CINCO LETRAS QUE CHORAM

Carlos Brickmann – 18/10/2017

Carlos Brickman


Michel Temer está com a popularidade abaixo de cauda de jacaré, mas sai dessa; e, em algum momento até o final do mandato, dezembro de 2018, alguém reconhecerá os êxitos de seu Governo num setor-chave, Economia. Com o mesmo problema da área política, basicamente a necessidade de dar um agrado a numerosos parlamentares, conseguiu reduzir a inflação para baixo da meta, ampliar as atividades de maneira a indicar crescimento futuro, tomar providências que um dia forçarão o Governo a reduzir seus monumentais, extraordinários gastos. Na política e na economia, seguiu a oração de São Francisco: é dando que se recebe. E talvez ganhe para sua memória a frase seguinte do santo, “é perdoando que se é perdoado”.

Já Aécio, tanto faz ter ou não seu mandato mantido pelo Senado. Pois não há como manter um mandato que já não existe: por algum motivo, as delações de Joesley Batista, que abalaram mas não derrubaram o poder de Temer, foram catastróficas para Aécio. De repente, o segundo colocado na eleição presidencial, com 51 milhões de votos, quase metade do eleitorado, cujos aliados se cansaram de dizer que só perdeu por ter sido prejudicado na apuração, virou um zero político. O antigo presidente do Senado demonstrou-se incapaz de coordenar sua própria defesa, de articular-se com seus colegas senadores, de defender-se sem choramingos, sem argumentos.

As acusações foram aceitas como verdade. Deve haver motivo para isso.

Os passos de Temer

O presidente não deve tentar a reeleição. Acha que haverá um bloco à direita, com Jair Bolsonaro ou alguém menos flutuante (Bolsonaro já esteve em nove partidos, inclusive o Ecológico, diz defender o liberalismo mas gosta de estatais); um à esquerda, sob o comando do PT – ou, mais precisamente, de Lula, preso ou solto); um em cima do muro, o esfacelado PSDB; e quer chefiar a sucessão unindo partidos como PMDB, DEM, PSD, PTB, PTB, PR, PRB. Candidato provável, Henrique Meirelles. É cedo para prever, mas no meio da briga partidária, pode sobrar para ele. Ou Dória.

Como diria Caetano

Ou não. Lula neste momento lidera as pesquisas, mas ninguém vence a eleição com o nível da rejeição que ostenta: metade dos eleitores diz que não vota nele de jeito nenhum. Mas falta um ano e isso pode mudar. E Lula nem precisa ser candidato: basta que possa proclamar que “a zelite” usa as leis para prejudicá-lo e, por isso, em vez de sair candidato, lança outro. Quem conseguiu eleger Dilma sabe a força de que um poste é dotado.

A força do adversário

Lula conta, na campanha para que o eleitor o veja como perseguido, com o valioso apoio dos adversários. Os procuradores da Lava Jato já fizeram o que não deveriam com aquele “power point” segundo o qual, com ou sem investigações, Lula era apontado como ponto central da ladroeira. Já havia ocorrido, há tempos, o caso “Vavá dois pau”, uma operação contra Genival, irmão de Lula, que teria pedido “dois pau pra eu” para usar sua influência num caso. Que influência, cara pálida? Alguém que, entre Petrolão, Mensalão e Quadrilhão, aceita “dois pau”? E agora houve o caso mais obscuro de todos; a pressão sobre o filho de Lula.

Vale tudo

Há pouco mais de uma semana, no dia 10, um delegado da Polícia Civil de Paulínia, SP, com três policiais armados, invadiu com ordem judicial a casa do psicólogo Marcos Lula da Silva, o mais velho dos filhos de Lula. Segundo se soube, com base em denúncia anônima, acreditavam que na casa houvesse drogas e armas. Não havia. Recolheram então dois computadores, pendrives, CDs e DVDs; foram a outro endereço, com base na mesma suspeita, e o resultado foi o mesmo: nenhum.

A juíza Marta Pistelli, que dera a ordem de busca e apreensão de “armas e drogas”, disse ter sido enganada pela Polícia Civil. Mandou devolver tudo o que tinha sido ilegitimamente apreendido e foi mais longe: disse que tinha autorizado a busca e apreensão em um endereço, não em dois.

E até agora o governador Geraldo Alckmin, PSDB, que pretende ser candidato à Presidência, talvez contra Lula, ficou mudo. Nada disse – nem ele nem seu secretário da Segurança. Abriu-se uma investigação e o delegado foi afastado do caso – aliás, de qual caso? Por que adversários de Lula tanto querem estimular sua candidatura?

Como se faz

As investigações sobre corrupção no Brasil ocorreram também em Portugal, com manobras casadas e sócios ultramarinos. Mas, em Portugal, sem delações premiadas, a acusação é completa e não dá margem à criação de vítimas (http://wp.me/p6GVg3-41C). Atingiu do banqueiro Ricardo Salgado (Banco Espírito Santo) a José Sócrates, preso enquanto era primeiro-ministro. Sócrates se diz perseguido mas ninguém lhe dá bola. Juiz e procurador podem andar tranquilos pelas ruas, sem ser reconhecidos.

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ROQUE SPONHOLZ

poupa tempo

congrécio

MERO ABORRECIMENTO

Ronald Tito Vieira do Canto


Ronald Tito Vieira do Canto

Em dezembro do ano passado, comecei a ter problema com a minha conexão de internet. Hora caía, hora ficava tão lenta, que me dava saudade da época em que a conexão era discada.

Antes de continuar, vou ambientá-los no local onde moro. A minha cidade é pequena e de baixo poder aquisitivo, portanto, as grandes empresas de prestação de serviços não têm muito interesse na captação de clientes. No meu bairro, afastado do centro, o máximo de velocidade que se consegue contratar é de 2 Mbps, maior só no Centro e entorno, mesmo assim, com o máximo de 10 Mbps, o que em grandes cidades não é mais nada.

Além da baixa velocidade, concorrência só nos Centro e bairros próximos. Mesmo assim, são apenas duas empresas, a Vivo e a Net. No meu, só a Vivo. Não temos pra onde correr.

Dito isso, voltemos ao meu martírio, sim martírio, pois já se arrasta há quase um ano sem solução.

Comecei, como qualquer otário, a reclamar com a empresa, enfrentando aquelas ligações com direito a ouvir musiquinhas e gerundismos, que todos conhecemos. Aquelas em que temos vontade de entrar pelo telefone e esganar o atendente. A cada vez, tinha que fazer testes disso e daquilo, refazer a configuração, até o Doutor Atendente chegar à óbvia conclusão de que precisaria mandar um técnico. O técnico vinha e dizia que nada de errado havia com a rede. Ligava para a central, trocava o meu par, mudava o meu perfil (seja lá o que é isso) e a velocidade voltava ao normal por algumas horas. Aí eu tornava a ligar, vinha o técnico novamente e fazia a mesma coisa num “looping” que não tinha fim.

Diga-se, a minha velocidade varia de 0,001 a 2 Mbps várias vezes ao dia, tendo horas que não carrega nem o google.

Já passado algum tempo sem solução, resolvi abrir uma reclamação na ANATEL. Pra quê?

A agência, uma daquelas que só servem pra locupletar políticos, apenas repassava minha reclamação à Vivo, que novamente mandava o técnico, que novamente fazia a mesma coisa e a ANATEL era informada que estava solucionado. Reabria a reclamação informando que a empresa mentia, e tudo continuava igual.

Não tendo mais opção, passei para a “ultima ratio” e entrei na justiça pedindo a reparação do serviço e dano moral.

Passados SEIS meses, isso porque era JEC, a sentença foi dada. A meritíssima não entendeu que houve dano moral, apenas um mero aborrecimento nas palavra dela, e mandou a empresa restabelecer a velocidade de conexão em cinco dias úteis, sob pena de multa diária de 50 reais.

Não preciso contar o que a empresa fez, para a minha narrativa não entrar em “looping”. A única diferença é que dessa vez disseram que o problema era a minha instalação, mal sabendo eles que tinha acabado de reformar a minha casa e a refiz toda usando, inclusive, o melhor cabo que existe no mercado, como eles mesmos puderam constatar. Ficaram sem argumento.

Agora, estou esperando, e bota espera nisso, a execução e o pagamento da multa e a empresa continua pouco se lixando para a decisão judicial. A realidade é que a rede está saturada (domingos e feriados piora) e creio que eles preferem pagar as multas. Sai muito mais barato do que trocar cabeamento e equipamentos.

Enfim, isso foi para demonstrar que em Banânia estamos à mercê de uma justiça sem moral  – se é assim no STF, imaginem numa JEC ? –,  entregues à própria sorte e que, quando precisamos de um serviço, com raras exceções, de péssima qualidade, sempre teremos que passar por um mero aborrecimento.

ALÔ, RECEITA FEDERAL !

Gil


Comentario antecipado: Já passam anos que os fiscais da Receita Federal deve (TEM QUE) investigar o crescimento explosivo de patrimônio dos familiares dos políticos.  Têm medo de que?  De também serem investigados?


Políbio Braga

Políbio Braga

Só em aplicações em Previdência Privada, inventário de Marisa deixou R$ 1,7 milhão

Os petistas de todos os matizes estão perplexos com os primeiros números que surgiram do inventário aberto de Marisa Letícia, a mulher de Lula, apontada como mártir da Lava Jato.

Marisa nunca trabalhou, era só do lar e pouco recatada, mas fez fortuna na companhia do marido, o esperto sindicalista e político Lula da Silva.

Ela sempre o acompanhou, mas como morreu, não poderá segui-lo até a porta da cadeia ou dentro dela.

O inventário revela patrimônio inesperado de R$ 12,7 milhões, algo impensável para um ex-metalúrgico, líder sindicalista e fundador do PT.

Só Antonio Palocci tem mais dinheiro do que a família Lula da Silva.

Além do VGBL de R$ 1,2 milhão que tinha Marisa Letícia como beneficiária, os advogados de Lula também incluíram no inventário outro VGBL (de R$ 5 milhões) que beneficiaria os filhos.

Os dois foram feitos num intervalo de apenas 8 dias – o primeiro em 28 de maio e o outro em 5 de junho. Nesse caso, a data de resgate indicada por Lula foi de 78 anos.

ESQUIZOFRENIAS DO STF

Percival Puggina – 

Percival Puggina


 Em artigo intitulado “Pantomima do STF fere a Lava Jato”, reproduzido pelo G1 em 12 deste mês, Helio Gurotivz comenta o voto da ministra Carmem Lucia que delegou ao Senado decidir sobre o retorno ou não do senador Aécio Neves à sua cadeira naquela Casa. Extraio desse texto o seguinte trecho:

“Apesar de todos os cuidados para preservar sua autonomia, o STF abriu mão da prerrogativa de instância maior na decisão de questões constitucionais, aquela que tem o direito a ‘errar por último’, como afirmou Ruy Barbosa, citado por Celso de Mello em seu voto. Evitou, é verdade, uma crise maior com o Congresso. No próximo dia 17, um Senado feliz deverá livrar Aécio das punições previstas no CPP.

Mas o STF abriu também uma avenida para livrar a cara dos políticos acusados na Lava Jato. O relator da operação, ministro Fachin, se vê limitado na possibilidade de impor punições aos corruptos. Sob o manto de preservar a imunidade garantida pela Constituição aos parlamentares, o Supremo acabou por ampliar a (já ampla) esfera da impunidade.”

 Para compreender as pantomimas em que o Supremo permanentemente se envolve, suas fraturas e animosidades internas, seus frequentes votos de Minerva em que questões seriíssimas são definidas por um voto, e seus pedidos de vistas que hibernam no aconchego das gavetas, é preciso estar ciente das funções que aquelas 11 pessoas exercem ao deliberar.

Ora como plenário completo, ora como grupos em que periodicamente 10 dos 11 se repartem, ora monocraticamente, os ministros integram um poder que acumula quatro importantíssimas funções:

• Tribunal Constitucional,
• última instância do Poder Judiciário,
• Tribunal Penal para autoridades com privilégio de foro e
• Poder Moderador.

Qualquer possibilidade de segurança jurídica e coerência entre decisões sucessivas esbarra nessa pluralidade de atribuições, notadamente quando – e sempre que – o dispositivo constitucional a ser custodiado esbarra com o bem comum ou com a melhor conveniência nacional num determinado momento. Nesses casos, se estabelece a esquizofrenia. Ora é o Direito que fala mais alto no Tribunal Constitucional, ora é a Política que se faz mais audível no Poder Moderador.

Enquanto as questões constitucionais e o bem do país, a cada feito, disputam entre si a atenção do plenário, a impunidade se espreguiça na rede da lassidão e do mais tarde a gente vê isso. Não tem como dar certo.
Na calçada oposta, o Congresso Nacional vive suas alucinações entre a PF que pode bater à porta e o pleito de 2018. Caberia e ele, Congresso, pôr ordem na casa retificando o modelo institucional para maior racionalidade. Afinal, o Congresso é o poder que representa o povo na Câmara dos Deputados e os Estados no Senado Federal. Mas qual!


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

ROQUE SPONHOLZ

e o senado vai inocentar o dono da botina perdida?

convidado, Lula aceitou presidir o conselho

“da zelite”

 

ONDE O DEBATE ACONTECE

magu

Interessante a matéria de Isto É. Eu não vi debate porra nenhuma. Só vi, num vídeo na Internet, na porta da exposição de mau gosto fechada, uma horda de hunos (eram os bárbaros asiáticos sob a chefia de Átila, que invadiram e destruiram a Europa em sua época). Um ‘repórter’ do MBL (movimento brasil livre)  foi tentar descobrir se os estúpidos sabiam qual a diferença entre boicote e censura. Obviamente os esquerdizóides não sabiam e, após algum tempo, passaram a agredir o “repórter”. Isso é o que eles compreendem sobre debate.
E, na minha opinião, não houve censura. O que aconteceu é que, diante da má percepção de parte dos espectadores, que logicamente o associava ao banco, o Santander fez outra cagada, como de hábito deles. Em vez de remover a obra, que causou a celeuma, uma putaria de Adriana Varejão, que nem precisava ser removida, apenas deslocada para qualquer sala fechada destinada apenas a adultos, o banco retirou seu patrocínio, e lógico que a exposição foi fechada. Problema do ‘cu rador’ da exposição a obra estar escancarada, com motivos de zoofilia, racismo, felação, etc. Mas não foi assim que os esquerdizóides viram. Para eles, foi pura censura. Problema de gente que tem pouco mais de um terço de espermatozóides, perdão, de neurônios que o comum dos mortais conservadores ou liberais.
Mas não vi imagens da mostra em nenhuma outra revista, salvo na Isto É. A matéria da revista, que pode ser vista em
https://istoe.com.br/onde-o-debate-acontece/
é de Paula Alzugaray (pelo sobrenome é alguém da família proprietária da revista) que também tem sua visão meio esquerdizada, pois viu alí um problema de censura. Aliás, a primeira frase, logo depois do título (no link) é um primor de esquerdismo.
Poizé, é preciso ter alguma idade para fugir dessa maneira de enxergar as coisas com base no que professores calhordas de faculdade imprimiram no cérebro dos alunos.

Caso não consigam abrir o link, a imagem do quadro está no “Leia Mais”.

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