bolsonaro acordou para o caso, pois o tal Bebiano foi um dos últimos a assumir um cargo no 1º escalão, a Secretaria-Geral da Presidência, porém antes ela foi esvaziada, pois Bolsonaro passou a maioria dos encargos da Secretaria (como o bilionário Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) ao General Santos Cruz que é o Secretário de Governo. (Isso na época já me chamou a atenção, mas deixei no cantinho).

    Isso demonstra claramente que o Presidente já não mais confiava no tal Bebiano. E obviamente que ele sabia disso e não deve ter ficado nada feliz em ser um Secretário basicamente sem função.

    Durante o período de transição e agora mesmo, houve muitos vazamentos à imprensa. E com a defesa que toda a imprensa faz para que o tal Bebiano não caia, mas que se fosse com qualquer outro ministro seria diferente, mostra claramente que o tal é um dos maiores vazadores. Vingança??? Estar a serviço de outréns para derrubar o governo e isso desde antes da campanha??? São possibilidades.

    O que mais os inimigos do Presidente Bolsonaro desejam é um escândalo o envolvendo em algum tipo de corrupção. Para que melhor que esse que apareceu dos desvios de dinheiro para candidatas mulheres dentro do PSL??? Escândalo esse que aparece justamente no momento que o Presidente está fragilizado pela 3ª cirurgia que fez em decorrência do atentado terrorista que o Adélio Bispo, supostamente ex-PSOL, fez em 06 de setembro de 2018???

    Acontece que o tal Bebiano afirmou que não havia crise e que tinha falado com o Presidente (hospitalizado) 3 vezes num dia, sendo assim, colocou o Presidente no fogo, arrastando-o para um escândalo do qual ele nem tinha conhecimento. Carlos Bolsonaro, percebeu a manobra e o pai também e, desmentiu publicamente o Bebiano, mostrando inclusive um áudio do pai dizendo que não podia falar com ele, pois estava se preparando para exames a fim de sair do hospital, áudio esse retuitado pelo próprio Bolsonaro.

    Bebiano afirma que falou com o Presidente Bolsonaro por mensagens, mas não as mostrará por questão do cargo. Balela!! Não há conversa nenhuma, com certeza se houvesse ele teria vazado para a imprensa.

    A partir daí começou o ataque da imprensa contra o Carlos e a defesa ardorosa para com o tal Bebiano, interessante ressaltar que o escândalo em si não mais foi pautado pela imprensa, só o discurso que os filhos do Bolsonaro estão atrapalhando o governo. O que é mentira.

    Flávio Bolsonaro está no Senado fazendo o trabalho dele, Eduardo, idem, só o Carlos está junto ao pai ajudando na sua recuperação.

    A pergunta que faço é: Os filhos estão atrapalhando o governo ou os planos dos inimigos para derrubar o Presidente Bolsonaro??

    Diante de tudo que pesquisei não tenho a menor dúvida que esse tal de Bebiano é um dos infiltrados no Governo Bolsonaro e isso desde as eleições. Além de ser X9 da imprensa, queridinho da Globo, Folha de São Paulo e até dos Antagonistas, fora outros veículos da mídia.

    Usando seus amigos da imprensa, Bebiano deu uma entrevista na Crusoé, que li, e nela há várias ameaças ao Presidente Bolsonaro, um absurdo total!!

    O Bebiano recebeu o recado do Presidente, ou ele pede as contas, ou será exonerado segunda-feira e obviamente o tal Bebiano vazou isso para O Antagonista ontem mesmo.

    Diante do exposto, o Bebiano tem que sair, é um infiltrado, desestabiliza o Governo com vazamentos à imprensa que quer porque quer derrubar o Governo, atua nas sombras.

    Caso ele fique o Presidente Bolsonaro terá um grande problema. Começarão a dizer, aliás já estão dizendo, que ele ficou com medo do tal Bebiano e que esse ordinário tem ele nas mãos.

    Muita gente diz que os militares resolverão o problema. Os militares estão falhando muito para meu gosto. Deixaram um petista de carteirinha entrar na comitiva do Presidente a Davos e duvido e o dó que não soubessem quem é esse tal Bebiano, pois seu eu descobri em uma pesquisa básica, eles devem saber bem mais a respeito e já era para tê-lo chamado de canto e o tirado do cargo na mesma hora que o escândalo do PSL veio a público, usando a “diplomacia” de que ele se afastasse até provar sua inocência e fim. O tal Bebiano mesmo teria se demitido e ainda sairia por cima.

    Mas, para se agarrar a um cargo que foi esvaziado, com certeza o tal Bebiano está a serviço de alguém, resta saber de quem.

    Também acho que o Carlos Bolsonaro, após a recuperação do seu pai, deva retornar a vereança no Rio; não porque atrapalhe o Governo, mas porque ele tem compromisso com os eleitores que o elegeram.

  2. leguene says:

    Está curioso conseguir uma informação correta sobre o caso do filho do Bolsonaro e o tal ministro. É possível que, com o tempo, algo aproximado da verdade apareça. O fato é que se vive uma situação estranha no Brasil desde a possibilidade de Bolsonaro ser eleito. A esquerda nunca esteve tão ativa para reconquistar espaços. Não estava preparada para a democracia, esta mesma que permite alternância de partidos no poder. Tenta melar, dificultar, toda e qualquer ação do governo que implique satisfazer o zé mané. Isso é terrível, sob o ponto de vista dos socialistas. Não se pode permitir perder prestígio, mesmo que a Venezuela esteja ali na fronteira, dando estranhos exemplos das virtudes do regime. Serão quatro anos dessa troca de gentilezas?

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