ROQUE SPONHOLZ

aqui se faz, aqui se paga…

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Salvador Dali

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MIGUEL

a única verdade que ele disse…

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DEZ MILHÕES DE MOTIVOS PARA CHAMAR PETISTAS DE LOUCOS FANÁTICOS

Rodrigo Constantino – 21/07/2017

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Rodrigo Constantino

Vários pensadores viram que o comunismo era uma seita religiosa adaptada, que em vez de prometer o paraíso celeste, prometia aquele terrestre mesmo. Mas as características eram todas de uma seita, com a ideologia no lugar da religião, mantendo o restante: os crentes, os hereges, os dogmas, os santos, os demônios, o Deus.

O petismo é, no Brasil, o representante maior desse fenômeno. Quem adotar o cinismo como ferramenta e concluir que todos os petistas são simplesmente canalhas e oportunistas estará deixando um lado da coisa de fora da análise. Um lado importante, que explica, por exemplo, como gente pobre, que não ganha diretamente nenhum benefício do PT ou não participa do butim após a pilhagem que a quadrilha faz do estado, permanece como crente fiel da seita.

Quando o juiz Sergio Moro congelou mais de R$ 600 mil da conta particular de Lula, o guru da seita, já era para essa turma pausar para reflexão: que tipo de “pai dos pobres” tem tanto dinheiro em liquidez no banco? Mas mal deu tempo de se criar a dissonância cognitiva e lá veio mais: foram congelados nove milhões de reais de Lula e sua empresa em contas de previdência privada. Nove milhões!

Parêntese para a ironia do número: um milhão para cada dedo do ex-presidente, e mais uns quebrados, o mesmo que ele pegou em anos de prisão na condenação em primeira instância pelo triplex que ganhou como propina no Guarujá. O deputado do PSOL Jean Wyllys, que levou a sério a piada de que Moro deu esta sentença por causa dos dedos de Lula, poderia agora reclamar da quantia congelada também, alegando que se fosse outro teria dez milhões bloqueados. Fecho parêntese.

A notícia deveria ser um choque, um momento de epifania, de despertar, algo como um vídeo de um bispo rindo num iate enquanto ensina seus pastores a pegar mais dinheiro de trouxas para um crente evangélico daquela seita. Mas os petistas não se abalam. Sequer passa por suas mentes como foi que Lula ficou tão rico, e se isso não vai contra toda a sua narrativa igualitária, ou sua imagem de representante da “senzala” contra a “casa-grande”, as “elites”.

Imediatamente após a notícia já tinha petista propondo vaquinha para ajudar o ex-presidente. Isso mesmo: gente pobre disposta a pegar do próprio bolso R$ 10 para contribuir com seu líder, afirmando que tudo não passava de uma estratégia de Moro para que Lula não pudesse pagar seus advogados de defesa. Não vamos esquecer que José Dirceu, também condenado, também milionário, também fez vaquinha e levantou recursos com os petistas.

É preciso convocar psiquiatras, ou melhor, teólogos ou então demonólogos (mais apropriado) para analisar o fenômeno. Só assim é possível compreender a persistência do PT mesmo depois de tudo. Lula é um nababo, que leva a vida de um magnata, em jatinhos particulares, em coberturas na praia, em grandes sítios, entre empreiteiros e banqueiros como “amigos”, tomando os vinhos mais caros, gastando milhões como quem não se importa jamais com o conceito de escassez. E esse sujeito ainda repete que luta pelos pobres contra as elites. E uma ala dos pobres acredita!

Uma das explicações poderia ser a de “mulher de malandro”, aquela que apanha e volta para pedir mais. Ou seja, esses petistas seriam como as namoradas de picaretas que ficam encantadas com o cafajeste e o defendem por aí, como adolescentes apaixonadas, não importa o que eles tenham feito com elas ou com terceiros. Há, ainda, a possibilidade de uma parte do povo se identificar com seu Macunaíma, o herói sem caráter, e ver em Lula aquilo que, no fundo, gostariam de fazer também: se dar bem não importa como. Mas ainda acho que o grosso da explicação é o fenômeno religioso mesmo. Como Gustavo Nogy explicou:

Além dos 600 mil reais, agora a justiça bloqueia aplicações de aposentadoria privada do Lula no valor aproximado de 9 milhões de reais. Quase 10 milhões de reais tem o presidente imaculado que não sabe, não deve, não teme. Que nasceu pobre, cresceu pobre, continua pobre. O lulopetismo depende de credulidade, fidelidade e disciplina. O lulopetismo exige a coragem para apostar alto como um Pascal em bingo; exige a coragem para saltos de arrepiar os cabelos de qualquer Kierkegaard. Tenho admiração por gente assim tão religiosa. Amém.

Não, meus caros leitores, não é possível explicar tudo com base na canalhice. É crucial usar o prisma religioso também. O PT veio substituir as religiões, para muitos, nessa necessidade inata de pertencer a algo maior, de se diluir em meio a um todo de forma a dar propósito para a vida, de abandonar o egoísmo profano em busca de algo mais elevado e sagrado. O problema, claro, é que no caso do PT tudo não passa de uma farsa, um engodo, uma falsa religião, cujos ídolos possuem pés de barro.

Sempre que a religião vai parar na política, aliás, isso acontece. Não é o local para a busca do sagrado, dos santos, da perfeição. O resultado acaba sendo invariavelmente este: a extrema decepção e desilusão para aqueles que conseguem abrir os olhos para a realidade, e um cenário desolador de alienação daqueles mais limitados, fanáticos, que insistem no autoengano, passando vergonha alheia ao defender alguém como Lula em nome dos pobres contra os ricos, chegando ao absurdo de tirar do seu próprio bolso parte do seu dinheiro para ajudar o “coitado injustiçado”.

Sim, aquele mesmo, que tinha 600 mil de bobeira na conta corrente, mais 9 milhões em poupança, fruto de suas “palestras” de fachada para pagar propinas pelas tetas estatais que concedeu aos bilionários empreiteiros, os maiores ícones da tal elite brasileira condenada pelos discursos petistas. Chamar essa gente de burra ou de vendida é ignorar o essencial em muitos casos: são loucos fanáticos mesmo, como aqueles que aderem ao Estado Islâmico.

BRASILEIRO BONZINHO

Rapphael Curvo

Raphael-Curvo

Rapphael Curvo


“Esse povo que não se julga desgraçado na desgraça porque ainda não experimentou melhor sorte” foi uma frase do livro “Dissertação sobre o atual governo da República do Paraguay” escrito em 1865, durante a guerra do Paraguai, pelo meu bisavô Antônio Correa do Couto. Ela é plenamente cabível ao povo brasileiro que, ao longo de sua existência, sempre viveu a beira do desenvolvimento.

Nunca consegue alcançar o status de povo desenvolvido porque ao longo de sua história sempre aparecem governos e governantes desprovidos de objetivos de Estado e que não são compatíveis, em suas ações, com as regras de administração exigidas para a evolução social, técnica e econômica de uma Nação. Este procedimento tosco é alimentado pela história de vida desses governantes que ao chegarem ao Poder por ele são dominados, o que os levam a uma administração voltada ao atendimento de grupos dominantes como forma de se projetar e preencher todos os egos pessoais em detrimento de ações que realmente transformem o País e estendam o seu crescimento a toda população.

Assim, levamos a vida sem realmente conhecer o que oferece o desenvolvimento, permanecemos sempre na poeira deixada pelos povos desenvolvidos.

A fase que vive o Brasil é troglodita. Ainda aceitamos passivamente -dado o nosso espírito individualista e ganancioso por ter um espaço maior social o que elimina a força como Nação – que pessoas praticantes de crimes e outros desvios ilegais, nos governem ou façam parte do nosso staff político.

Quando se deu a saída do Collor de Mello, tivemos um lampejo de que começávamos a trilhar um novo caminho na moralidade, na ética e na decência administrativa e política, mas como disse acima, insistimos em permanecer na poeira. Como não temos governo estadista, vamos ficar chafurdando no lamaçal da inoperância do Estado em cumprir seu papel e com isso, toda a população, em sua maioria, continuará na ignorância e sem saber o gosto de experimentar melhor sorte, de saborear e conhecer a qualidade de vida que goza um povo desenvolvido.

É ridículo que o Brasil ainda aceite que tal condição de existência política seja atuante. Em uma Nação em que o povo tenha pulso e um mínimo de compreensão dos acontecimentos, o que exige um pouco de capacidade cerebral, agrupamento de pessoas sensatas, determinadas e dotadas de coragem, jamais existiria a situação esdrúxula que ora passamos.

Temos um governo desqualificado como comandante de Estado, oriundo de um outro governo não menos incapacitado. Nada podemos esperar dele em ações que tenham um real benefício para a população. A maioria das medidas são para efeito mediático, sem profundidade e que atinja o cerne das questões mais necessitadas de uma resposta.

Atitudes nesse patamar são impossíveis porque a maior preocupação dos governantes está voltada ao atendimento daqueles que lhe são ou possam ser úteis na sua caminhada de projeção social e política. Dominando o grupo político, mantém, através deles, seus interesses pessoais e aqueles voltados aos eleitorais.

Diante do quadro que permanece o Brasil, não há futuro. Nós não alcançaremos o desenvolvimento desejado desde o descobrimento porque estamos despojados de iniciativas que obriguem aqueles que estão no Poder a trabalhar e agir no interesse da população.

O que vivemos é o inverso disso, o governo suga o trabalho do povo e seus ganhos. Aí estão os impostos que foram aumentados para que o governo mantenha sua lambança e benesses com o dinheiro público simplesmente porque não lhe fará bem, politicamente, cortar gastos de sua máquina administrativa e outros. Por essa razão temos que sustentar inúmeros ministérios e secretarias de governo para manter os cabides de empregos com altos salários, afinal, são esses cabides que, no final, sustentam o presidente com seus agrados aos congressistas e partidos.

E assim, continuamos nossa caminhada de povo subdesenvolvido, vivendo em meio as muitas desgraças e ser por eles convencidos que não, justamente por desconhecermos melhor sorte que é a vida de um povo desenvolvido.

Brasileiro bonzinho, não?

PAÍS FALIDO, JOGANDO DINHEIRO FORA!

Percival Puggina – 21.07.2017

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Percival Puggina


 O governo federal anuncia aumento de impostos para compensar um gasto público que está ampliando o déficit previsto. Ah! Que coisa! Quem poderia imaginar qualquer desses dois fatos, ou seja, o gasto “superior ao previsto” e a solução fiscal encontrada? Estamos diante de uma situação recorrente, apenas agravada pela prolongada recessão que só as toupeiras não anteviam diante do regime de Copa franca e Olimpíada por conta da casa, que vigorou nisso e em tudo mais ao longo dos últimos oito anos do governo petista. Quem dizia que tudo acabaria em roubalheira e prejuízo era muito mal visto.  Faz 10 anos, mas eu lembro.

 Era o tempo das vacas gordas e a nação sob um governo, partidos e corporações funcionais suficientemente tolos para imaginar que aquilo iria durar para sempre. Como resultado dessa malfadada conjugação, a despesa continuou crescendo mesmo quando a receita começou a cair.

Em sua coluna de hoje (21/07) em Diário do Poder, o jornalista Claudio Humberto registra algo que mencionei durante recente palestra que fiz a um público convidado por entidades empresariais de Passo Fundo. O número é impressionante: o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, tem 10 vezes mais servidores do que a Casa Branca, sede do governo dos EUA. São 3,8 mil no Planalto, 377 no staff de Trump e na cúpula do seu governo.

Não tenho os números do Congresso deles, mas duvido que a proporção seja muito diferente. Nossas duas Casas, juntas, têm 28 mil servidores, na soma dos efetivos, comissionados e terceirizados. Não é diferente a situação nos órgãos do Poder Judiciário, seus conselhos e no TCU, com suas mordomias e penduricalhos. Nem é diferente a explicação para o “fundão” de R$ 3,5 bilhões que deverá irrigar a campanha eleitoral do ano que vem.

A questão que proponho aos leitores é esta: houve algum movimento, por menor que seja, no sentido de reduzir os custos fixos nessas posições privilegiadas do serviço público? O contexto de dificuldades que afeta postos de saúde, hospitais, escolas, obras de infraestrutura tem algum reflexo no topo das instituições? Nada! Restrições passam longe dessas cadeiras de espaldar alto.

Observem a Venezuela. Enquanto incendeia sua miséria na valeta do comunismo caudilhesco, Maduro proclama que as dificuldades da economia são resultado da resistência dos empresários e do capitalismo. Aqui, seus parceiros ideológicos não ensinam diferente: a culpa dos problemas do país é do tal mercado e sua lógica. No entanto, a situação nacional seria bem outra se o setor público respeitasse a lógica de mercado na composição de seus quadros e na remuneração de seu pessoal. Qual é o artifício capaz de justificar o fato de que, no Primeiro Mundo, certas funções tenham um décimo do número de servidores custeados pelo pagador de impostos brasileiro? Isso descreve uma das essências do socialismo: o Estado como grande empregador, remuneração privilegiada para o topo do poder político e dachas para essa elite. Tudo bem de esquerda, não é mesmo? E miséria para quem ficou de fora.




* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

ROQUE SPONHOLZ

tamus fupagos

magu acrescenta: …e mal didos

 


quero que veja, olha prá frente!


olho vivo, Moro!!!

 

LIVRE CONVICÇÃO E INDÍCIOS

Fernando Mottola – 20/07/2017Fernando Mottola

* Desembargador aposentado do TJRS


Indícios constituem um tipo de prova, assim como tipos de prova são os depoimentos

 

Quando digo que para um velho não há medo maior do que o do “alemão aquele”, estou exprimindo uma opinião pessoal da qual, sei, muitos dos que, como eu, passaram dos 70, compartilham.

Fui juiz criminal por mais de 20 anos. Num tempo em que “jurista” era quem havia branqueado a cobertura debruçado sobre os livros e tinha seu nome reconhecido por qualquer estudante de Direito, pois suas obras enchiam prateleiras nas bibliotecas especializadas. Ultimamente, tenho visto a imprensa homenagear com esse título pessoas mal saídas dos bancos acadêmicos, e imagino que o erro não esteja nelas, nem na imprensa, mas em mim, que sou antiquado! Também sou de um tempo em que se aconselhava o sapateiro a não ir além das chinelas. Pelo número de amadores que hoje vejo se lançarem à análise de atos judiciais complexos sem o menor constrangimento, percebo que essa é uma máxima de sabedoria que deve ter perdido o prazo de validade.

Por que estou escrevendo isso? Porque nos últimos dias esses “analistas” me deram um susto! Tenho lido e ouvido que uma condenação penal exige “provas concretas”, e que um juiz criminal não pode julgar “por convicção pessoal retirada apenas de indícios”. O refrão tem sido repetido por tantos, que receei estar emburrecendo por força de algum tipo de esclerose… A lei mudou, pensei, e eu nem me dei conta!

Bem, fui às edições recentes e, voilà!: os artigos 155 e 239 do Código de Processo Penal continuam dizendo o que aprendi na Faculdade de Direito e apliquei ao longo de quase 30 anos de magistratura:

“Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Art. 239. Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias”.

Vou repetir, até porque os velhos são repetitivos: indícios constituem um tipo de prova, assim como tipos de prova são os depoimentos de testemunhas, as perícias e os documentos, todos incluídos no Título VII do Código de Processo Penal. Não sou eu quem diz, é a lei! A mesma lei que assegura ao juiz o direito de formar convencimento pelo livre exame do todo, inclusive através do processo indutivo descrito no artigo 239.

Com os leitores compartilho o meu alívio: não estou senil, nem desatualizado! No fim e ao cabo, o ignorante não sou eu!…


Do Blog do Políbio Braga