AS DESPEDIDAS – ACABARAM-SE AS FÉRIAS

                                                                         Revista Época – 20/2/2018

Estranhei que não via mais a coluna de Walcyr Carrasco, mas não me detive em procurar razões. Uma daquelas coisas que escapam da nossa atenção. Acidentalmente no domingo 6 de junho de 2019, mais de ano após, pois sempre navego aleatóriamente, topei com esta despedida, que publico agora. É uma pena, Walcyr, pois gostava muito de seus escritos, e não sou de ver novelas.

Seja feliz, onde quer que o vento o levar. Que o desconhecido lhe seja leve e agradável…


QUANDO O VENTO SOPRA – Walcyr Carrasco

Os amigos acham que sou meio maluco. Eu, é óbvio, me considero perfeitamente são. Quem acredita em astrologia tem uma explicação: Sagitário mutável. Quem não, pode me encarar como aquele tipo de pessoa que se sente uma folha ao vento, disposta a voar para o desconhecido. Tudo na minha vida é mutável. Nas coisas mais prosaicas, mais cotidianas. Por exemplo, mudo de casa o tempo todo. Não são mudanças fáceis, tenho bem uns 20 mil livros, quadros, lindezas acumuladas ao longo da vida e até uma extraordinária coleção de canecas, suvenires dos países que visitei ou presenteadas por amigos. Já morei na Bela Vista, na Pompeia, na Aclimação, na Lapa, na Praça da República, no Morumbi, na Granja Viana, em Higienópolis, no Pacaembu, na Consolação. Tenho inveja de pessoas há 20 anos no mesmo endereço. Talvez seja uma síndrome. Quando era adolescente, minha família passou por uma crise financeira grave. Mudávamos de casa a cada seis meses, para um aluguel mais baixo.

Cresci, me firmei profissionalmente. Mas a vontade de mudar continuou intacta. Já estou me preparando para um novo endereço, acreditam? E os cabelos então? Usei curtinhos, máquina 1. Deixei crescer, mas a franja faz uma onda justamente em cima dos meus óculos. Fica um horror. Um dia descobri que estava grisalho.  Platinei os cabelos para radicalizar. Passei dois anos descolorindo e me sentindo um gato.  Até que… uma falha cresceu no meu cocoruto! Descobri que em breve ficaria sem cabelos! Muita química dá nisso. Passei a usar um tonalizante cinza. Fui para uma temporada no Rio de Janeiro. E descobri que meus cabelos voltaram pretos, com um leve grisalho! (Ninguém me explique como isso aconteceu. Ando fazendo um tratamento ortomolecular, e o grisalho retrocedeu.) Devia estar satisfeito. Não. Olho no espelho e penso.

– Como ficaria na máquina zero?

Assim é tudo na minha vida. Lamentavelmente, são pouquíssimos os amigos para sempre. (Existem, desde minha infância. Mas posso contar nos dedos.) Muitas vezes conheço alguém, me entusiasmo. Nos tornamos melhores amigos durante seis meses. Depois não nos vemos mais, sem explicação. Dos amores, nem tenho coragem de falar. Vejo meus amigos bem casados, com vidas estabelecidas e sem reviravoltas emocionais. Invejo porque, a maior parte do tempo, vivo num furacão!

Profissão, passei por muitas. Umas por necessidade, outras por vocação. Fui vendedor de livros de porta em porta (quando ainda se vendiam coleções), fiz figurino e cenário de cinema, pintei paisagens para ganhar algum nos Estados Unidos. Lá também me dediquei à faxina e fui garçom. Dei aulas. Fui ator profissional. Estudei História na Universidade de São Paulo e pretendia ser arqueólogo. Quase no final, prestei novo vestibular para a Escola de Comunicações e Artes. E me formei em jornalismo. Minha meta sempre foi ser escritor. Cheguei a me tornar diretor de redação de revistas importantes. Larguei, sem ter a menor ideia de aonde iria. Queria me dar a oportunidade de me tornar escritor, viver basicamente de ficção. Minha família apavorada acreditava que eu morreria de fome. Mas escrevi livros infantojuvenis adotados em escolas de todo o país, peças de teatro, algumas de sucesso. Depois de duras lutas, entrei no mundo da televisão, que adoro. Mas é trabalho pesado. Com uma novela das 21 horas no ar, como agora (O outro lado do paraíso, Rede Globo), são 25 páginas por dia. Um capítulo, exatamente. Mas não dói. Sempre fui apaixonado por ficção.

Agora o vento sopra novamente, e eu me despeço de vocês, leitores deste espaço. Foram anos, muitas colunas. Algumas não muito boas, confesso. Tenho autocrítica para saber que nem sempre brilhei. Outras, porém, deram significado a minha vida. Recentemente encontrei uma senhora no aeroporto. Ela veio até mim, citou uma coluna, que tinha recortado e guardado, para reler sempre.

– Foi muito importante para mim – disse.

Esse tipo de encontro dá sentido a tudo que escrevi e vou escrever. Mas eu sempre tive uma espécie de bússola interior, que me dizia a hora de partir. Mesmo sem saber para onde. E veio o momento da renovação. Outros jornalistas e colunistas estarão aqui, dando seu melhor. Eu me despeço. Mas não é um adeus, já que estou na televisão com as novelas e na internet falando o que vem a minha cabeça. Agradeço a todos vocês que me acompanharam nesse tempo. Pelo carinho tantas vezes demonstrado. Mais uma vez, deixo o vento me levar.


Aproveitando a oportunidade do texto, quero também comunicar minha despedida, a terceira, mas a definitiva, pois verificando as estatísticas deste blog, constatei que a leitura do mesmo vem caindo mensalmente, talvez porque o redator nunca teve qualidades suficientes para manter alto o interesse da turba. Há também a confusão da política (?) nacional a me encher, e continuo vendo a cara daqueles petralhas e seus associados no parlamento, o que muito me incomoda. Esperava que muitos deles estivessem presos, mas a juspiça brasileira é o que ‘a gente’ sabe. O capitão não chega a me decepcionar, propriamente dito, mas não é o que eu esperava… Mas ainda há tempo. Vamos ver o resultado.

E eu já havia escrito que continuaria enquanto fosse divertido. Pois bem, infelizmente já deixou de ser.

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A charge inclusa abaixo é de 05 de julho de 2013, quando Giulio voltou do hospital, onde tinha passado poucos dias, retomando a editoria do blog, que ficou sob minha curatela enquanto ele esteve internado. Momento brilhantemente captado pela sensibilidade do Róc, na charge. Dizia-se que ele ia me enterrar, por eu ter perdido uma pá de leitores, durante sua ausência… Infelizmente, foi uma premonição inversa, pois vários dias depois ele teve um peripaque definitivo. Com certeza deve ter ido para um lugar superior, pois era um encarnado da melhor qualidade! Durante anos conversamos horas diariamente pelo Skype! Eu tinha até uma pretensão de ir à Itália para conhecê-lo pessoalmente, mas acabou por não dar tempo…

No mês de novembro de 2014, o blog teve maravilhosos 94.998 leitores, nosso pico, até fazendo com que eu e o também falecido parceiro Gil tivessemos laivos de achar que sabíamos alguma coisa de blog. Qual o que! A partir daí, por obra do Tempo, essa entidade terrivelmente inclemente da natureza planetária, o declínio de leitores foi constante, a ponto de, no mês passado, junho de 2019, a estatística apresentar apenas 4.552 (5% do mês e ano citados anteriormente) leitores no mês inteiro. Também quase não há mais comentaristas, algo que faz que um blog permaneça vivo. Bem, não vou fechar o blog. Ele ficará aí, como outros tantos, sem atualização. O polentone que me perdoe, esteja onde estiver. Desejo que os leitores sejam felizes, mesmo vivendo nestas plagas pindorâmicas complicadas…

Novamente agradeço de coração a atenção que dispensaram a este último dos mohicanos, que brevemente vai completar 74 anos. Lembro aos que não querem perder, que o Róc (meu apreciadíssimo e respeitado chargista de tantos anos de convívio ao longe) tem endereço onde publica suas charges  https://www.sponholz.arq.br/

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ROQUE SPONHOLZ

rateado

 


Todo ouvidos

 

 


 

ROQUE SPONHOLZ

Ela já nasceu criptografada…

 


 

Nem “há” pau !


 

O SONHO

Magu

Os leitores já devem ter percebido que gosto de ler crítica de livro, quando bem escrita, e nesse campo, temos ótimos críticos. Um deles, do Estadão, comenta, com brilhantismo e um português escorreito, um dos livros recentes.


O SONHO FOI O CENTRO DA VIDA POLíTICA NA ANTIGUIDADE

Por André Cáceres, em O Estado de São Paulo, 13 de Julho.

Quando o personagem principal da novela A Metamorfose (apesar da novela ser considerada uma obra-prima, não apreciei) Gregor Samsa, numa certa manhã, despertou de sonhos intranquilos, Franz Kafka, o autor do livro, mudou o rumo da literatura ocidental. No Oriente, também, o tema é relevante — o universo em que vivemos não passa de um sonho do deus Vishnu para os védicos, cuja religião foi precursora do hinduísmo. Se, conforme Buda (Sidarta Gautama), “a vida é sonho”, ainda não sabemos, mas seu xará, o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, desvenda como o mundo onírico influenciou todas as instâncias da vida em vigília em seu livro O Oráculo da Noite, da Companhia das Letras.

O sonho é um fenômeno neurológico experimentado durante a fase REM (rapid eye movement, ou movimento rápido dos olhos) do sono, embora não exclusivamente nessa etapa, e não é de hoje que ele intriga a humanidade: “Ao longo da história da Idade Antiga, os sonhos eram claramente o centro da vida política”, afirma Sidarta Ribeiro em entrevista ao Aliás. “Tudo indica que há muito tempo, pelo menos 2.500 anos antes de Cristo, o sonho não era só uma simulação de comportamentos possíveis, mas um portal de comunicação com os deuses. Algo muito sério que estava no centro da vida social.”

História, antropologia, literatura, química, biologia, arqueologia, psicologia e neurologia são alguns dos ramos empregados por Ribeiro nessa expedição caleidoscópica rumo aos confins dos travesseiros. O livro delineia um panorama de como os sonhos foram encarados pela humanidade desde o Paleolítico Superior até as sociedades urbanizadas contemporâneas. “O sonho foi o cinema de nossos ancestrais, bem mais fascinante porque potencialmente real”, escreve ele. “Quantos de nossos ancestrais não terão se enfurecido ao descobrir que o perigoso mamute, gloriosamente caçado na aventura onírica, se esfumaçava na aurora, dissolvida à luz do dia?”

Ribeiro relata diversos episódios ao longo dos séculos em que governantes como Alexandre Magno, Júlio César ou Frederico, o Sábio tomaram decisões que mudaram a história com base em sonhos que tiveram. A arte, a filosofia e a ciência também foram beneficiadas pelos arroubos de criatividade despertados por sonhos do dramaturgo William Shakespeare, do músico Paul McCartney, da escritora Mary Shelley, do filósofo Giordano Bruno, do matemático Gottfried Leibniz, entre muitos outros.

Para além da cultura, entretanto, o sonho desempenhou um papel importante para a gênese da metafísica. Para Friedrich Nietzsche, “a decomposição em corpo e alma se relaciona à antiquíssima concepção do sonho, e igualmente a suposição de um simulacro corporal da alma, portanto a origem de toda crença nos espíritos e também, provavelmente da crença nos deuses”.

O aspecto divino dos sonhos faz parte de textos fundadores como a Bíblia, o Corão, as narrativas homéricas, o Livro dos Mortos no Egito ou a Epopeia de Gilgamesh na Suméria. Ribeiro corrobora essa visão: “Há cerca de 100 mil anos, a gente começou a enterrar os mortos. Aí se sonhava com alguém morto e a conclusão óbvia era que essa pessoa está viva em algum lugar.”

Além de ajudar a fundar a espiritualidade, Ribeiro defende que o mundo onírico foi fundamental para a ascensão da narrativa e o surgimento da linguagem na espécie humana. “Mamíferos em geral se reúnem para dormir por proteção e calor, têm sono REM e sonham. Do ponto de vista fisiológico, bioquímico, não há diferença. O que aconteceu no ser humano foi a capacidade de despertar de manhã e narrar esse sonho”, afirma o pesquisador. “Quando a gente cria esse espaço narrativo, você pode imaginar qualquer coisa sem consequências. Se eu te pedir para imaginar a Guerra de Troia ou o futuro em 2100, isso não tem nenhuma repercussão motora. É muito diferente do que os outros animais fazem. É a capacidade de sonhar acordado.”

Ribeiro propõe que essa capacidade de projeção, única na raça humana, vem de uma invasão do sonho na vigília. É aí também que está a chave para os sonhos preditivos. O autor mostra como as mesmas regiões cerebrais são ativadas quando recordamos o passado ou imaginamos o futuro. “Quando eu te conto o que vivi num mundo completamente particular, estou de fato criando um acesso ao passado que pode ser uma predição do futuro. Se eu te contar o que aconteceu ontem, isso pode ser exatamente o que vai acontecer amanhã”, afirma.

No livro, ele usa de uma analogia com o conto A Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges, para explicar essa capacidade probabilística de o sonho prever o futuro. “O inconsciente é a soma de todas as nossas memórias e de todas as suas combinações possíveis”, assim como a Biblioteca de Babel reuniria todas as combinações de letras possíveis. Portanto, “sonho é a possibilidade de imaginar os futuros em potencial através de um mecanismo capaz de prospectar a experiência pregressa e formar novos conglomerados psíquicos, juntando ideias antigas de forma nova.”

Essa é, aliás, uma das vantagens evolutivas que nos legaram a habilidade de sonhar: no mundo onírico, podemos simular cenários sem risco algum, tornando-nos melhores em desempenhar atividades importantes, como caçar ou sobreviver. “A evidência empírica de que os sonhos ajudam você a se desempenhar melhor é recente e não muito grande, mas ela existe. Todos os mamíferos devem ter se beneficiado disso.”

Boa parte do livro se dedica a explicar a bioquímica do cérebro durante o sono, os debates científicos acalorados a respeito do tema ao longo das últimas décadas, além de descobertas que recolocaram Freud e Jung no radar da neurociência após muitos anos taxados de pseudocientíficos. Ribeiro explora as similaridades e diferenças entre sonho e delírio, loucura, psicose, transes ritualísticos e até uso de substâncias como a ayahuasca.

Várias tribos indígenas — brasileiras e de outras localidades — usaram e ainda usam essas capacidades preditivas do sonho em todas as facetas de suas vidas, de conselhos para encontrar caça até como negociar com governantes brancos. No entanto, o mundo onírico foi sendo jogado para escanteio historicamente por ter perdido acurácia. “Quando o sonho passa a refletir não os três imperativos darwinistas, matar, não morrer e procriar, mas todas as coisas que nos preocupam, nas quais esses imperativos estão diluídos, é o momento em que esse oráculo probabilístico começa a ter dificuldade de prever o futuro com tantas variáveis.”

A grande preocupação que o livro demonstra é que, na sociedade contemporânea, o sonho tenha perdido sua função, sendo relegado para uma mera curiosidade noturna. “A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o mal-estar da civilização contemporânea”, escreve ele. Afinal, se o sonho é tão irrelevante como a civilização urbana tecnológica parece acreditar, por que a indústria da saúde do sono já movimenta mais de US$ 30 bilhões anualmente?

“A gente está vivendo em uma sociedade que não parece ter a capacidade de simular o futuro próximo. Estamos nos encaminhando para uma catástrofe e não adianta os ecologistas avisarem. É quase uma pulsão de morte”, lamenta Ribeiro. “Com exceção de quem está fazendo psicanálise, não existe relevância no sonho hoje. Esse experimento histórico de tirar o sonho da vida social está obscurecendo nossa capacidade de ver o que está acontecendo.”

É por isso que, diferente de outros livros de divulgação científica, que muitas vezes desprezam as sabedorias milenares ou conhecimentos tradicionais de povos indígenas, Ribeiro opta por dar voz ao escritor Davi Kopenawa, xamã da tribo Yanomami, que descreve, em seu livro A Queda do Céu, as visões xamânicas da destruição da Amazônia. “No mundo dos índios, esse final está sendo visto com muita clareza, até porque está acontecendo com eles diretamente”, alerta Ribeiro. Para ele, nossa incapacidade de perceber o que o progresso tem provocado ao meio-ambiente se relaciona com nosso desprezo para com o mundo onírico. “Eu acho que isso tem a ver com a nossa evidente redução de introspecção. E os sonhos têm muito a ver com ter uma boa introspecção.”


Pretendo ler o livro do xamã Yanomami, A Queda do Céu. Um dia desses, pois o livro impresso nos EUA, em língua portuguesa, custa caro, US$ 80,97 (em torno de R$ 300) na editora Pure Brazil (frete incluído).

Quando sair em eBook, no Kindle da Amazon, eu o comprarei. Por enquanto, estou relendo os grandes clássicos, que custam menos de cinco reais no kindle. Lí há pouco A Metamorfose (R$ 1,99). O Livro de Enoque, um dos evangelhos apócrifos, que custou um pouco mais, US$ 5,12, já está no começo do terceiro capítulo.

 

ROQUE SPONHOLZ

Num dia ataque de hackers, noutro ataque de loucura…

 

 


 

só na escuta


 

ASTROLOGIA ANO ZERO

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Quando eu percebo que a política está me dando no saco, nestes tempos principalmente, em que temos um presidente novo que não faz a política como todos os outros faziam, com troca conhecida como ‘toma lá dá cá’ (em termos), porque percebeu claramente que o povão se encontra desiludido dos ‘paralamentares’ em quem erradamente votou, por verificar que grande parte deles são picaretas, como acertadamente o novededos os classificou tempos atrás {“Há uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas seus próprios interesses.” A frase sobre o Congresso, dita em setembro de 1993 (um de seus raros acertos) depois corrigida em 2009, “O resto é gente boa”}, eu gosto de fugir do assunto, para refrescar os neurônios, ou melhor, as sinapses, que às vezes esquentam. Então acho matérias que nada tem a ver com política, como este ensaio de astrologia, um pouco longo (afinal, é um ensaio), mas muito bem escrito e perfeito para o que pretendo, pois estou realmente cansado da política tupiniquim…


POR QUE A ASTROLOGIA VOLTOU A SER POP

Qual é o possível motivo da nova popularização do Zodíaco, especialmente forte entre os millennials

Por Lauren Oyler para “The Baffler” (O defletor), com tradução de Mariana Nântua para Época

Este ensaio deveria ter sido entregue em 6 de novembro de 2018, mas não o terminei a tempo. Posso listar vários obstáculos enfrentados — compromisso desenfreado, medo do fracasso, angústia antecipada devido à diferença entre o texto na minha cabeça e aquele que aparece na página, na verdade, eu realmente fiquei bem doente —, mas mesmo juntos esses motivos não explicam por que eu ainda não o escrevi. (Hoje é 13 de novembro.) Nessas condições, não há muito o que fazer além de gastar mais dez minutos em uma atividade inútil e estúpida, o que significa que Urano entrou em Áries na tarde de 6 de novembro, ativando traços rebeldes que apareceram pela última vez em abril e maio desse ano — que foi, curiosamente, mais ou menos na época em que eu atrasei a entrega de outro texto para The Baffler . Mas não atrasei desse jeito — como sou leonina, normalmente a promessa de atenção trazida pela publicação me motiva. (Tenho ascendente em Virgem, também, o que dá a impressão de que estou no controle das coisas, e isso é algo que, sendo leonina, orgulhosa e preocupada com impressões, anseio em manter.) Sabendo que eu, realmente, deveria ter começado a escrever este ensaio dias antes de 6 de novembro, consigo ver que a Lua em Libra em quadratura com Plutão catalisou disputas de poder no dia 5 e bloqueios de comunicação eram possíveis no dia 4. Esse era para ter sido um bom mês para mim, mas essa previsão apenas se aplicava, infelizmente, a minha vida amorosa.

É difícil escrever sobre astrologia — a ideia era escrever sobre astrologia, examinar a natureza de sua fama hoje em dia — porque as duas perguntas que o tópico mais desperta são “Ela está falando sério?” e “Quem liga?”. Uma amiga diz que minha Lua em Gêmeos é a provável culpada por minha falta de habilidade ao escolher um argumento para este texto, mas de qualquer forma, eu não sei bem como responder a qualquer uma dessas perguntas, porque a última depende da primeira e porque determinar a seriedade (ou não) do ponto de vista declarado de uma pessoa requer uma lista detalhada, levando em conta o autor, sujeito, contexto e microcontexto (que piadas fizeram sucesso naquele dia nas redes sociais). Hoje em dia, as mulheres — elas são maioria — dos horóscopos também se levam muito a sério; dão mais detalhes e são mais astronomicamente informativas do que as mensagens de biscoitos da sorte ostensivamente personalizados encontradas em jornais e revistas, fáceis a ponto de justificar ser um ritual diário sem sentido. A autoridade do astrólogo contemporâneo alterna-se entre o especializado (o duradouro Astrology Zone , de Susan Miller; e Annabel Gat, da Broadly ) — falando em tons amigáveis e diretos sobre coisas como a posição de Júpiter e aspectos geométricos — e os poéticos-místicos (Astro Poets e Madame Clairevoyant, do The Cut ) — parecendo ser escritos por um médium em Los Angeles recebendo mensagens deturpadas de Elizabeth Bishop. O famoso aplicativo Co-Star — que usa sua data, local e hora de nascimento para gerar algoritmos de previsões longas, “hiperpersonalizadas” e no estilo koan em cada uma das dez (dez!) áreas da vida (transcendência, inovação, amor & ternura, pensamento & comunicação, transformação intensa, responsabilidade & limites, sexo & agressividade, ego & identidade, mundo emocional, crescimento & progresso) — junta os dois. Também permite que você compare seu mapa astral — um diagrama sobre a relação do Sol, da Lua e dos planetas com seu local de nascimento no dia de seu nascimento — com o mapa astral de amigos para descobrir sua compatibilidade em todas as áreas da vida. Ele produz horóscopos diários tão longos que normalmente não consigo terminar de ler, embora muitas vezes fale preciosidades do tipo “O momento presente é o próprio inferno”, mensagem mandada para mim no meu aniversário, quando acordei de um sono mal dormido, curto e bêbado num apartamento sem ar-condicionado em Berlim, que registrava uma onda de calor.

O algoritmo do Co-Star incluiu “O momento presente é o próprio inferno” em meu horóscopo em várias ocasiões diferentes, e isso não o torna menos verdadeiro. Este é o fundamento em voga da astrologia detalhada: como na ficção, sua falsidade permite que ela habite uma verdade intuitiva e volátil. Em 2016, uma coluna simpática da n+1 chamada “Situação intelectual” datava o começo da nova Nova Era mais ou menos em 2012 — claro, por que não? — antes de argumentar que a astrologia é capaz de ser adorada porque é explícita e obviamente falsa, dentre as “alternativas paliativas e extravagantes a teorias existentes de subjetividade — alternativas tão seguramente inseguras que pelo menos parecem honestas e menos predispostas a nos enganar do que aquelas que chegam à guisa de religião, teoria e política”.

Uma versão mais cínica desse argumento pode ser encontrada em textos da moda sobre astrologia, que proliferaram conforme o interesse real nessa prática tornou-se rastreável, desde espaços em blogs e redes sociais alternativas, passando por contas de memes populares e astrologia viral, até produtos na Urban Outfitters: a internet é o terreno fértil ideal de irracionalidades frívolas que incorporam a construção de caráter narcisista da marca pessoal. (Os anos 1970 também voltaram.) “Não é ciência!”, declaram diligentemente os textos famosos, sem realmente pensar que alguém acharia que fosse. Não, é “um fenômeno cultural ou psicológico”, de acordo com um cientista cognitivo social entrevistado pelo The Atlantic . Artigos como “A astrologia quase não tem base científica. Mas as pessoas amam-na mesmo assim” ( Vox ) ou “Astrologia é difícil, mesmo sendo falsa” ( New York Times ) tentam explicar a não piada: astrologia é interpretação por cima de mitos, por cima de um sistema lógico totalmente concretizado, mas completamente distinto do reino material, tudo isso coberto com autoescavação terapêutica e desespero existencial.

Sua popularidade faz sentido se você pensar em como os millennials da geração X são estressados: sem estabilidade econômica, separados da religião e profundamente confusos quanto ao que é ironia e se é aceitável — e, se estamos de fato empregando-a no momento, somos atraídos pela ideia de um sistema de governo celestial tanto quanto nos atrairíamos por uma iconografia kitsch que daria uma tatuagem decente. Também procuramos por um sentimento de comunidade ou, pelo menos, reconhecimento das pressões e condições mútuas. Assim como reclamar do mau tempo ou do metrô de Nova York, as queixas coletivas sobre Mercúrio retrógrado promovem um sentimento de associação quando as coisas estão fora de nosso controle. A vida é mesmo muito difícil, e, embora o tom dos conselhos dos horóscopos esteja mais complicado, eles ainda têm a mesma inclinação sedutora e razoavelmente esperançosa que os colunistas de jornal lhe davam: as fases ruins passarão depois de uma certa data, para conduzir uma nova e emocionante série de efeitos planetários.
O controle persistente do “otimismo pop” sobre críticas culturais removeu vários obstáculos no caminho até a aceitação astrológica que a pessoa às vezes lúcida pode encarar: é bastante ok gostar de coisas estúpidas, contanto que você as analise exageradamente. A adoração de celebridades harmoniza bem com a astrologia; pensar em Beyoncé como uma virginiana é imaginá-la como nós, sujeita às mesmas forças. Um interesse ressurgente na Escola de Frankfurt fortaleceu essa estrutura permissiva do leitor pensante, embora Adorno, em As estrelas descem à Terra , tenha escrito que astrologia representa uma aproximação ao totalitarismo apelando a pessoas medianas, à pessoa que “tem vontade vaga de entender e também é levada pelo desejo narcísico de se mostrar superior às pessoas simples, mas não está em uma posição tal que lhe permita empreender operações intelectuais complicadas e distanciadas”. Não importa — Adorno estava errado sobre muitas coisas. Não é que concordo com ele, mas sou capaz de lê-lo.

“Como muitos outros fenômenos culturais, o perigo aparente da astrologia não está em sua prática atual, mas em sua futura aplicação hipotética feita por idiotas”

Até recentemente, minhas opiniões sobre o zodíaco eram despreocupadas, casualmente aprovando-o. Cresci lendo meu horóscopo em revistas para adolescentes — minhas iniciais são L.E.O., talvez uma predisposição para eu agir como uma leonina — e trabalhei na Broadly, onde horóscopos geravam uma porção significativa de nosso tráfego mensal. Quando as pessoas apontavam que, já que era um site para mulheres, publicar horóscopos era machista (dando a entender que mulheres eram malucas e insípidas), eu revirava os olhos. Você está falando sério? Quem liga? Nossa linha era a seguinte: mulheres são capazes de discernir coisas divertidas e inofensivas de coisas que de fato moldam o mundo; o interesse da mulher por astrologia era tipo o interesse do homem por esportes, tirando a ameaça de ferimentos no corpo. Inclusive, pode-se argumentar que o sentimento veementemente antiastrologia é que é machista.

Como muitos outros fenômenos culturais, o perigo aparente da astrologia não está em sua prática atual, mas em sua futura aplicação hipotética feita por idiotas, e eu costumo acreditar que a tendência discursiva condescendente que atende às necessidades do leitor mais burro possível ao prever graves consequências socioculturais de atividades inócuas é mais um resultado de um desejo de parecer um delator que sabe de alguma coisa do que de salvar a sociedade da barbárie. O que e como você pensa realmente molda de forma significativa sua própria existência, mas, a não ser que você seja famoso, não afeta o resto do mundo e, no mínimo, astrologia fornece uma perspectiva interessante para você se lembrar disso; no macro não importa, mas pode ajudar no micro. Embora eu tenha tentado, não consegui arranjar a emoção para encontrar, nas estrelas, algum resíduo pernicioso legítimo de machismo, autoritarismo ou outro flagelo político; Nancy Reagan consultou a astróloga Joan Quigley em diversas ocasiões e passou seus conselhos para o presidente, mas geralmente para agendar coisas que aconteceriam de qualquer forma: debates, coletivas de imprensa, discursos, viagens. Muitas coisas na vida são arbitrárias — datas de casamento, o momento em que você finalmente cede e compra um computador novo ou uma passagem de avião, a hora do confronto de seu marido com Jimmy Carter. Por que não usar parâmetros de mentirinha sobre aspectos astrais para ajudar a restringir o interminável e inútil tempo? Para o entusiasta hardcore, com o software e os mapas, a astrologia é, quando muito, um hobby complexo, convertido em lucro modesto apenas em seu nível máximo, assim como ser tradutor de línguas escandinavas ou escritor freelancer. Achei que o resto das pessoas receptivas à astrologia fosse como eu: acreditando quando a previsão é boa e somente durante o tempo que leva para ler o horóscopo. “Sei tanto sobre astrologia”, me contou uma outra amiga, triste. “Queria que fosse verdade.”

Se a vida fosse controlada pelo movimento dos planetas, não acho que as coisas seriam muito melhores. Mas a astrologia não é irreal e se torna cada vez menos com o tempo, por causa de atitudes bem-intencionadas, como a de minha amiga. Astrologia é como as redes sociais, ou Donald Trump, ou autoficção, ou reality shows: uma força cultural desestabilizada, promovida por uma elite da mídia que diz entendê-la, movida por níveis flutuantes de seriedade e rigor, algo que paralisa o desenvolvimento de uma realidade compartilhada ao ser confusa e tautologicamente apenas aquilo que é. A verdade literal dessas coisas deveria ser irrelevante, mas ela nunca consegue ficar de fora; a possibilidade do fato inevitavelmente contamina as coisas. (Claro que o conselho de levar Trump “a sério, mas não literalmente” não funcionou muito bem.) De acordo com Adorno, “a astrologia tende a eliminar a distinção entre fato e ficção: seu conteúdo é muitas vezes exageradamente realista, ao mesmo tempo que sugere atitudes baseadas em fontes inteiramente irracionais, como o conselho de evitar fechar negócios em determinado dia. Embora a astrologia não tenha uma aparência tão extravagante quanto aquela dos sonhos ou delírios, é justamente essa razoabilidade fictícia que permite aos impulsos delirantes abrirem caminho para a vida real sem se chocar abertamente com os controles do ego”.

Os caridosos editores da n+1 resistem a essa conclusão: eles sugerem que há um desejo honesto, hoje em dia, de localizar, explicar exatamente por que as pessoas e as coisas são do jeito que são, e o tipo de pensamento instigado pela astrologia pode preencher as lacunas que o marxismo, o feminismo e a psicologia, entre outros, deixaram vazias. O caráter é tão real quanto a astrologia, então o fato de ela própria não conseguir explicar nada é irrelevante: os arquétipos do zodíaco são apenas “suplementos de outros pontos de vista”, um “revestimento” que pode destacar certos traços ou comportamentos, uma maneira de reconsiderar a própria vida e “lembrar você da complexidade de uma pessoa”. No entanto, os editores da n+1 não estavam na mesma festa que eu, no verão, onde ouvi por acaso alguém dizer, usando um tom de epifania pessoal, que ele sempre havia acreditado que era solícito e acolhedor porque era judeu, mas recentemente havia percebido que era por algo bem mais profundo: ele é de Câncer.

Ele estava falando sério? Se sim, quem liga? Adorno viu a apreciação qualificada da astrologia — aceita “com um tipo de reserva mental, certa jocosidade que tolerantemente reconhece sua irracionalidade básica e a própria aberração ( do adepto )” — como um indicativo de uma passividade crescente em relação à maneira como as coisas são, um resultado da “opacidade do mundo social de hoje, que exige atalhos intelectuais” e da facilidade de se submeter ao pseudointelectualismo. Eu teria chamado de escolher suas batalhas — o verdadeiro teste da irrelevância não é se algo o enfurece porque não deveria existir, mas se desperta indiferença, e era tão legal não se importar com algo que não tinha importância. Mas o canceriano da festa pareceu representar um desvio da experiência comunal de condições humanas instáveis simbolizadas pela astrologia e adentrou um tipo de narrativa pessoal delirante que não tem nada a ver com o mundo no qual o resto de nós vive.

Adorno faz uma quadratura — usando um termo astrológico — da ênfase de realizar decisões em horóscopos com a aspiração patológica de seus leitores de viver a vida passivamente sob o argumento de que eles lhe permitem distanciar-se de si e, assim, justificar seus ímpetos delirantes; a astrologia representa um desejo por uma “autoridade abstrata” benevolente que criaria a ilusão da liberdade, algo que, se você ouve seu horóscopo, consiste “em que o indivíduo tome voluntariamente como seu aquilo que, de qualquer maneira, é inevitável”. Mas os amantes da astrologia de hoje sentem menos necessidade de mascarar sua auto-obsessão; eles saboreiam-na, vangloriam-se dela nas redes sociais, até declaram que ela é política.

Adorno estabeleceu uma (pequena) distinção entre a coluna de jornal de interesse geral, que era o foco de seu estudo, e os horóscopos mais detalhados em revistas de astrologia, que envolviam “jargões” e eram sem dúvida menos abstratos, pois “tentam, com certa violência, defender o ‘status’ ( da astrologia )”; os novos entusiastas de hoje se parecem mais com esse último, levianamente citando uma nova Lua em Sagitário ou o poder perturbador de um eclipse enquanto queimam sálvia para purificar seus quartos. A granulosidade crescente pode promover a pseudorracionalidade em níveis altos, mas o atrativo maior está no fato de permitir a “hiperpersonalização” — a sensação de que uma pessoa é especial. É por isso que astrologia se harmoniza tão bem com redes sociais e namoro. Usados como uma desculpa para dar em cima de um jeito meio antiquado ou como uma pergunta de perfil num aplicativo de paquera, os signos sempre foram uma estratégia para comunicar um discreto conjunto de qualidades sob seu controle. Se eu digo que sou leonina — e, já que sou leonina, não estou realmente dizendo, mas anunciando ou declarando —, posso pular o esforço social enfadonho de desenvolver relacionamentos com pessoas que virão a me conhecer como eu de fato pareço. Posso plantar, em suas mentes, a ideia de que sou passional, corajosa e gosto de acessórios exagerados. Agora, a não ser que isso seja básico, conhecer meu mapa astral completo é um atalho para comunicar minha natureza multifacetada, tão complexa que apenas um algoritmo pode prevê-la. O fato de a verdade literal desse empreendimento influente ser irrelevante significa que sua ficção elegante também é.

O efeito da astrologia contemporânea e de outros fenômenos “sérios mas não literais” não tem suplementado o entendimento do ser humano, como pretendeu a classe da mídia que acomodou e deu plataforma a essas coisas. Ao contrário, humanos parecem ser mais e mais personagens, com uma série de atributos que reivindicam ao agir como sua própria autoridade abstrata. Coloque uma moda inocente nas redes sociais e ela se transformará, inevitavelmente, num refrão perturbador, o tipo de coisa que o finado crítico Mark Fisher chamou de “sinistro”, encontrado “em paisagens parcialmente esvaziadas do humano”: “O que aconteceu para produzir essas ruínas, esse desaparecimento? Que tipo de entidade estava envolvida? Que tipo de coisa era essa que emitia um grito tão sinistro?”. Como podemos ver nesses exemplos, o sinistro está fundamentalmente ligado a questões de agência. Que tipo de agente está agindo aqui? Sequer há um agente?

Fisher identificou o capital como tipicamente sinistro — “conjurado do nada”, ele “no entanto exerce mais influência do que qualquer entidade supostamente substancial”. A astrologia em si não se encaixa nessa descrição — vem da tradição e do mito, não exerce influência mensurável ou material e está cheia de humanidade nos impulsos aos quais responde. Mas as forças que movem sua intensa popularidade — os vários tipos de capital em redes sociais — são estranhas e não têm fonte. Memes sobre a #temporadadeescorpião e as lamentações quanto a Mercúrio retrógrado são lidos menos como humanos fomentando a conexão e mais como gritos sinistros emitidos dos estágios finais da transição da espécie em usuários de iPhone robóticos e místicos, dividindo-se em perfis demográficos astrológicos, não mais participantes de uma não piada coletiva, mas “praticantes”.

A nova astrologia é tudo menos passiva, mas, no entanto, ela rejeita agência verdadeira, não sugerindo que as estrelas estão no controle, mas insinuando que assumir o controle é fácil, uma questão de identificação. Lendo meu horóscopo de Susan Miller para novembro, o pânico do prazo perdido reverberando em minha mente, parei em um conselho, sobre o fim de Vênus retrógrado, ao qual eu poderia dar uma utilidade: “Não lance um produto que é interessante às mulheres antes de 16 de novembro — Vênus comanda as mulheres (Marte comanda os homens.)”. Certamente um ensaio sobre astrologia conta.

 

ROQUE SPONHOLZ

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