GABEIRA E AS LARANJEIRAS AO VENTO

Fernando Gabeira

Laranjeiras ao vento

Fernando Gabeira, escritor e jornalista, repórter na Globo News – 18/02/2019

Saio do Brasil por uma semana para visitar minha filha em Portugal. Mas saio apreensivo. Coração na mão. Houve uma série de tragédias neste início de ano. Há muitas coisas pendentes desses desastres. Como se não bastasse essa sensação de casa velha caindo que o Brasil nos transmite hoje, há ainda uma crise política, provocada pelo próprio governo.

Uma pena, porque os temas básicos precisam ir adiante: reforma da Previdência, combate ao crime organizado. Os liberais levaram um chega pra lá no caso do leite. O governo manteve restrições ao leite da Europa e Nova Zelândia. Falando de subsídios, a ministra da Agricultura afirmou: o desmame não pode ser radical. No mundo biológico, o desmame tem um momento de acontecer. Se deixar apenas pelo gosto de algumas crianças, a coisa vai longe.

O plano de Sergio Moro é voltado para mudar as leis, adaptá-las ao combate ao crime. Se forem aplicadas com seriedade, vão levar mais presos às cadeias? O que faremos com elas?
A última das minhas escolhas em política é falar de intrigas palacianas e familiares. Mesmo para contestar o ministro do Meio Ambiente, no caso do Chico Mendes, hesitei um pouco. Tenho vontade de deixar tudo isso pra lá, seguir focado no que importa.

É tudo tão subversivo para minha concepção de política que me sinto um pouco espécie em extinção. No mundo que se foi, presidentes reuniam-se com ministros, acertavam sua demissão e, em alguns casos, trocavam cartas diplomáticas de agradecimento, etc.
Hoje, são demitidos pelo Twitter. Não é novo. Trump costuma usar esse método. Mas esse estilo de fazer política representa mesmo um avanço?

No caso de Bolsonaro, há um dado delicado. Ele divulgou uma gravação telefônica com um ministro. Presidentes não punem primeiro nas redes sociais . Nem costumam divulgar suas falas.
É um cochilo em termos de segurança nacional. Mas é, sobretudo, uma falta de consideração. Se houvesse alguma coisa a ser resolvida, deveria ter sido pessoalmente. Sem humilhações públicas.

O poder, isso é um lugar-comum, revela muito as pessoas. Sobretudo no princípio de governo, quando ainda estão embaladas pelo voto popular e ainda não sofreram o desgaste das limitações reais.
A tendência é um excesso de autoconfiança. Mesmo entre os generais, que são uma força moderadora e mais tranquila, às vezes surgem surpresas.

Na minha concepção política, os governos, de um modo geral, ao saber que serão criticados, apenas preparam-se para a defesa, que será proporcional às críticas e suas repercussões.
O governo brasileiro resolveu se antecipar às potenciais críticas que sofreria de bispos de esquerda num sínodo sobre a Amazônia. Nesse movimento, ele trouxe as atenções para as críticas que podem sair daí. O sínodo ainda não aconteceu. Dizem que o celibato dos padres será um dos temas. Por que não esperar que aconteça e reagir de acordo com os fatos reais?
Enfim, é tudo tão perturbador para uma visão mais clássica. Governos minimizam críticas, não criam um palco planetário para elas.

Um dado novo também é a importância dos filhos de Bolsonaro nas crises políticas.
Como um sobrevivente do século XX, impossível não levar em conta a intensidade da relação pai e filho. Não usaria jamais a frase redutora: “Freud explica”. Arriscaria apenas dizer que ele fornece algumas pistas.
O que me parece fato neste momento é a intensidade emocional deste governo, as rivalidades, as tramas, os ciúmes. A experiência mostra que existe um antídoto para as veleidades pessoais: é a existência de um projeto comum, algo que nos transcenda.
A retirada do Brasil desta crise, as necessárias reformas, tudo isso deveria falar mais alto. Mas não fala. A própria insegurança estrutural pela ausência de uma cultura de precaução só aparece nas primeiras semanas pós-desastre.

Quando este governo se instalou, dispus-me a ficar atento e, se necessário, fazer uma crítica construtiva. Mas esse projeto se esvaziou um pouco. Daí minha apreensão. Será preciso, em primeiro lugar, libertá-lo dessa tendência autodestrutiva.
Tratem-se bem, cuidem uns dos outros, vivemos num país quase em ruínas. Isso é o pressuposto para trabalhar com a sociedade, levá-la para as mudanças que deseja.


Grifos são do Magu, que acha que a renovação no congresso foi apenas para inglês ver, como se dizia antigamente. As primeiras atitudes exibem que não mudou porra nenhuma. Os novatos mostraram que trouxeram consigo os defeitos antigos… Putz, que merda!

 

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ROQUE SPONHOLZ

Comentários são despiciendos…



 

 




contar com quem?


Que merda, heim?!


 

CONDENADO POR FALAR A VERDADE

magu

Notícia do jornalão O Globo, de 19 de fevereiro, dá conta que STF manteve condenação do TJDFT para o presidente ter de indenizar o tribufú gaúcho ‘do Rosário’ e ainda se retratar em rede social. Mais uma obrada de Marco Aurélio Mello, aquele que manobrou para soltar o novededos e se vazou. Vamos à notícia:


STF mantém decisão que obriga Bolsonaro a pagar indenização a Maria do Rosário e se retratar em rede social
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), decidiu manter a condenação por danos morais, contra o presidente Jair Bolsonaro no caso em que o então deputado disse à colega Maria do Rosário (PT-RS) que ela não merecia ser estuprada.

A Justiça havia determinado, em  2015, que Bolsonaro deveria pagar uma multa de R$ 10 mil por ofensas disparadas contra a deputada. O presidente recorreu, mas o ministro Marco Aurélio Mello decidiu manter a condenação imposta pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A decisão do STF cabe recurso. Procurada pela reportagem, a assessoria do presidente ainda não se manifestou sobre o assunto.

O episódio envolvendo Bolsonaro e Maria do Rosário aconteceu em 2014, tendo ganhando ampla repercussão na mídia. O então deputado disse, na época, que não estupraria Maria do Rosário pois ela não mereceria, “porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.

A decisão do ministro Marco Aurélio foi tomada última quarta-feira (14) e já está disponível para consulta no site do STF. O ministro entendeu que a imunidade para presidentes da República prevista na Constituição não se encaixa nas situações de esfera civil. (Mas se aplica a imunidade dos parlamentares, conforme explicado abaixo).

Além de negar o recurso da defesa de Bolsonaro, o ministro do Supremo  manteve a determinação para que o presidente publique uma retratação em jornal de grande circulação, em sua página no Facebook e no YouTube. A ação judicial contém o trecho de uma fala pública de Bolsonaro onde ele afirma que “jamais pedirá desculpas à deputada Maria do Rosário”.

Em nota, Maria do Rosário disse que considera a decisão “mais uma vitória de todas as mulheres do Brasil”. Ela afirma que seguirá lutando para que ” nunca mais uma mulher seja alvo de ataques ou desrespeitos machistas, na política ou em qualquer outro lugar”.
“A decisão do Ministro Marco Aurélio ocorre no momento em que o Brasil encontra-se mais uma vez profundamente abalado pela violência contra a mulher. Em 2019, já registramos cerca de 170 feminicídios. Por isto, considero que manter a condenação de Bolsonaro é simbolicamente derrotar cada agressor de mulheres deste país e dizer: não ficarão impunes” , diz a nota.


PITACO DO MAGU

Mais uma vez se decide contra a CF. Como perguntar não ofende, para que temos uma constituição? Este país não tem mesmo jeito. Um deputado fala a verdade e é condenado por isso. Vejam como está explicado no site jurisway:
“Deputados e senadores, em discursos inflamados, podem desagradar seus opositores. Para que não sejam punidos por algo que é inerente ao exercício do mandato, são amparados por uma importante prerrogativa: a de poder opinar, votar e falar conforme suas convicções, sem serem incriminados por isso, mesmo que estejam fora do prédio do Congresso Nacional”.

Essa é a imunidade garantida pela CF e não a imunidade contra presidente da república, como citada na decisão: Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.

ROQUE SPONHOLZ

Não esqueçam do Deodoro…


ó abre “alas”…


 

ALEGRIA, ALEGRIA, POR ENQUANTO…

Carlos Brickmann

Coluna Carlos Brickmann – 17/02/2019

As poucas informações de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência já provocaram euforia no mercado: Bolsa em elevação, dólar em baixa. E, no fundo, Bolsonaro só disse de novo que a idade mínima para aposentadoria será de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens (aliás, nem isso era exatamente novidade: a novidade é ele ter sacramentado essas datas). Mas a expectativa do mercado é boa: a Bolsa espera romper a barreira dos 100 mil pontos, o ministro Paulo Guedes fala em economizar R$ 1,1 trilhão em dez anos. Ah, há outra novidade: o prazo de transição será de dez anos. Ou seja, aprovada agora como foi proposta, a reforma da Previdência fará com que, no final do mandato de Bolsonaro, homens se aposentem com 61 anos e seis meses, e as mulheres com 57 anos e seis meses; em 2029, os homens se aposentarão com os 65 anos. A transição das mulheres deve ir até 2031.

Fechado? Não é bem assim. O que se comenta é que há um colchão na reforma, pronto para absorver emendas mais suaves propostas pelo Senado e Câmara. De qualquer maneira, o alívio nas contas públicas será grande.

E agora? O ideal para o Governo é aproveitar seu capital político, a força da vitória, e passar logo a reforma. Com o tempo, a lembrança da vitória fica mais tênue, e 001, 002 e 003 limarão o prestígio do pai até transformá-lo num Zero. Quem já brigou com o vice, com o chefe da campanha e um trator como Joice Hasselmann não pode ser subestimado.

Quem tem a força

O Governo Bolsonaro, imagina-se, acaba de começar. O primeiro lance, diga-se, foi um êxito: os chefões do crime organizado paulista foram para prisões federais, conforme pedido do Ministério Público, e as medidas de segurança que o Governo tomou impediram até agora aquilo que se temia: a volta do clima de guerra civil no Estado, com bandidos atirando em todos os policiais que viam. Esta é a área de Sérgio Moro, um dos sustentáculos do atual Governo. Se a reforma da Previdência passar, se forem cumpridas as promessas de privatizações e da redução da máquina administrativa, será um sucesso da área de Paulo Guedes, de longe o mais importante ministro de Bolsonaro. Se a economia der certo, os Recrutas Zero, os ministros mais pitorescos, a turma do vai-vem podem fazer bobagem que o eleitor não vai dar bola. Se a economia der certo, será um grande Governo. Se a economia não der certo, será no máximo um Governo médio com acertos e erros.

A voz do povo

A Taboola, líder mundial na avaliação dos desejos dos consumidores, apurou que Paulo Guedes, da Economia, é o ministro mais lido nas redes sociais. A Taboola chegou a esta conclusão a partir do acesso que tem a 9 bilhões de page-views e 70 milhões de horas na Internet. Guedes é o mais lido; o segundo é Moro. Damares, com todas as declarações que provocam turbulência, é a terceira, com menos da metade das leituras de Guedes.

Seguem-se Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo, Tereza Cristina, Ricardo Salles, Marcos Pontes, general Fernando Azevedo, da Defesa, e Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação. Os outros – bem, os outros estão atrás não só da Damares mas também do Rodríguez. Não se preocupe com eles.

Podia, mas não pode

Fábio Giambiagi, um notável economista, fez praticamente toda sua carreira profissional no BNDES, como funcionário de carreira, nos mais diversos governos. Nessas condições foi convidado a escrever artigos no jornal Valor Econômico. Em 2015, quando o Valor comemorou 15 anos, promoveu uma série de entrevistas com seus colunistas, incluindo Fábio Giambiagi, e salientando sua condição de economista do BNDES.

Bom, 2015 era época de Dilma presidente. Agora, Fábio Giambiagi foi afastado do Valor por ser economista do BNDES – seu emprego de sempre. Só mudou uma coisa: o nome do presidente é Bolsonaro, não Dilma.

A lei é para todos

A deputada federal Bia Kicis, do PFL brasiliense, quer revogar a PEC da Bengala – a emenda constitucional que passou a idade de aposentadoria de ministros do Supremo de 70 para 75 anos. Diz que a extensão do mandato dos ministros “impede a oxigenação da carreira”.

Mas o objetivo é outro: é abrir vagas para que Bolsonaro nomeie ministros que considere mais próximos. É um erro: Lula acreditava nisso e descobriu que as promessas de um candidato nem sempre são cumpridas após a nomeação. Segundo, a lei deve visar casos futuros, e não mudar as regras no meio do jogo. Os EUA não forçam ministros da Suprema Corte a se afastar: aposentam-se quando não mais se sentem em condições de julgar (se um tiver problemas e não se afastar, os demais votam sua aposentadoria).

Para que pagar aposentados a mais e perder a experiência dos mais velhos?

Mal comparando

Pensando bem, o Michelzinho deu muito menos trabalho.

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ROQUE SPONHOLZ

e este ano…




pelas barbas do Visconde de Sabugosa!!!

Que coisa mais ridícula. Uma ofensa a tão importante autor, alegria da minha infância e de tantos outros. Só mesmo num país de terceiro mundo como o nosso.

Alô, sr. Presidente. O novo ministro da educação tem obrigação de impedir essa palhaçada petralha… Vão ser ‘politicamente corretos’ lá na casa do caraglio das p… que os pariu!

E aproveite para resolver o problema que os petralhas da USP criaram, de impedir os alunos dos colégios militares de se matricularem na faculdade. Um pé na bunda do reitor e da administração seria muito benvindo!

 


 

DESMAME

William Waack

William Waack, experiente jornalista que dedicou 21 anos a servir a Globo, demitido injustamente pela Venus platinada na ridícula pretensão de servir de exemplo contra racismo, por referência indireta, sacaneado por ódio de um empregado subalterno preto da emissora, auxiliado por outro, que queriam seus 15 minutos de fama, como asseverou o famoso cineasta e pintor estadunidense Andy Warhol, provado posteriormente pelo mesmo denunciante ao se exibir indevidamente, via fotografia, sentado na cadeira e os pés cruzados sobre a bancada de apresentador televisivo (e demitido por isso).
O interessante é que não usou termos pejorativos, porque usar o termo ‘preto’, como eu uso, não é diminuir cidadãos com outro tom de pele, uma vez que é termo oficial usado pelo governo brasileiro em seus textos originados do IBGE. Mas comentou posteriormente que a Globo é um ‘ninho de cobras’ (no sentido pejorativo), como qualquer grande empresa, que tem excelentes profissionais e também tem os carrapatos venenosos. Sei do que estou falando, pois fiquei muitos anos em uma multinacional e depois outros muitos anos num ente público importante. Se você se destacar por mérito, sempre terá uma chusma de incompetentes invejosos na sua sombra, disseminando fofocas e inverdades…

William continua colunista do Estadão, que lucrou com a cagada da Globo. Vejam o texto do jornalista e julguem se a Venus não se fudeu com a expulsão de tão abalizado jornalista…


O BERREIRO DO DESMAME

Bolsonaro e Guedes apenas começam o confronto com os interesses de cada grupo.
Por William Waack, Estadão, 14 de Fevereiro

A agenda liberal de Paulo Guedes chegou ao leitinho e, com ela, o vocabulário sobre a discussão tornou-se preciso, realista e fiel aos fatos. “O desmame não pode ser radical”, disse a ministra da Agricultura ao se referir a pretendidos cortes nos subsídios do crédito rural, anunciado pelo colega da Economia.

Nem o setor dos produtores de leite pode prescindir de tarifas de importação (diretas ou na forma de antidumping) para enfrentar competidores externos – Bolsonaro atendeu os produtores e disse no Twitter que o leitinho deles, em sentido metafórico, está garantido. Na mesma linha geral surge a tomada de decisão sobre o fim da isenção dada às contribuições previdenciárias dos produtores rurais que exportam.
A proposta de agenda liberal de Guedes supõe o fim dessa renúncia (cerca de R$ 7 bilhões por ano nos cofres do INSS), tanto por razões fiscais como pelo propósito conceitual mais amplo. A Agricultura diz que não faz sentido tirar refresco de um setor – o de exportações agrícolas – que ajuda substancialmente a gerar os superávits comerciais que a economia também precisa.

Essa é uma típica discussão que no Brasil (mas não só) anda em círculos há décadas, subordinada sempre ao curtíssimo prazo e às turbulências dos momentos de crise econômica e política. Que obrigaram sucessivos governos a esticar contas (aumentando impostos, por exemplo, ou deixando de investir) para atender a todos que demandam seu leitinho.

Seja pela típica estatolatria reinante no Brasil, seja pelo fato de que a mentalidade predominante no País não é liberal (nem importa classe social ou ramo de atividade econômica), seja pelo comodismo de deixar decisões difíceis para depois, o leitinho de cada um expressa a realidade de uma sociedade anestesiada pelo subsídio. O corporativismo é apenas um sintoma de um estado geral no qual se assume que o governo, no final das contas, acabará fazendo alguma coisa em meu benefício.

Este é o padrão cultural mais amplo que Bolsonaro e Guedes dizem estar dispostos a enfrentar. Por vezes ambos transmitem a sensação de confusão entre causa e efeitos. Queixam-se (com razão, aliás) que o consagrado método do “toma lá, dá cá” no Legislativo, do qual dependem para qualquer reforma fiscal significativa, embaralha as cartas na hora de proceder a reformas estruturantes quando, no fundo, esse jogo político não é outra coisa senão (pelo menos naquilo que é interesse setorial lícito e legítimo) a defesa do leitinho de cada grupo.

Bolsonaro e Guedes chegaram ao poder impulsionados por uma enorme onda de transformação política e aparentemente empolgados com a frase tão repetida segundo a qual é imperioso acabar com a mania, que no nosso caso dura séculos, de mamar nas tetas estatais. São certeiros no diagnóstico. “Todo mundo vem pedir subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo”, desabafou Guedes na quarta-feira, falando em evento para servidores públicos. “Quebraram o Brasil”, sentenciou.

Pode ser (suposição meramente teórica) que Bolsonaro e Guedes compartilhem cada vírgula de uma idêntica visão de mundo, e cada mínimo impulso sobre como agir na política. No caso do leite em pó cederam ao “toma lá, dá cá” por sólidos motivos políticos. Querem o apoio de um setor? Serão obrigados a atender a pelo menos parte de suas demandas, num delicado jogo de equilíbrio, articulação e compensações, enquanto o ambiente político vai se tornando mais hostil à medida que o leitinho some da mesa.
Vamos ver como aguentam o berreiro de uma manada de bezerros desmamados.