A OPOSIÇÃO

Gil


Antes mesmo de começar a ler o artigo do Alexandre Garcia, ainda no título, lembrei Millôr Fernandes:  “Imprensa tem de ser oposição. O resto é secos e molhados.”. Mas Millôr nunca defendeu que oposição tenha de ser destrutiva. Apontar erros que podem ser corrigidos é construtivo. E oposição que não se identifica é só canalha.


Alexandre Garcia

Alexandre-Garcia
Alexandre Garcia

Engana-se quem pensa que a oposição será o PT. Talvez seja apenas a oposição mais evidente, mais barulhenta, mais exposta com suas ameaças. Nisso, o PT parece que vai estar acompanhado pela PSOL e seus coadjuvantes do MST e MTST, e só. Pelo que se tem visto, o PDT, o PSB, o PC do B, o PTB, querem ficar um pouco distantes, porque perceberam o quanto as urnas revelaram de antipetismo – e não querem também ser alvo dessa onda. Pois bem; o PT vai fazer oposição, mas certamente não será essa a resistência que mais vai dar trabalho ao governo.

A mais forte oposição será silenciosa, sub-reptícia, forte, eficiente, de todos os que não querem perder privilégios, mamatas, garantias, direitos adquiridos mas não merecidos. É aquele pessoal convicto de que conquistou a boquinha e já tem estabilidade nela. Gente que está tanto dentro do estado como fora dele. São alguns poderosos, donos de parte do estado brasileiro; são partidos, que têm seus cartórios dentro de ministérios e estatais; são os milhares de comissionados que nunca prestaram concurso; são os que estão de olho em suas estabilidades, aposentadorias integrais, auxílios de todos os nomes. São os donos dos caminhos secretos do serviço público; são os cafetões e leões-de-chácara que vendem os prostituídos do estado brasileiro. Esses vão fingir que aplaudem o novo governo, pois é de sua essência aplaudir, mas o que querem é assegurar o botim.

Bolsonaro e seus auxiliares vão ter muito trabalho com essa oposição camuflada, blindada e bem armada. Paulo Guedes vai pegar uma pedreira com os subsídios, os favores fiscais, os protecionismos dos bem-aventurados protegidos do estado brasileiro. Sérgio Moro vai descobrir sujeitos do direito por toda a parte e poucos dispostos a cumprir antes seus deveres. Joaquim Levy vai ter que lidar com os apadrinhados do BNDES. Os líderes do governo na Câmara e no Senado vão penar com os aliados que apoiam o governo mas não apoiam as medidas necessárias que venham a ser propostas para que todos sejam iguais perante a lei, sem foros privilegiados e sem proteção para delinquir.

RAIVA

Quem vê o estado inchado, nos três poderes, voltado para si mesmo, no pedestal fora do alcance dos brasileiros comuns, com muita, muita gente, não tem como deixar de perguntar: produz o quê? Bons serviços públicos? Boas leis? Boa justiça?

Ou tem por finalidade manter seus privilégios, servindo a si em lugar de servir ao povo brasileiro?

Não estou inventando essas perguntas. Elas tem sido feitas nas redes sociais e nas ruas há cinco anos, e foram se tornando cada vez mais eloquentes, até que troaram nas urnas como um terremoto.

Há pouco, quando o Senado, mostrando como funciona essa oposição, surpreendeu o país elevando o teto do Supremo e de todos no serviço público, os protestos voltaram à Avenida Paulista.

Os 41 senadores que criaram o novo teto, não votaram contra 

Bolsonaro, que vai ter que pagar; votaram contra os brasileiros, que realmente pagarão. Esses é que são o alvo dessa oposição que quer manter o seu quinhão no Brasil que deveria ser de todos.

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UMA ABOBRINHA ANTIGA

magu

Já ouviram falar do Huffpost? É um site agregador de blogues surgido nos EUA, antes chamado de The Huffington Post, agora com filiais em vários países. Como ex-editor deste nosso blog, sempre dou uma olhada na página deles. Hoje, acabei encontrando este artigo(?), publicado em março de 2016. É a opinião de um tal de Francisco Toledo, segundo informação no site é fotojornalista e co-fundador da agência Democratize, uma plataforma digital para arrecadar fundos para políticos. Bem, pelo visto, ele tem lado. E, como dizem os italianos, é da sinistra…

No rodapé do Huffpost onde peguei a matéria, está o seguinte aviso: *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade”.

É um belo trabalho do Huffpost, pois podemos rever opiniões boas e outras péssimas, como esta que vou publicar. Não posso sugerir ao autor enfiar a língua no cu, pois sei da impossibilidade. E não seria ‘politicamente correto’ (risos).
Mas sempre pode caber o lápis ou a caneta. Ou ainda, algumas teclas do teclado, principalmente a da barra de espaço, que é mais longa. E, de repente, sei lá, ele goste…


CALMA ! O BOLSONARO NÃO SERÁ PRESIDENTE
02/03/2016 11:11 -03 | Atualizado 30/10/2018 07:53 -03

Existe um temor na sociedade que a figura do deputado federal Jair Bolsonaro (PP) acabe se potencializando para as eleições de 2018, por conta da tal “onda conservadora” que ilustra as ações do Congresso e da política atual em geral. Não, isso não vai acontecer. E vamos explicar o motivo.

O deputado Bolsonaro representa o típico político do século XX: um tanto quanto esperto, utiliza da demagogia política para conseguir atrair uma base de apoio sustentável, além de utilizar de um fator clássico tanto da esquerda quanto da direita no século passado, que é o culto a personalidade.

Analisando o seu discurso e suas propostas em décadas de política em Brasília, teremos certeza sobre o parágrafo acima: a revogação do estatuto do desarmamento (sem mais detalhes, apenas três palavras e uma série de aplausos e gritos como “Bolsomito!”); um discurso claramente populista contra a corrupção (varre, varre vassourinha, lembram?); o velho paradigma cristão do “bem versus mal” (cidadãos de bem, uni-vos contra os malvados!) e claro, falando em religião, a perseguição com base demagoga apoiada na “fé” contra minorias como a comunidade LGBT, entre outros.

Não existe qualquer projeto político especificado e detalhado por Bolsonaro, e sim discursos fervorosos que conseguem animar pessoas que são facilmente influenciadas por diversos motivos: cansaço com a política tradicional, falsa sensação de insegurança, depressão, não aceitação pela sociedade e tantos outros fatores que já puderam ser registrados em outros tempos, como no ápice de sociedades autoritárias na Europa, onde vimos por diversas vezes o surgimento da imagem do “salvador”.

Vale lembrar que o deputado costuma mudar sua “roupagem” conforme dita a atualidade. Nos anos 90, criticava abertamente o governo Fernando Henrique pelo descaso com o patrimônio público representado pelas estatais, que foram privatizadas em sua administração. Na época, houve uma enorme mobilização, quase que unânime, de diversos setores da sociedade contra as políticas neoliberais do governo tucano. Mas foi nos anos 2000 que encontrou, talvez, o seu maior trampolim político: a causa LGBT.

Mas então, por que devemos seguir o conselho do título do post?

Levante e Brilhe contra a transfobia!!!!Jogamos glitter no Bolsonaro!!!!Fora transfobia!!!#BrilhoSimBolsoNão #PurpurinaNoBolsonaro
Publicado por Levante Popular da Juventude em Terça, 26 de janeiro de 2016

Neste ano, um grupo formado por estudantes chamado Levante Popular da Juventude resolveu partir pra ação direta contra o deputado Bolsonaro, em uma visita a Porto Alegre. A ação focou nas declarações homofóbicas do conservador, com ativistas jogando confetes e glitter no deputado enquanto ele era recebido por repórteres e mídia.

O escracho feito pelo Levante, obviamente, chamou a atenção dos meios de comunicação e virou notícia. Daí veio aquela velha guerra entre bem e mal, com um lado representado por aqueles que acharam super engraçado e aprovaram a atitude dos ativistas, e o outro criticando a ação por ser “desrespeitosa” ou até mesmo “violenta”.

Não demorou muito para esquerda começar a brigar com a mesma esquerda sobre o fato. Movimentos mais ortodoxos e tradicionais da esquerda criticaram a ação do Levante por ser “leve demais, pouco representativa e não combater de fato o fascismo representado pelo deputado”. Outro setor da esquerda, mais “paz e amor, pós rancor” criticou a ação exatamente pelo contrário — achou violento demais, e que isso só serviria para que o deputado se autopromovesse.

No final das contas, cada lado tem um pouco de razão e um pouco de erro sobre a abordagem dos fatos.

Não existe qualquer motivo suficiente para temer a imagem de Jair Bolsonaro. Pelo menos no sentido representativo para as próximas eleições.

Apesar dele conseguir atrair “multidões de 50 a 100 pessoas” por onde passa, é só isso. E ele sabe disso. Não por acaso, ostenta o mesmo cargo por décadas, mesmo sabendo do apoio dos seus simpatizantes para que ele tente ocupar o Planalto com a presidência, ou até algo menor como o Senado, o governo ou prefeitura do Rio de Janeiro. Jair Bolsonaro sabe que não pode cair em “aventuras” por conta dos seus prováveis e seguros 2% de votos que teria em uma eleição nacional para a presidência, correndo o risco de perder seu assento no Congresso — que é, afinal, a única coisa que o mantém na mídia até hoje.

Sim. Vivemos em uma sociedade amplamente religiosa e um tanto quanto conservadora por conta disso mesmo. Mas isso não é o suficiente para elegermos um lunático fanático de extrema-direita para o cargo mais importante do país. E existem vários motivos que tornam isso cada vez mais claro.

• Ele provavelmente não contaria com uma base de apoio consolidada no Congresso para um possível governo — imaginando um cenário ainda mais difícil do que o encontrado por Dilma Rousseff hoje. E como a história já mostrou ao mundo, em uma democracia ninguém governa com minoria no Parlamento.

• Por mais que a Internet e as redes sociais estejam repletas de imagens, notícias e memes de Bolsonaro, a opinião pública não sabe ao certo quem ele é. Claro, boa parte do trabalhador mediano brasileiro sabe que ele é “o cara que não gosta dos gays”, mas ok. O que além disso? Bolsonaro, por conta do seu discurso, conseguiu consolidar uma base de apoio, mas ao mesmo tempo por conta disso não conseguirá expandir seu horizonte se não se livrar disso.

• Peguemos como exemplo o Lula de 1989 e o Lula de 2002. Nos anos 80, o petista ainda defendia algumas pautas claramente polêmicas, que tinham apoio de certa camada da sociedade, mas não o suficiente para conseguir o cargo pretendido. Perdeu. Em 2002, com uma “versão light”, conseguiu o que queria, mas teve que abdicar de várias teses e propostas até então defendidas por ele, passando de um possível extremo para algo meio que “centro esquerda level soft”. Para conseguir se eleger, Jair Bolsonaro deve seguir o mesmo caminho. O problema é que seguindo por esse trajeto, o deputado deixa de ser quem ele é hoje, logo então perdendo apoio daquela base que o tornou quem é.

• A maioria das propostas de Bolsonaro caminham na direção contrária a sociedade em geral. Enquanto os Estados Unidos falam, enfim, sobre o desarmamento, o deputado conservador brasileiro fala em revogar o estatuto. Enquanto a Europa e países da América Latina caminham pela legalização da maconha, ele vai pelo lado contrário. Enquanto o mundo ocidental se torna cada vez mais aberto ao casamento por pessoas do mesmo gênero, Bolsonaro continua batendo na tecla da homofobia.

• E pra finalizar: setores importantes da própria direita não compactuam com o deputado. A direita “mais liberal”, aquela que adora o livre mercado e não suporta intervenção estatal, conhece bem o discurso intervencionista de Bolsonaro. E não só isso, sabe muito bem que pautas como aborto, descriminalização das drogas e casamento LGBT são defendidos no resto do mundo pela direita liberal “paz e amor”. Vale lembrar que esse tipo de linha política é hoje representada pelo Partido Novo, e cresce cada vez mais entre os poucos jovens que aderem com políticas de direita no Brasil.

Enfim, são muitos os motivos para dizer: CALMA! O Bolsonaro não vai se eleger em 2018, nem em 2022, nem nunca. Para conseguir algo do tipo, só um “milagre lulístico”. Não é impossível. Mas é muito, mas muito improvável.
É claro que devemos nos preocupar com as declarações de Bolsonaro por conta de seu discurso do ódio, que acaba impulsionando ataques contra membros da comunidade LGBT ao redor do Brasil. Pra isso, ações diretas como a planejada pelo Levante são essenciais.

Agora, se a esquerda quer de fato derrubar a “ameaça fascista que paira sobre o Brasil”, uma dica: existe uma instituição chamada Polícia Militar, que basicamente segue práticas fascistas contra a sociedade, segregando e perseguindo, além de maltratar e manipular seus soldados dentro da própria corporação, com salários pífios, treinamentos desumanos e uma política de hierarquia que impossibilita greves, discussões sobre política, entre outros.

 

 

ROQUE SPONHOLZ

de volta ao SPA…


 

AS REGRAS DO JOGO

Carlos Brickmann

Coluna Carlos Brickmann – 18/11/18

Em boa parte dos meios jurídicos, o depoimento de Lula à Justiça não foi bem visto. Com a oportunidade de ver sua defesa divulgada na íntegra para todo o país, teria tido atitude prepotente, ao tentar interrogar a juíza Gabriela Hardt – o que lhe valeu uma resposta dura – e ao por em dúvida o tema do julgamento, algo que seus defensores devem ter-lhe informado.
Pode ser – mas o que aconteceu em Curitiba é que Lula não estava nem um pouco interessado em melhorar sua posição como réu. Seu objetivo, e não é de hoje, é político, não jurídico: é reforçar sua imagem de Salvador da Pátria e Defensor Perpétuo dos Pobres, impedido pelos poderosos, que não gostam de misturar-se à plebe nos aeroportos, de voltar à Presidência da República. Para ele, toda a questão jurídica se resume nisso: a Justiça é o instrumento de seus adversários para evitar seu grande retorno, vitorioso no primeiro turno. Lula jamais ganhou eleição presidencial no primeiro turno. Mas, já que não disputou mesmo, que mal faz proclamar a vitória?
O problema é que essa tática beneficia apenas Lula e fere seu partido. Fingir que Lula seria candidato, sabendo que não seria, custou ao PT uma pesada derrota nacional. Se Lula tinha mesmo a força que acha que tem, não precisaria fingir: bastaria dizer que, como a Justiça o perseguia e o impedia de disputar, Haddad seria seu candidato. Mas não buscava a vitória do partido: buscava, e para ele isso era o importante, crescer como lenda.

Rei morto, mas vivo
Nossa História está cheia de salvadores que só não nos levaram ao Paraíso porque algum inimigo do povo os bloqueou. Em Pernambuco, havia o “chá de Arraes”: o cidadão pegava uma foto de Miguel Arraes, fervia e guardava a água. O chá era milagroso, curava qualquer doença. Getúlio Vargas, falecido há muitos anos, foi usado por grileiros que procuravam posseiros e lhes davam algum dinheiro, “por ordem do dr. Getúlio”. O posseiro assinava o recibo com a impressão digital – e o recibo era o documento de compra e venda da terra. Muito antes, houve Dom Sebastião, rei de Portugal: morto em batalha na África, criou-se a lenda de que um dia voltaria. Lula tem tudo, até a imagem de amigo dos pobres,  para virar lenda. É nisso que aposta. E espera que o PT trabalhe para isso.

Por outro lado
O antigo presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, está preso por envolvimento no Mensalão tucano. Paulo Preto, engenheiro de destaque em governos tucanos, é investigado na Suíça. Surge agora outra investigação, na Suíça, de uma movimentação equivalente a R$ 43 milhões. O nome dos envolvidos não foi divulgado. A origem dos recursos, informam os suíços, é uma campanha presidencial tucana.

Se gritar…
Muda o partido, mudam as alianças, há gente que passa o tempo falando da corrupção (dos adversários), mas é impressionante: sai uma minhoca a cada enxadada. Como diria o sábio Sílvio Santos, quem procura acha.

Nome de peso
Foi um sucesso o nome do presidente do Banco Central escolhido pelo presidente Bolsonaro: Roberto Campos Neto, descendente de um dos criadores do Banco Central e ministro do Planejamento de Castello Branco, Roberto Campos. O ministro foi tão lembrado que, em algumas páginas de noticias, havia mais fotos dele do que do neto. Algumas lembranças foram equivocadas. Afinal, Campos deixou o Planejamento há 51 anos.

É mas não foi
O primeiro engano é dizer que Campos foi um guru do liberalismo brasileiro. É verdade: perto do que havia na época, Campos era ultraliberal. Mas não é verdade: ele trabalhava com controle de preços. Lembram também de Campos como economista. Não: era diplomata e historiador.
Nada que tenha a menor importância. Campos entendia de economia e, homem culto, conhecedor de História, sabia qual o destino dos países cheios de controles. Tinha humor refinado. E como escrevia bem!

Caso médico
Com a saída dos médicos cubanos, haverá problemas de atendimento ou a substituição será simples? Os cubanos, como funcionários públicos, ganhavam aqui o mesmo salário dos que ficaram em Cuba, ou eram explorados, porque dos R$ 11 mil mensais pagos aqui só podiam ficar com R$ 3 mil?  Este colunista já encontrou as duas versões. Uma reportagem do Huffington Post traz boas entrevistas com médicos cubanos. Em https://www.msn.com/pt-br/noticias/politica/eu-amo-o-meu-pa%C3%ADs-mas-n%C3%A3o-quero-voltar-a-situa%C3%A7%C3%A3o-de-m%C3%A9dicos-cubanos-no-brasil/ar-BBPKCi1?li=AAggXC1&ocid=mailsignout&fbclid=IwAR1NLnRT1gL9A7jw8mlM9VuH8o7jd7B4lQc9OwADOfvOTmlZQK0dQEPUzuw

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A TURBA PROGRESSISTA

Rodrigo Constantino, na Isto É (e Facebook)


constantino

Rodrigo Constantino

A política está muito polarizada e em clima de guerra tribal. Lemos isso o tempo todo. Mas de quem é a culpa? A julgar pela mídia, seria da direita preconceituosa e fascista. O máximo que os “isentões” aceitam é uma equivalência moral: tanto esquerda como direita precisam recuar no tom da retórica. Mas e se a esquerda se mostra cada vez mais radical e o outro lado apenas reage?

Um exemplo pode ilustrar melhor o ponto. O filósofo britânico Roger Scruton é um lorde em sua postura, um verdadeiro cavalheiro. Procura focar sempre nos argumentos e com muita educação, tentando enxergar no lado adversário boas intenções. Jamais alguém como ele poderia ser incluído na lista dos raivosos e intolerantes. Não obstante, até mesmo Scruton foi alvo da ira orquestrada dos esquerdistas.

Theresa May criou uma comissão para avaliar a beleza arquitetônica dos novos projetos de casas populares do governo. De beleza e de arquitetura Scruton entende bem, e escreveu um ótimo livro sobre isso. Minutos após seu nome ser indicado, porém, os ataques começaram. Em pouco tempo já havia uma espécie de linchamento público pedindo sua cabeça, e a pressão foi tanta que ele pode ser demitido.

A turba ensandecida encontrou pretextos em episódios isolados e retirados do contexto, para pintar Scruton como um “islamofóbico” e até como um antissemita, pelas críticas que fez na Hungria ao judeu socialista George Soros. O Partido Trabalhista jogou lenha na fogueira, ignorando seu líder de extrema-esquerda, Jeremy Corbyn, esse sim um antissemita escancarado.

E eis que na avançada Inglaterra um dos mais brilhantes intelectos da atualidade é massacrado pelo politicamente correto e tratado praticamente como um nazista. Se alguém como Scruton recebe tal tratamento, o que esperar dos que realmente flertam com a “supremacia branca” e o nacionalismo exacerbado?

A tática é velha, mas tem se intensificado. Não importa quem está à direita dos socialistas, sempre será tratado como um extremista de direita. Se foi Trump recentemente, antes o bastante moderado Mitt Romney ou o quase democrata John McCain foram alvos dos mesmos rótulos. Se Bolsonaro de fato é mais autoritário e de direita, mesmo os tucanos de esquerda foram acusados das mesmas coisas pelos petistas.

Se todos que não são “progressistas” radicais se tornam “fascistas” na boca dos esquerdistas, então quando um fascista aparecer mesmo ninguém vai levar a sério o alerta. E essa conduta desperta a revolta dos moderados. Afinal, se até alguém como Scruton é massacrado pela máquina de moer reputações da esquerda, qual o incentivo para adotar uma postura decente e conciliatória?

Graças à esquerda, pensadores como Scruton perdem espaço para tipos realmente truculentos e intolerantes.

Se todos que não são “progressistas” radicais se tornam “fascistas” na boca dos esquerdistas, então quando um fascista aparecer mesmo ninguém vai levar a sério o alerta.

ROQUE SPONHOLZ

cananização


 

de quem?


alegria, alegria


 

CHILIQUES

magu

josé nêumanne pinto

O sempre bom paraibano José Nêumanne Pinto (quem foi que disse que eu não gosto de nordestino?), um ás no jornalismo, também poeta e escritor brasileiro, editorialista do jornalão. O gostoso é que ele diz aquilo que ‘a gente’ gostaria de dizer, se fossemos lido por tanta gente quanto o Estadão. Não à toa, uma de suas colunas chama-se Direto ao Assunto, esta que lhes apresento:


ESTADÃO – 16/11/2018

CHILIQUES DE DERROTADOS
Esquerda vencida torce narizinho para Ernesto Araújo no Itamaraty e Roberto Campos Neto, cujo avô é ícone da economia liberal no Brasil, na presidência do Banco Central, antes até do governo Bolsonaro começar.
Mercado apoiou anúncio de Bolsonaro da nomeação de Roberto Campos Neto, cujo avô é ícone da economia liberal no Brasil, para a presidência do Banco Central e da manutenção do economista Mansueto Almeida na Secretaria do Tesouro Nacional. Mas corredores do Itamaraty fervilharam com a indignação das candinhas de esquerda de sempre e de coleguinhas dos meios de comunicação aflitos com mais esta evidência da derrota eleitoral da esquerda contra indicação do embaixador Ernesto Araújo para chanceler. Reclamaram de que o indicado nunca ocupou uma embaixada importante, como se Fernando Henrique, ministro de Itamar, tivesse sido ao menos diplomata. Ora!

1 – A manchete do Estadão desta sexta-feira é “Bolsonaro escolhe perfil técnico para comandar o Banco Central”. Quais são os sinais que, a seu ver, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, dá ao anunciar Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central e a permanência de Mansueto Almeida na Secretaria do Tesouro Nacional?

2 – Você acha que se justifica a celeuma criada no Brasil e no exterior com o anúncio de que o novo chanceler vai ser o diplomata de carreira Ernesto Araújo porque ele publicou textos favoráveis a Trump, elogiou Bolsonaro e não ocupou ainda nenhuma embaixada de relevância?

3 – O que você tem a comentar no caso do abandono pelos médicos cubanos dos postos que ocuparão até o fim do atual governo no programa Mais médicos por causa das críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro ao fato de o salário deles ser pago ao governo cubano e não aos profissionais contratados e que prestam serviços no interior do País?

4 – O que você acha que pode haver de errado a equipe de transição sob o comando do futuro ministro de Economia, Paulo Guedes, e de alguns generais estar preparando um relatório sobre os abusos cometidos pelas administrações petistas no chamado aparelhamento dos bancos públicos e de empresas estatais?

5 – Você concorda com a afirmação feita pelo presidente Michel Temer em seu pronunciamento oficial de comemoração dos 129 anos da proclamação da República de que está entregando um país a seu sucessor muito melhor do que o que ele recebeu da antecessora, Dilma Rousseff?

6 – Faz algum sentido para você a crítica feita por Lula aos policiais, procuradores e juízes federais da Operação Lava Jato de que, se não fosse o que ele chama de perseguição deles, ele teria vencido a eleição no primeiro turno, conforme demonstravam as pesquisas de opinião?

7 – Qual será, a seu ver, o resultado da votação no Congresso Nacional do projeto, caro aos eleitores de direita que estão comemorando a vitória de seu candidato Jair Bolsonaro, da Escola Sem Partido? Esse pleito tem futuro ou não dará em nada como muitos outros temas polêmicos ainda em discussão no Congresso e no Supremo?

8 – O que de interessante o correspondente do Estadão em Genebra, na Suíça, Jamil Chade, está contando a respeito das investigações da promotoria na Suíça sobre crimes financeiros cometidos pelos tucanos de alta plumagem da elite social-democrata no Brasil?