VIA DO FATO – @&*)+#℗*¥(¨¨

Rapphael Curvo

Raphael-Curvo
Rapphael Curvo

A desastrosa atuação do governo nos seus acertos políticos nos passa o sinal de que tudo vai muito bem para encaminhamento do Brasil ao desastre. Não há mais condições de permanecer vivendo a situação que por ora passamos, estamos no limite. A falta de atitude daqueles que ainda se salvam do mar de lama é comprometedora, indica que estão submissos aos ditames dos chefes de gangues que dominam o governo e o Congresso Nacional. Pior é uma sociedade vacilante e desinformada tomando o comportamento de um avestruz, se escondendo dos fatos ao se induzir descompromissada com os acontecimentos. O mais grave é a aceitação passiva dos empresários e, principalmente, a omissão das suas instituições representativas, que deveriam estar à frente do enfrentamento a esse desmoronamento político, ético, moral e econômico. Dói na alma ver todo esse “poderio” de forças se acovardar diante desses bandos que já não respeitam mais nada e deslavadamente consomem o sangue do povo brasileiro e se infiltram até mesmo na maior Corte da Nação. Todos estão jogando no colo do Juiz Sérgio Moro a responsabilidade de restaurar a decência na vida do Brasil. É uma covardia deixá-lo sozinho nessa insana luta.

Ladrões como toda essa turma do PT que governou o Brasil, já deveriam há muito estar sendo banidos de qualquer menção na mídia e nos discursos no seio empresarial. São marginais e não merecem nenhum dedo de razão em suas justificativas, muito menos de se utilizarem de chicanas jurídicas para se safarem. Usurparam de tudo que lhes foi dado pelo voto popular, saquearam todos os poderes que lhes foram transmitidos pela confiança da população. Mentiram, iludiram e desmantelaram com ações, próprias de terroristas, toda uma estrutura que se encaminhava para o tão sonhado desenvolvimento do nosso País e que hoje está na lata de lixo. Somos uma Nação em desespero e os muitos que podem financeira e intelectualmente viver fora, estão indo embora. É um esvaziamento silencioso desses valores, são quase cem brasileiros diariamente mudando para o exterior. São pessoas desesperançadas ao perceber o lamaçal em que estão se afundando todas as corrompidas instituições do Brasil.

É vergonhoso ver a grande imprensa brasileira ainda dar espaços a essas gangues que assaltaram e ainda conseguem assaltar o Brasil. Elas fazem parte, e não há como contestar, da estratégia dos bandidos travestidos de “esquerda” que se utilizam da frustração popular e com isso criar a ilusão de que podem resolver e dar solução a todos os problemas. É uma desfaçatez e covardia com a população que pela incompetência dos governos brasileiros, é mantida cercada dentro do estábulo da ignorância. Fica fácil chegar até ela com mensagens mentirosas e enganadoras. Não se fala da cassação do registro partidário do Partido dos Trabalhadores, o foco de toda essa rapinagem cometida com o dinheiro dos cofres do povo. A população mal sabe que toda a farra, e que até o momento ainda realizam os petistas e seus apoiadores, vem do dinheiro que ela paga nos impostos embutidos nos preços dos alimentos, dos remédios, dos combustíveis, dos transportes e por aí vai.

A população não desconfiou e nem desconfia que milhares de produtos que ela compra e utiliza, como exemplo o preço das passagens de transporte municipal, tem sua origem nos custos que vem da Petrobras, assaltada que foi pelos meliantes petistas e seus apoiadores, incluso Temer. Ela, a Petrobras, para sobreviver e bancar os desvios de dinheiro pelos corruptos que ocuparam o governo, e muitos ainda ocupam, teria que aumentar os preços dos derivados do petróleo. O governo petista, em muitos períodos, não realizava esse aumento para se mostrar popular, mas não diminuía, em contrapartida, sua sanha pelo dinheiro pela Petrobras arrecadado e transformado em propinas para os detentores do Poder. O resultado foi a quebra da petroleira que ainda sangra, mas com possibilidades de recuperação. Estamos vivendo o período mais crítico dessa passagem política que vive o Brasil, é um momento crucial de definição. É aquele momento que vai nos dar a certeza do crescimento como Nação ou vai nos dar a certeza do irreversível desmantelamento de nossas instituições com sérios problemas na organização social. Ou você toma jeito ou vai tudo pra @&*)+#℗*¥(¨¨.

CUBA, UMA REVOLUÇÃO DECRÉPITA E RABUGENTA

Percival Puggina – 21.06.2017

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Percival Puggina


 Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas entre as distintas e “sólidas” convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.

 Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e – dizia-se – colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando “Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!”. A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.

Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.

No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos.Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.

Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.

O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

ROQUE SPONHOLZ


 

…o sócio oculto…


 

Tudo beleza, tudo nos trinques, tudo supimpa, tudo joia !

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2017/06/maioria-das-joias-de-adriana-ancelmo-e-sergio-cabral-esta-desaparecida.html

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Magu

 

 

 

 

 

O DIREITO AO DOCE ESQUECIMENTO DIGITAL

Há semanas que não posto Walcir, o Carrasco. Escritor e noveleiro. Mas os textos dele continuam muito bons como sempre. Vamos a este, publicado na Época de 29 de maio.
Pena que a juventude, dourada ou não, não precisa ser filho de rico para ter um smartphone de quatro mil reais. O zé mané vai na loja, se endivida até as orelhas, e compra o dito em 24 meses. Fica sendo um orgulhoso própriotário de um iPhone branco. No grupelho dele, vira importante, pois o aparato é símbolo de status. Até que o trombadão, numa esquina da vida, o alivia de tal peso, para vendê-lo depois por 30 reais e comprar 3 pedras de crack. Vamos ao texto…


Entregou o currículo. Deu uma aula teste. Encantou a direção da academia. Pediram para levar a carteira, era emprego com registro – FGTS, férias.
Dias depois, a surpresa.
– Sinto muito, seu currículo não foi aprovado.
– Mas pediram para trazer os documentos!
– Pesquisamos seu nome. Há 15 anos você fez um filme pornô.
– Bem, eu era muito novo, inconsequente…
– Os maridos das alunas não vão gostar de um personal trainer ex-ator pornô.
– Olha, depois disso eu estudei. Saí dessa.
– Qualquer um que acessar seu nome vê o filme.

A história é real. Um assassino passa anos na cadeia. Quando é solto, pode esconder seu passado. Mas, se o sujeito tiver caído na rede, não adianta. Ao procurar emprego, vão acessar seu passado. Se for casar, a noiva saberá de algum segredo muito bem oculto. Há quem prefira  expor o passado para se livrar das flechas.
– Eu era travesti, mas virei pastor evangélico.
– Temos filhos! – diz a mulher, orgulhosa.
É melhor falar de uma vez do que aguardar a explosão na internet. Nossas vidas podem ser pinçadas nos programas de busca, como o Google. Na União Europeia, em maio de 2014, decidiu-se que o Google pode ser obrigado a filtrar resultados sobre alguém. O internauta pode exigir que seu perfil no Facebook seja apagado dos servidores da empresa. Mas a lei não especifica se esse direito pode ser aplicado no caso de notícias jornalísticas. O embate entre o direito à privacidade e o direito à informação torna-se mais duro. No Brasil, a lei foi aprovada em Comissão da Câmara sob a égide de seu antigo presidente, Eduardo Cunha. Mas como Cunha deve estar agora, ele mesmo, procurando filtrar os resultados de busca de seu nome na internet, há uma indefinição. A lei brasileira seria mais autoritária. Exige a retirada completa do nome e do conteúdo sobre a pessoa. Na Europa, pessoas públicas não podem pedir o esquecimento digital. O Conselho de Comunicação do Congresso Nacional também se manifestou contra, por afetar a memória do país e a cultura. Imaginem, por exemplo, que daqui a alguns anos Lula exija a retirada de seu nome? Seria uma lacuna na história do país. O apartamento em Guarujá nunca teria existido.

E aquela apresentadora que no início da carreira participou de um filme sensual (coisa boba para os dias de hoje), o que nunca deixou de ser citado? Há um serviço que se pode contratar, especializado em esconder a pessoa no Google. Explico. É possível embaralhar dados de pesquisa. Numa pesquisa, palavras-chave são tudo. Esses profissionais criam textos com as mesmas palavras das notícias negativas, mas em outro contexto. (Não me perguntem como.) Quando alguém pesquisa o nome, os novos textos aparecem em primeiro lugar. E o fato desagradável no item 200, por exemplo. Que pesquisador chega ao 200?
Um ator há anos posou nu para uma revista masculina. A revista nem existe mais. Mas ele estava lá, no Google, cada vez que digitavam seu nome. Aquilo sumiu!
Fico em dúvida sobre a Lei do Esquecimento, ainda mais de forma tão radical. E a história do país? Mas já sofri na pele. Nem todas as publicações e sites são idôneos. Vivi duas histórias que francamente…
Certa vez, fui ao coquetel de inauguração do consultório de um amigo dermatologista. Posei para selfies com ele, assim como faço em aeroportos, eventos. No dia seguinte ao dos Namorados, um colunista carioca publicou nossa foto, abraçados, dizendo que tínhamos um relacionamento afetivo. E que havíamos jantado juntos na data em questão. O selfie parecia uma comprovação. Na tarde seguinte, programas de fofocas falaram do assunto à exaustão. Ninguém nunca me telefonou para confirmar a notícia. Nem a ele. Mas as tias, amigas, vizinhas, passaram o dia repetindo tudo para a mãe dele, evangélica. Sofreu, a mãe! Procurei um advogado. Como um relacionamento homoafetivo não é crime, também não seria noticiá-lo. Era tudo muito complicado, e não processei.
O mesmo colunista, em outra ocasião, garantiu que eu fora, com outra pessoa, a uma ilha conhecida por receber celebridades. Nem sei onde fica exatamente a tal ilha. Nunca pisei lá. Era mentira. Mais uma vez, o advogado me aconselhou a esquecer. Daqui a décadas, minha família ainda será informada que fiz farra numa ilha.
As pessoas têm direito à privacidade. A recomeçar uma nova vida.
Mas estar na internet é uma pena perpétua.

DE BORBOLETA A LAGARTA

Percival Puggina – 18.06.2017

puggina

Percival Puggina


 A transformação da lagarta em borboleta é de exemplar riqueza poética e estética. A lagarta é feia, a borboleta bonita; a lagarta se arrasta sobre o próprio ventre, a borboleta adeja livre; a lagarta se esconde, a borboleta domina o cenário com sua irrequieta presença. Mas a lagarta e a borboleta não têm escolha. Aquela não pode deixar de evoluir; esta não pode regredir. Se fosse dado as borboletas reverter seu destino, as que fizessem isso cumpririam um script corrupto, sombrio, insano.

Homem e mulher nascem como obras-primas do Criador, mas têm a faculdade de eleger para si mesmos o destino das lagartas. E creio que nunca como nestes tempos tais escolhas se fizeram de modo tão radical; jamais, para inteiro descrédito da borboleta, se exaltou tanto a lagarta que existe em nós!

Comecei estas linhas relendo uma crônica com o mesmo título, escrita há 20 anos. Pretendia escrever, de novo, sobre os males da droga, que encontra defensores de sua liberação, que é propagandeada por roqueiros de prestígio, que tem representação política e leva às ruas multidões em marchas pela maconha. É raro o dia em que a droga não está na mídia – e quase nunca para advertir contra seu uso. E ela vai chegando a toda parte, viciando, afetando cérebros, destruindo carreiras e famílias, convertendo escolas em centros de tráfico, diminuindo a percepção e a motivação, arrastando à marginalidade, matando e produzindo assassinos, corrompendo, calcinando afetos e transformando borboletas em lagartas que se arrastam no implacável e dilacerante casulo do vício. Inferno!

Pois era sobre isso que pretendia escrever quando me sentei diante do teclado, mas percebi que a questão é mais ampla. A opção pelo casulo e pela vida da lagarta é, sobretudo, uma sucessão de renúncias – à beleza, à bondade, à verdade, à virtude. Não deixa de ser curioso que tais repúdios se façam, quase sempre, em nome desse dom esplêndido que é a liberdade, tão perceptível no voo das borboletas.

Poucos autores penetraram tão profundamente quanto Dostoiewski nos meandros soturnos da mente e do agir humano. Mas esse mergulho nos casulos onde o mal opera insidiosas transformações era, ao mesmo tempo, uma convocação à beleza que aparece – tão nítida! – neste vaticínio proferido em O idiota: “A beleza transformará o mundo”. O mal e suas forças sabem-no perfeitamente. Por isso, arrastando criaturas que não lhes pertenciam, rompem com toda harmonia; inspiram a negação do belo e, mais do que isso, buscam o hediondo; levam às esquinas e praças monumentos impossíveis de contemplar; produzem músicas inaudíveis; põem nas ruas multidões de detratores da beleza, pichando, vandalizando, enfeando as cidades; deformam fisionomias humanas com procedimentos mutiladores e se comprazem com exposições em que a arte não passa pela porta. Sobretudo, buscam apagar Deus da cultura, porque ele, sendo infinito Amor, é o belo absoluto.

Quando vejo tanta opção fundamental pelo vício, pela mentira, pela maldade, não posso deixar de pensar que tais seres nasceram borboletas e viveram, todos, aquele momento sublime em que os bebês contemplam o movimento das próprias mãos como o mover de borboletas chamando a um futuro de beleza.


* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site http://www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

ROQUE SPONHOLZ

de segurança máxima

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DE ESPANTO EM ESPANTO, AOS SOLAVANCOS, LÁ VAI O BRASIL

Maria Helena R. R. de Sousa – 02/06/2017

Maria Helena RR de Souza

Maria Helena RR de Souza


Artigo publicado originalmente no Blog de Ricardo Noblat.

O novo Ministro da Justiça, Torquato Jardim, o terceiro em 12 meses, afirma que o Brasil é institucional, não é caudilhesco, nem personalista e que, portanto, não depende de pessoas. Que bom seria se Jardim tivesse razão… Mas o simples fato dele ser o terceiro nome a comandar a pasta da Justiça em tão pouco tempo já o desmente. Se não dependesse da pessoa que ocupa a pasta, por que trocá-la em tão pouco? Só para esclarecer o leitor: os anteriores não faleceram, graças ao bom Deus. Saíram do ministério, apenas. Um foi para o STF e o outro voltou às origens, à Câmara dos Deputados.

Volto ao terceiro ministro. Sua primeira entrevista após a posse foi um espanto. Não sei se é de sua natureza levar as coisas de modo leve de modo a dar a impressão que são menos sérias do que parecem, ou se tentou ser engraçado para aliviar o clima carregado lá no Palácio do Planalto. De qualquer jeito, a mim me espantou ver um Ministro da Justiça fazer piada (por sinal, fraquinha…) com a Segurança Pública ao dizer que desse tema só conhece “os assaltos sofridos por ele e duas tias”. Que tal?

Foi uma piada boba, mas vamos deixar isso pra lá. Pior foi o ministro declarar a respeito de doações a políticos em campanha eleitoral:  “Eu não discuto essa questão da origem, se a origem é caixa 1 ou é caixa 10. Eu quero saber se entrou contabilizado no comitê do candidato, no comitê partidário de campanhas, se entrou conforme a lei.”

Não é  um espanto ouvir um Ministro da Justiça contrariar a opinião da Presidente do Superior Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia,  que já disse e redisse, inúmeras vezes,  que “Caixa dois é crime e agressão à sociedade”?

Quem sabe ele esqueceu da bela frase de Winston Churchill: “A verdade é incontroversa. Pode ser atacada pela malícia, ridicularizada pelo desconhecimento. Mas, no final, lá está ela, brilhante como a Estrela de Belém”.

Segundo li nos jornais, o novo ministro é carioca. Se para ele tanto faz o dinheiro vir de caixa 1 ou caixa 10, desde que esteja contabilizado no comitê eleitoral dos partidos, gostaria que ele dissesse se não lhe dói na alma ver o Rio no estado em que está. Registrar a doação nos comitês eleitorais dos partidos não deve ser muito difícil, pois todos os acusados de uso de caixa 2 dizem que seu dinheiro está bem legalizado.

Torquato Jardim era o Ministro da Transparência, ministério cujo endereço ninguém conhecia. Pelo menos foi o que ele disse na entrevista ao jornal O Globo.  Agora já não tem mais essa desculpa. Todos sabem onde fica o Ministério da Justiça. Num belo prédio, aliás. Onde eu espero os espantos diminuam de intensidade e que o respeito ao que de melhor aconteceu em nosso país, a Operação Lava Jato comandada pela brilhante Polícia Federal sob a direção do procurador Leandro Daiello, possa nos ajudar a fazer o Brasil abandonar os solavancos e caminhar tranquilo em direção ao arco-íris.

Assim espero.